As 2300 Tardes e Manhãs

Tenho recebido algumas perguntas a respeito de assuntos proféticos publicados no site Olhar Profético e, pelo teor das perguntas e dos argumentos apresentados, percebo que muitos de nossos leitores são ou foram membros da Igreja Adventista do Sétimo Dia ou alguma de suas dissidentes.

Para que aqueles que possam achar que eu nasci e cresci acreditando nas coisas que publico neste site, isso tudo também é muito novo para mim e eu mesmo já tive sérias dificuldades com os ensinamentos que resolvi compartilhar através deste espaço. Portanto, se você é ou foi membro da IASD ou de alguma de suas dissidências, deixe um pouco de lado qualquer preconceito que possa existir com relação a esses assuntos e deixe que o Espírito Santo o(a) guie enquanto analisamos este que é o fundamento básico da doutrina Adventista. Se conseguirmos mostrar que se trata de uma interpretação errada da Palavra de Deus, a própria doutrina que deu origem ao movimento em 1843/44 perderá o valor que tem para os Adventistas do Sétimo Dia.

Eu nasci em um lar Metodista e freqüentei aquela igreja, e até mesmo uma escola por ela mantida, até os 12 anos de idade, quando comecei a ler regularmente a Bíblia e questionar muitas das tradições da igreja e, principalmente, as atitudes de muitos de seus líderes. Comecei então, à luz do que pude aprender pela leitura solitária da Palavra (eu li a Bíblia de capa a capa duas vezes no período de um ano) a pedir a Deus iluminação quanto ao que fazer para adorá-Lo em espírito e em verdade.

Aos 15 anos de idade recebi, juntamente com meu irmão 1 ano mais novo, um convite (e uma bolsa de estudos) para estudar em um renomado internato mantido pela Igreja Adventista do Sétimo Dia na cidade de Petrópolis-RJ (IPAE). No ano seguinte, iniciamos nossos estudos naquela instituição, eu cursando o 1º ano do 2º grau e meu irmão, se não me falha a memória, a 6ª ou 7ª série do ginasial. Foi um prazer para mim entrar em contato com aquela nova doutrina que, explicada da forma que era, me parecia muito bem fundamentada na Palavra de Deus. Naquele mesmo ano eu e meu irmão fomos batizados e nos tornamos membros da IASD. Durante os três anos em que lá permaneci, paralelamente aos estudos seculares, procurei me aprofundar nas questões teológicas e me vali das mentes privilegiadas que nos cercavam naquele lugar.

Após completar o 3º ano do colegial, chegara a hora de deixar para trás aquela escola e enfrentar o mundo lá fora e o desafio do ensino superior. Mas eu havia buscado e encontrado uma ótima preparação no âmbito teológico e fui muito bem recebido na igreja para a qual me transferi. Logo me tornei líder de jovens, líder dos Desbravadores (algo parecido com os escoteiros) e professor da Escola Sabatina. Tornei-me muito ativo nas atividades da igreja e foi então que comecei a sofrer o chamado choque da realidade. Mais uma vez comecei a perceber que os líderes daquela igreja e a grande maioria de seus membros não viviam uma vida condizente com as doutrinas professadas e que muitas daquelas doutrinas, quando analisadas friamente diante da Palavra de Deus tomada de forma literal, pareciam mais uma vez tradições de homens.

Mais uma vez, aos 24 anos de idade, me afastei da igreja e deixei completamente de lado (adormecida, eu diria) toda e qualquer ligação com as coisas espirituais. Passaram-se mais de 15 anos até que eu começasse novamente a ser atraído para os braços do Pai. No entanto, durante todo esse tempo aquelas convicções que se haviam formado em minha consciência me atormentavam, fazendo-me sentir muito culpado pela vida desregrada que eu assumira.

Foi então que comecei a ter contato, principalmente através de minha segunda e atual esposa, com outra realidade religiosa: o pentecostalismo. Primeiramente na Congregação Cristã no Brasil, igreja freqüentada pelos avós e outros familiares da minha esposa, e finalmente na Igreja do Evangelho Quadrangular, de onde minha esposa havia se afastado e para onde ela estava pouco a pouco retornando, me levando junto com ela.

Mais uma vez fui surpreendido por uma nova forma de adoração, e foi aí que entrei em contato com uma nova maneira de ver a Palavra de Deus, não através dos esforços exegéticos do homens, mas através dos olhos dAquele que inspirou os escritores a revelar a Sua Palavra, ou seja, da forma como está escrito, sem mais nem menos.

