Instalação Síria Bombardeada por Israel é provavelmente uma usina nuclear, diz especialista.

Por Steve Weizman - Associated Press

www.contracostatimes.com

23/11/2007

 

JERUSALÉM -- Uma instalação Síria bombardeada por Israel em setembro provavelmente era uma usina para montagem de uma bomba nuclear, disse um especialista nuclear Israelense na quinta-feira, desafiando as conclusões de outros analistas de que ela abrigava um reator nuclear no estilo Norte-Coreano.

O professor de química da Universidade de Tel Aviv, Uzi Even, que trabalhou no reator nuclear Israelense de Dimona, disse que as imagens de satélite do local tiradas antes do ataque Israelense em 6 de setembro não mostram sinais das torres de resfriamento e chaminés características dos reatores.

O professor disse que a ausência caracter´sticas reveladoras de um reator o convenceram de que o prédio deve ter abrigado alguma outra coisa. E uma corrida dos Sírios após o ataque para enterrar o local sob toneladas de terra sugere que a instalação era uma usina de processamento de plutônio e eles estavam tentando abafar o vazamento de doses letais de radiação.

Israel tem mantido um quase total silêncio oficial sobre o ataque, que a Síria disse ter atingido uma instalação militar desativada. Mas relatórios da mídia internacional, alguns citando oficiais Americanos não identificados, disseram que o ataque atingiu uma instalação nuclear construída com ajuda da Coréia do Norte nos moldes do reator de Yongbyon.

Damasco nega ter um programa nuclear não declarado, e a Coréia do Norte alega não estar envolvida em qualquer projeto nuclear Sírio.

No mês passado, o analista Americano David Albright, presidente do Instituto para Ciência e Seguranca Internacional, disse que imagens de satélite comercial tiradas antes e depois do ataque Israelense apoiaram as suspeitas de que o alvo era realmente um reator e que o local apressadamente recebeu uma limpeza pelos Sírios para remover provas incriminatórias.

Albright viu uma pista no fato de que a estrutura foi coberta nos primeiros estágios de sua construção.

Outros analistas disseram que as imagens de satélite estão muito granuladas para permitir um julgamento conclusivo.

Mas na entrevista de quinta-feira para o jornal Haaretz - que primeiramente relatou sua avaliação - Even comparou imagens de um reator Norte-Coreano em Younbyong, nas quais uma torre de resfriamento, com vapor saindo dela, pode ser vista claramente, com as imagens Sírias, onde tais estruturas não aparecem.

Even disse que uma outra evidência contra a teoria do reator é que as fotos de satélite da instalção Síria tiradas desde 2003 não mostram sinais de uma usina de separação de urânio, que prepara o combustível para um reator - tipicamente uma grande estrutura com aberturas de ventilação visíveis.

"É muito difícil esconder uma usina de separação", ele disse. "É mais difícil esconder uma usina de separação do que um reator".

"Em Yongbyong, a suposta instalção irmã Norte-Coreana, você pode ver todos esses sinais que estou apontando e que estão faltando no local Sírio", disse Even. "Você pode ver as chaminés, você pode ver a ventilação, você pode ver as torres de resfriamento, você pode ver a usina de separação. Tudo isso está faltando nesse prédio na Síria".

Even disse pensar que a limpesa Síria, na qual grandes quantidades de terra foram amontoadas sobre o local, foi uma tentativa de abafar a radiação letal de uma usina de processamento de plutônio.

"Eu não tenho nenhuma informação, somente uma avaliação, mas suspeito que era uma usina de processamento de plutônio, a saber uma fábrica para montar a bomba", ele disse ao Haaretz.

"Alguém fez muito esforço para enterrar profundamente quaisquer resquícios dessa instalação", ele disse. "Não somente para escondê-la, mas para amontoar uma grande monte de terra sobre ela".

O professor disse que as autoridades Sírias poderiam tomar ações de limpeza similares se o local abrigasse armas químicas ou biológicas. Mas não teria feito sentido para Israel assumir os riscos militares e diplomáticos de atacar uma tal instalação, há muito tempo um conhecido elemento do arsenal Sírio.

"Nós já sabemos que os Sírios têm mísseis armados com ogivas químicas e biológicas", ele disse. "Eles já estão muito bem equipados nesse departamento".