O Movimento Adventista
A Igreja Adventista do Sétimo Dia surgiu de uma dissidência dentro das igrejas Batista, Weslleiana, Metodista e outras. Por volta do final de 1843 e início de 1844 um grupo de pessoas começou a se reunir para estudar as escrituras e se depararam com as profecias de Daniel 2, 7, 8 e 9 em paralelo com o Apocalipse.

Em especial, a profecia de Daniel 8:

"NO ano terceiro do reinado do rei Belsazar apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio. E vi na visão; e sucedeu que, quando vi, eu estava na cidadela de Susã, na província de Elão; vi, pois, na visão, que eu estava junto ao rio Ulai. E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois chifres; e os dois chifres eram altos, mas um era mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir; nem havia quem pudesse livrar-se da sua mão; e ele fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia. E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha um chifre insigne entre os olhos. E dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto em pé diante do rio, e correu contra ele no ímpeto da sua força. E vi-o chegar perto do carneiro, enfurecido contra ele, e ferindo-o quebrou-lhe os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir, e o bode o lançou por terra, e o pisou aos pés; não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão. E o bode se engrandeceu sobremaneira; mas, estando na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado; e no seu lugar subiram outros quatro também insignes, para os quatro ventos do céu. E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa. E se engrandeceu até contra o exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, lançou por terra, e os pisou. E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra. E um exército foi dado contra o sacrifício contínuo, por causa da transgressão; e lançou a verdade por terra, e o fez, e prosperou. Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: 'Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados?' E ele me disse: 'Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado'." (Daniel 8:1-14)

Quem são esses personagens que aparecem nessa visão? O que significa tudo isso? Qual é a cronologia disso tudo?

Essas foram as perguntas que surgiram nas mentes daquele grupo que se reuniu para estudara a profecia. Parte das respostas está na seqüência desse mesmo capítulo, mas, ainda assim, algumas dúvidas permanecem.

Primeiramente precisamos estabelecer algumas bases para podermos entender melhor o assunto:

1- Animais em profecia sempre representam um poder, um reino.
2- Chifres representam reis, líderes, pessoas poderosas e sempre estão em conexão com algum animal.

Vejamos então as perguntas e as respostas relacionadas a esta profecia em particular:

1- Quem é o carneiro com dois chifres? Daniel nos explica no verso 20 deste mesmo capítulo que o carneiro representa o império Medo-Persa e que os dois chifres seriam os reis da Média e da Pérsia.
2- Quem é o bode peludo com um grande chifre? em Daniel 8:20 nos é dito que ele representa a Grécia e que o chifre representa o seu primeiro rei, Alexandre o Grande.
3- O que significa o chifre quebrado e os quatro novos chifres? Daniel 8:22 nos diz que após a morte do primeiro rei, outros quatro reinos surgirão no lugar dele, mas não com a mesma força.
4- Quem é o chifre pequeno? Daniel 8:23-25 nos dá uma descrição desse rei. No final do reinado dos quatro reis se levantará um rei feroz de semblante e entendido em adivinhações. Seu poder aumentará, mas não por sua própria força. Fará destruições, prosperará e fará o que quiser. Destruirá os poderosos e o povo santo. Pelo seu entendimento fará prosperar o engano, se engrandecerá em seu coração e destruirá a muitos que vivem em segurança. Levantar-se-á contra o Príncipe dos príncipes, mas será quebrado sem mão. Este ponto é um dos que permanecem polêmicos com relação a esta profecia, apesar da ampla descrição dada pelo anjo a Daniel.
5- Que período de tempo é esse de 2300 tardes e manhãs? Esse é o segundo e principal ponto polêmico desta profecia. Que período é esse? Como deve ser contado? Quando começa e quando termina?

As duas últimas questões são o ponto focal deste estudo. Mas primeiro:

Uma Pequena Lição de História
O império Medo-Persa iniciou-se com a tomada de Babilônia no ano de 535 a.C. A cidade de Susã, onde viveram Daniel e Neemias, bem como a rainha Ester, se tornaria a capital do império Persa. Essa cidade fica no atual Irã e hoje é conhecida como Shush. O rei da Pérsia usava em batalha uma coroa de cabeça de carneiro, portanto, o carneiro na profecia representa a Medo-Pérsia e o maior dos dois chifres representa o rei da Pérsia, que se juntou por último à coalizão, mas se tornou o mais proeminente. Juntos esses dois reis conquistaram um território que se estendia do Paquistão para o oeste até o leste da Grécia e para o norte até as praias dos mares Negro e Cáspio, e o governaram por 200 anos até 330 a.C.

O bode com um único chifre era o símbolo de Felipe da Macedônia, pai de Alexandre o Grande. Os Persas haviam humilhado Felipe e Alexandre construiu um grande exército para se vingar. Para unir a facções rivais da Europa ocidental, Alexandre inventou um idioma, o Grego Comum, para que todos pudessem falar uma só língua e resolver as suas diferenças. Alexandre se lançou à batalha contra a Pérsia e, não mostrando compaixão para com os Persas, derrotou o exército de 200.000 homens de Dario II na batalha de Guagamela, contando ele mesmo com somente 35.000 homens. Alexandre tinha somente 22 anos de idade. Sete anos depois ele morreu em Babilônia, deixando o império para ser dividido entre seus quatro generais, Lisímaco, Seleuco, Cassandro e Ptolomeu.

Em 175 a.C um descendente de Seleuco, Antíoco IV, que chamou a si mesmo de Epifanes (o Divino) e odiava os Judeus, jurou eliminar a religião Judaica da face da terra, e quase conseguiu. Fazendo com que o último Sumo-Sacerdote legítimo de Israel, Onais III, fosse assassinado, ele começou a vender o cargo para quem pagasse mais. Ele invadiu Israel e  tomou o controle do Monte do Templo em Jerusalém. Baniu a circuncisão, a escrita e a fala do idioma Hebraico e a posse de escrituras Hebraicas, queimando todas as cópias que pode encontrar. Ele converteu o Templo em um centro de adoração pagã, erigindo em seu interior uma estátua de Zeus com a sua própria face e exigindo que os Judeus a adorassem sob pena de morte. Ele degolou um porco sobre o altar sagrado e ordenou que os sacerdotes fizessem o mesmo.

Essa profanação do Templo, que o tornou impróprio para o uso pelos Judeus, ficou conhecida como a Abominação da Desolação e detonou a Revolta dos Macabeus, uma bem sucedida guerrilha de 3 anos e meio liderada por Judas Macabeu (Judá o Martelo) para expulsar de Israel as forças de Antíoco e restaurar o Templo para a Adoração.

De Volta à Profecia
Voltando à questão de quem era o pequeno chifre na profecia de Daniel 8, toda a polêmica se deve ao fato de que, apesar de a profecia descrever eventos que ocorreram na antiguidade, a explicação do anjo para esse pequeno chifre parece remetê-lo a um momento muito posterior, pois a descrição se encaixa com a do "outro chifre" de Daniel 7:2 e também com a da "besta" de Apocalipse 13. Mas será que se trata da mesma pessoa? Ou será que esse pequeno chifre poderá simbolizar alguma outra pessoa?

Para entendermos corretamente isso, é preciso compreender a cronologia expressa pelo período de 2300 tardes e manhãs apresentado pela profecia, e este é outro ponto controverso. Comecemos pela interpretação dada pela IASD.

A Interpretação Adventista
O membros daquele grupo que se reuniu em 1843/44 para estudar as profecias, entre eles os ilustres Urias Smith e James White, fizeram um grande esforço para alinhar as profecias de Daniel 2, 7, 8 e 9 e do Apocalipse.

Como esta profecia do capítulo 8 parecia não se encaixar cronologicamente com os eventos, eles criaram um sistema de interpretação que forçava o período de 2300 tardes e manhãs a ser entendido não como dias literais.

Baseando-se em passagens como Números 14:34 e Ezequiel 4:6, eles estabeleceram uma doutrina exegética chamada de Doutrina da Minimalização, na qual períodos maiores são minimalizados em períodos menores. Assim, como uma tarde e uma manhã formam um dia e, pela Doutrina da Minimalização, um dia corresponde a um ano, 2300 tardes e manhãs corresponderiam a 2300 anos.

Mas como estabelecer o início para esse período? Ora, o mais lógico é que esse período fosse contado juntamente com outro período da profecia de Daniel que possuía um tempo determinado para começar: Daniel 9.

Na famosa profecia das 70 Semanas de Daniel, o Senhor estabelece o tempo para o início da contagem daquele período de 490 anos, ou seja, a saída da ordem para restaurar e reedificar Jerusalém. Isso ocorreu em 457 a.C, portanto os 2300 anos deveriam ser contados também a partir daquele momento. Essa contagem nos leva ao ano de 1844!

Mas como explicar que esse período, segundo Daniel 8, compreendia o tempo em que o templo ficaria profanado e desde 70 AD já não existia nenhum templo em Jerusalém?

Através de um esforço intelectual eles concluíram que esse templo que seria purificado após 2300 anos só poderia ser a terra. Isso deu origem ao Movimento Adventista, pois eles pensaram inicialmente que essa purificação tratava-se da volta de Jesus.

Através de estudos históricos eles determinaram que o evento deveria ocorrer na primavera do ano de 1844. Como a data estabelecida (na verdade ela ainda foi corrigida uma vez, mudando para o outono) passou, dando origem ao chamado grande desapontamento, eles tiveram que achar uma explicação para manter unida a recém criada Igreja Adventista.

Depois de muito debate, concluíram que seu erro foi imaginar que o Templo a ser purificado era a terra, quando na verdade se tratava do Santuário Celestial. Com isso eles conseguiram acalmar os ânimos dos desapontados recêm-convertidos e manter a unidade da nova igreja, mantendo ainda a integridade da interpretação não literal das 2300 tarde e manhãs.

Mais tarde uma profetisa chamada Hellen Gold Harmon (depois Hellen White) detalhou mais profundamente esta doutrina através de suas visões relatadas em seus numerosos escritos.

Esta nova visão permitiu definir então quem seria o pequeno chifre. Bastava identificar que poder permaneceu estabelecido durante todo esse período de tempo: Roma.

Mas alguns detalhes ainda não encaixavam. O que seria essa profanação que forçaria uma purificação do Santuário depois de 2300 anos? A resposta, as mentiras pregadas pela fé Romana, em especial a negação de Jesus como o único Sumo-Sacerdote e advogado entre os homens e Deus.

Vamos agora analisar detalhadamente esta profecia e ver se os argumentos do Movimento Adventista se sustentam ou não.

Já determinamos anteriormente que o bode peludo representava o Império Romano, sendo seu chifre proeminente o próprio Alexandre Magno, ou Alexandre o Grande. Alexandre morreu aos 33 anos de idade – no auge de sua força – e seu reino foi dividido entre seus quatro generais, Cassandro, Lisímaco, Seleuco e Ptolomeu – os quatro chifres que subiam para os quatro ventos. Falta-nos agora identificar o “pequeno chifre” e a profecia de Daniel nos dá inúmeras pistas de sua identidade. Vejamos.

O que Caracteriza o “Chifre Pequeno”?
1) Se tornaria muito forte para o sul, para o oriente e para a terra formosa.
2) Se engrandeceria contra o exército do céu e lançaria por terra e pisaria alguns do exército e das estrelas.
3) Se engrandeceria contra o Príncipe do exército.
4) Retiraria o sacrifício contínuo.
5) Lançaria por terra o lugar do santuário.
6) Daria um exército contra o sacrifício contínuo por causa da transgressão.
7) Lançaria por terra a verdade.
8) Prosperaria em tudo o que fizesse.
9) Se fortaleceria, mas não com sua própria força.
10) Seria quebrado sem mão.

Quem quer que se candidate a ser o “chifre pequeno” deverá, obrigatoriamente se enquadrar em todas estas características, sem exceção, e algumas outras não mencionadas aqui.

O Movimento Adventista afirma que estas características se referem a Roma, mas será que é verdade? Vejamos.

Roma é o “Chifre Pequeno”?
Roma foi realmente um Império poderoso que se estendeu por quase todo o mundo antigo, o que, de fato, se enquadra na primeira característica, ainda que seu crescimento não se tenha dado somente nas direções mencionadas.

É comum o Antigo Testamento se referir ao povo de Israel como exército do céu ou como estrelas. Roma praticamente massacrou o povo Judeu e terminou por espalhá-los por todo o mundo, expulsando-os de sua terra em 70 AD. Isso pode se enquadrar com a segunda característica.

O Príncipe do Exército, sem sombra de Dúvidas, é o Messias, o Filho de Deus. Foi durante o Império Romano e sob as ordens de Pôncio Pilatos, governador Romano da Judéia, que Jesus Cristo foi crucificado e morto, ainda que a conspiração tenha partido dos Sacerdotes Judeus. Mas depois disso, ao se tornar um Cristã, Roma introduziu muitos dos rituais pagãos dentro da doutrina Cristã e acabou por instituir o Papa como Sumo-Sacerdote e Representante de Cristo na Terra, dando-lhe o poder de ouvir confissões e perdoar pecados. Isto também pode ser visto como engrandecer-se contra o Príncipe do Exército. Terceira característica possivelmente preenchida.

No ano 70 AD, Roma se lançou para sufocar a rebelião Judaica e, como conseqüência, a cidade de Jerusalém foi arrasada. A maioria das casas foi derrubada, milhares de pessoas foram mortas, a tal ponto que um historiador judeu descreveu a cena como um rio de sangue correndo pelas ruas de Jerusalém. Acidentalmente, uma flecha incendiária foi lançada dentro do Templo que se incendiou. Todo o ouro que revestia as paredes do Templo derreteu e escorreu por entre as brechas nas pedras da construção. No afã de recolher toda aquela riqueza, os soldados romanos destruíram o templo, pedra por pedra, cumprindo-se a profecia de Jesus sobre a destruição do Templo. Os Adventistas alegam que isto se enquadra nas características 4 a 6 acima, porém há um problema. Apesar de os Judeus terem continuado com a sua tradição após a morte de Jesus, o sacrifício diário realizado no templo já não era legal, pois o sacrifício definitivo já havia sido realizado por Jesus na cruz. Portanto, não se pode dizer que Roma tenha retirado o contínuo sacrifício em 70 AD.

A Roma Cristã, certamente lançou por terra a verdade, aja vista a inquisição e todos os dogmas e ritos instituídos pela igreja de Roma, e com certeza prosperou, e prospera até hoje, em todos os seus intentos. Características 7 e 8, cumpridas.

O “chifre pequeno” receberia poder de alguém. Não se pode dizer que um “poder” tenha recebido poder. Pode-se dizer que uma pessoa tenha recebido poder. Roma não é uma pessoa, e sim um poder, portanto não poderia receber poder de ninguém. Roma jamais poderia crescer por um poder que não fosse o seu próprio. Com certeza não se enquadra na característica 9.

Quando o grande chifre do bode peludo foi quebrado, isso simbolizou a morte de Alexandre o Grande. O pequeno chifre também é quebrado, portanto ele morre, mas sem a intervenção de mão humana, o que dá a entender que ele morre de morte natural. Seria ridículo dizer que Roma tenha morrido de morte natural, não acha? Característica 10 não cumprida.

Vemos que Roma aparentemente se enquadra na maioria das características apresentadas para o “chifre pequeno”, mas definitiva não se enquadra em duas delas, e aparentemente não se enquadra em outras três.

Isso nos deixa com somente 50% de possibilidade de que Roma seja realmente o “chifre pequeno”. Mas não é o suficiente. Qualquer pretendente a este posto terá que cumprir 100%. Mas haverá alguma pessoa na história que se enquadre perfeitamente em todas estas características?

Quem na Verdade é o “Chifre Pequeno”?
Falamos inicialmente de um rei da dinastia Selêucida, Antíoco IV Epifânio, que possivelmente se enquadre nas características do “chifre pequeno”. Vejamos se ele sobrevive à prova.

Seleuco iniciou o seu reinado em 175 a.C. Ele exerceu a mais desmoralizadora e desumana opressão sobre o povo Judeu de que se tem notícia. Foram anos de dura submissão. O próprio Antíoco reconheceu esse fato pouco antes de morrer, dizendo:

“Mas agora eu me lembro dos males que causei a Jerusalém, de todos os objetos de ouro e de prata que saqueei, e de todos os holocaustos da Judéia que exterminei, sem motivo. Reconheço que foi por causa disto que todos estes males me fulminaram, e agora, morro de tristeza numa terra estrangeira” (I Macabeus 6:12-13).

Antíoco não foi morto por mãos humanas, mas morreu de morte natural. Isto já o enquadra na característica nº 10.

Antíoco estendeu suas conquistas não só em direção à Terra Santa, mas também para o sul e para o Oriente, como pode ser visto no texto abaixo, que descreve sua investida contra o Egito:

“Penetrou (Antíoco), pois, no Egito com um poderoso exército, com carros, elefantes, cavalos e uma numerosa esquadra. Investiu contra Ptolomeu, rei do Egito que, tomado de pânico, fugiu. Foram muitos os que sucumbiram sob os seus golpes. Tornou-se ele senhor das fortalezas do Egito, e apoderou-se das riquezas do país” (I Macabeus 1:17).

Vemos então que ele também cumpre a característica nº 1.

Antíoco agiu com tanta crueldade contra o povo Judeu, que foi apelidado de Antíoco IV Epifanes, o Louco. Buckland, em seu dicionário Bíblico Universal, diz, referindo-se a Antíoco: “Pelos judeus era ele considerado como uma figura do Anti-Cristo, resistindo com todo o seu poderá tudo que era divino”.

Ele despojou o Templo de todos os seus tesouros; dedicou o Templo a Júpiter Olimpo, proibiu; terminantemente, os rituais Judaicos, substituindo-o por um culto pagão; arrasou os muros da cidade; matou ou vendeu como escravos os que se opuseram ao seu regime; destruiu todas as relíquias dos Judeus que pode encontrar; trouxe de Atenas um filósofo para dirigir um plano para extirpar a religião Judaica; colocou no Templo uma estátua de Zeus (Júpiter) com a sua própria face, estabelecendo o que ficou conhecido como “abominação desoladora” (veja Daniel 11.31).

Antíoco Epifanes matou e vendeu como escravos um total de 80 mil Judeus que se lhe opuseram em apenas três dias, sendo 40 mil mortos e 40 mil vendidos como escravos (II Macabeus 5:14). Isto com certeza o enquadra na característica nº 2.

Ao proibir o ritual do templo, ele cumpriu a característica nº 4, retirando o “sacrifício contínuo”.

Saqueando o Templo, colocando dentro dele a estátua de um deus pagão e investindo furiosamente contra a cidade ele cumpriu a característica nº 5, lançando por terra o lugar do santuário. Vale a pena ler o relato histórico:

“Após ter assolado o Egito, pelo ano cento e quarenta e três, regressou Antíoco e marchou contra Israel, subindo a Jerusalém, com um forte exército. Penetrou cheio de orgulho no Santuário, tomou o altar de ouro, o candelabro das luzes com todos os seus pertences, a mesa da proposição, os vasos, as alfaias, os turíbulos de ouro, o véu, as coroas, os ornamentos de ouro da fachada, e arrancou as embutiduras. Tomou a prata, o ouro, os vasos preciosos e os tesouros ocultos que encontrou. Arrebatando tudo consigo, regressou a sua terra, após massacrar muitos judeus e pronunciar palavras injuriosas. Foi isto um motivo de desolação em extremo para o povo de Israel. Príncipes e anciãos gemeram, jovens e moças perderam sua alegria, e a beleza das mulheres empanou-se. O recém-casado lamentava-se, e a esposa chorava no leito nupcial. A própria terra tremia por todos os seus habitantes e a casa de Jacó cobriu-se de vergonha. Dois anos após, Antíoco enviou um oficial a cobrar o tributo nas cidades de Judá. Chegou ele a Jerusalém com uma numerosa tropa, dirigiu-se aos habitantes com palavras pacíficas, mas astuciosas, às quais acreditaram; em seguida, lançou-se de improviso sobre a cidade, pilhou-a seriamente e matou muita gente. Saqueou-a, incendiou-a, destruiu muitas casas e os muros ao derredor. Seus soldados conduziram ao cativeiro as mulheres e as crianças e apoderaram-se dos rebanhos” (I Macabeus 1:20-32).

Substituindo o Antigo Concerto por rituais pagãos, chegando ao ponto de proibir a guarda do sábado ao povo Judeu, e levando muitos Judeus a um estado de desobediência forçada nuca visto antes, Antíoco lançou por terra a verdade, pois a religião Judaica, baseada no Pentateuco, era a mais sublime verdade dada por Deus a Israel. E ele o fez com violência peculiar. Veja o relato histórico:

“Por intermédio de mensageiros, o rei enviou a Jerusalém e às cidades de Judá, cartas prescrevendo que aceitassem os costumes dos outros povos da terra, suspendendo os holocaustos, os sacrifícios e as libações do Templo, violassem os Sábados e as festas, profanassem o Santuário e os santos erigissem alteres, templos e ídolos, sacrificassem porcos e animais imundos, deixassem seus filhos incircuncidados e maculassem suas almas com toda sorte de impurezas e abominações, de maneira a obrigarem-nos a esquecer a Lei e a transgredir as prescrições. Todo aquele que não obedecesse a ordem do rei devia ser morto. Ofereciam sacrifícios diante das portas das casas e nas praças públicas. Rasgavam e queimavam todos os livros da Lei que achavam; em toda parte, a todo aquele, em poder do qual se achava um livro do Testamento, ou, todo aquele que mostrasse gosto pela Lei, morreria por ordem do rei. As mulheres que levavam seus filhos a circuncidar, eram mortas conforme o edito do rei, com os filhos suspensos aos seus pescoços. Massacravam-se também seus próximos e os que tinham feito a circuncisão. Dura e penosa foi para todos esta avalanche maléfica. O Templo encheu-sede lascívias e das orgias dos gentios que se divertiam com meretrizes, uniam-se às mulheres nos átrios sagrados, introduzindo coisas ilegais” (I Macabeus 1:44-45, 55, 56, 60 e II Macabeus 6:3-4).

Isto certamente o enquadra nas características nº 6 e 7.

Massacrar o povo de Deus, acabar com o seu culto, substituindo-o por um ritual pagão, imolar porcos e outros animais imundos no próprio Templo, transformar os átrios sagrados em casas de meretrício não é engrandecer-se contra os Príncipes dos Príncipes? Não admiti-lo é engano total. Colocar-se em posição contrária ao que Cristo estabeleceu é como colocar-se contra Ele. Isto o enquadra na característica nº 3.

Certamente Antíoco IV Epifanes foi o mais bem sucedido em suas tentativas de subjugar os Judeus e quase obteve sucesso em elimina de uma vez por todas com a sua religião. Esta é a característica nº 8.

Mas e quanto à característica nº 9. Quem deu todo esse poder a Antíoco? É óbvio que a profecia não especifica qual é a fonte do poder do “pequeno chifre”, somente diz que ele faria tudo não com seu próprio poder. Podemos perceber que o seu poder adveio de seu grande ódio e total desprezo pelo povo Judeu, o que somente poderia ser originado por influência demoníaca. Além disso, existe um outro poder por trás disso, o do próprio Deus, que precisava trazer juízo a Israel por suas transgressões e ainda precisava fazer algo muito mais importante que veremos mais adiante. Está assim estabelecido que ele não prosperou pelo seu próprio poder.

Ainda falta um fator primordial para entendermos esta profecia e esta será a chave para determinamos se ela realmente se cumpriu em Antíoco IV Epifanes. Trata-se da cronologia. Como entender corretamente as 2300 tardes e manhãs?

O Que é O “Sacrifício Contínuo”?
O texto original em Hebraico não menciona a palavra sacrifício. Ele diz simplesmente o “Contínuo”. Mas o que é o contínuo?

Em Números 28:3 e 4 lemos:

“E dir-lhes-ás: Esta é a oferta queimada que oferecereis ao Senhor: dois cordeiros de um ano, sem defeito, cada dia, em CONTÍNUO HOLOCAUSTO; um cordeiro sacrificarás pela manhã, e o outro cordeiro sacrificarás à tarde.”

Todos os dias os sacerdotes precisavam sacrificar dois cordeiros, um de manhã e uma à tarde, pelas transgressões do povo. Este sacrifício era conhecido como Sacrifício Contínuo, ou Continuado, ou, simplesmente, o Contínuo. A fumaça desses sacrifícios diários subia continuamente diante de Deus e mantinha a lembrança de Sua Aliança com Israel, que vinha desde o tempo de Abraão.

Nós já vimos que Antíoco proibiu esta prática em Israel, mas por quanto tempo?

O Que São as 2300 Tardes e Manhãs?
Se tomarmos por base o sacrifício contínuo, vemos que os cordeiros eram sacrificados diariamente, uma de manhã e outro à tarde.

O Judeus contam seus dias desde o pôr-do-sol de um dia até o pôr-do-sol do dia seguinte, portanto, um dia é composto por uma tarde e uma manhã.

A conclusão lógica seria que 2300 tardes e manhãs compreenderiam 2300 dias. Mas não é bem assim. Se eu digo que em um edifício moram 100 homens e mulheres, você jamais pensará que se tratam de 100 homens mais 100 mulheres. Na verdade o número total é 100, mas dividido entre homens e mulheres (70 homens e 30 mulheres, 40 homens e 60 mulheres, e assim por diante). Como cada dia é composto somente por uma tarde e uma manhã, a proporção é de 50 por cento, portanto, serão 1150 tardes e 1150 manhãs, compondo 1150 dias.

Outra característica da contagem do tempo pelos Judeus é que seus anos são lunares, portanto, eles se compõem de 360 dias. Com isso temos que as 2300 tardes e manhãs compreendem um período de 3 anos, 2 meses e 10 dias.

Determinamos, assim, que o tempo em que o templo deveria permanecer profanado seria de 1150 dias ou 3 anos, dois meses e 10 dias. Mas a desolação causado por Antíoco se encaixa nesta cronologia?

Para estabelecer a data da profanação do templo por Antíoco, leiamos:

“Então o rei Antíoco publicou para todo o reino um edito, prescrevendo que todos os povos formassem um único reino e que abandonassem luas leis particulares. Todos os gentios se conformaram com esta ordem do rei, e muitos de Israel adotaram a religião de Antíoco, sacrificando aos ídolos e violando o Sábado. Por intermédio de mensageiros o rei enviou a Jerusalém e às cidades de Judá, cartas prescrevendo que aceitassem, os sacrifícios e as libações do Templo, violassem os Sábados e as festas, profanassem o Santuário e os santos erigissem alteres, templos e ídolos, sacrificassem porcos e animais imundos, deixassem seus filhos incircuncidados e maculassem suas almas com toda sorte de impurezas e abominações, de maneira a obrigarem-nos a esquecer a Lei e transgredir as prescrições.Todo aquele que não obedecesse à ordem do rei devia ser morto. Foi neste teor que o rei escreveu a todo o reino; nomeou oficiais para vigiarem o cumprimento da sua vontade pelo povo, e coagirem, cidade por cidade, as de Judá a sacrificarem. Foram numerosos os que dentre o povo aderiram a eles, rejeitando a Lei. Fizeram muito mal ao país e constrangeram os Israelitas a se refugiarem nos lugares afastados e em refúgios ocultos. No dia quinze do mês de Casleu, do ano cento e quarenta e cinco, edificaram a abominação da desolação por sobre o altar e construíram altares em todas as cidades circunvizinhas de Judá. Ofereciam sacrifícios diante das portas das casas e nas praças públicas, rasgavam e queimavam todos os livros da Lei que achavam; em toda parte, a todo aquele, em poder do qual se achava um livro do Testamento, todo aquele que mostrasse gosto pela Lei, morreria por ordem do rei. Com este poder que tinham, tratavam assim, cada mês, os judeus que eles encontravam nas cidades, e no dia vinte e cinco de cada mês sacrificavam no altar, que sobressaia do altar do Templo. As mulheres que levavam seus filhos a circuncidar eram mortas conforme o edito do rei com os filhos suspensos aos seus pescoços. massacravam-se também seus próximos e os que tinham feito a circuncisão. Numerosos foram os israelitas que resolveram consigo mesmo não comer nada que fosse impuro e preferiram a morte antes que se manchar com alimentos impuros; não quiseram violar a santa Lei e foram trucidados. Caiu assim sobre Israel, uma imensa cólera.” (I Macabeus 1:41-64)

Observe que em meio à descrição da profanação do templo por Antíoco IV Epifanes existe uma data – dia 15 do mês Casleu do ano 145.

Agora leiamos o texto sobre a purificação do templo:

“Então Judas encarregou alguns homens combater os soldados da cidadela, enquanto purificavam o Templo. Escolheu sacerdotes sem defeito e zelosos da Lei que purificaram o Templo transportando para um lugar impuro as pedras contaminadas. Consultaram-se entre si o que se deveria fazer do altar dos holocaustos, que havia sido profanado, e tomaram a melhor resolução de o demolir, para que não recaísse sobre eles o opróbrio vindo da mancha dos gentios. Destruíram-no, portanto, e transportaram suas pedras a um lugar conveniente sobre a montanha do Templo, aguardando a decisão de algum profeta a este respeito. Tomaram pedras intatas, segundo a Lei, e construíram um novo altar, semelhante ao primeiro. Restauraram também o Templo e o interior do Templo e purificaram os átrios. Fizeram novos vasos sagrados e transportaram ao Santuário o candeeiro, o altar dos perfumes e a mesa. Queimaram incenso no altar, acenderam as lâmpadas do candeeiro, para alumiarem o Templo, colocaram pães sobre a mesa e suspenderam os véus, terminando completamente o trabalho. No dia vinte e cinco do nono mês, isto é, do mês de Casleu, do ano cento e quarenta e oito, eles se levantaram muito cedo, e ofereceram um sacrifício legal sobre o altar dos holocaustos, ao som das harpas, das liras e dos címbalos. Todo o povo se arrojou com o rosto em terra, para adorar e bendizer ao céu. Àquele que os havia conduzido ao triunfo. Prolongaram por oito dias a dedicação do altar, oferecendo com alegria holocaustos e sacrifícios de ações de graças e de louvores. Adornaram a fachada do Templo com coroas de ouro e com pequenos escudos, consagraram as entradas do Templo e os quartos, aos quais colocaram portas.Reinou uma alegria imensa entre o povo e o opróbrio das nações foi afastado!” (I Macabesu 4:41-58)

Novamente, temos aqui uma data – dia 25 do mês Casleu do ano 148.

Espere aí. Se contarmos o tempo decorrido entre essas duas datas, teremos três anos e 10 dias. Onde estão os dois meses restantes?

Primeiro precisamos lembrar que a Bíblia não é um compêndio matemático e não é possível através dela estabelecer uma cronologia que chegue ao detalhe do dia.

Segundo, o número de dias dos meses no calendário Hebraico é variável, bem como o número de meses no ano (podendo ser 12 ou 13 meses). Isso é necessário para que as datas comemorativas de Israel caiam sempre no mesmo dia, pois como o seu calendário é lunar, ou seja tem somente 360 dias, em cinco ano a páscoa, por exemplo, cairia em outro mês, e em dez anos ela cairia em outra estação. Por isso eles fazem adaptações no seu calendário para adequá-lo ao calendário solar.

O que importa aqui é que o Templo de Jerusalém permaneceu profanado por aproximadamente 3 anos, ou 1150 dias. Se você for adepto à outra linha interpretativa que diz que 2300 tardes e manhã são na verdade 2300 dias, ou aproximadamente 7 anos, esse foi o tempo exato da dominação de Antioco sobre Israel.

De qualquer forma, estabelecemos que Antíoco IV Epifanes cumpre todas as características do “chifre pequeno”, até os mínimos detalhes, sendo, portanto, o verdadeiro cumprimento para a profecia de Daniel 8.

Somente a título de informação, os anos apresentados pelos textos do Livro de Macabeus estão na contagem dos Macabeus. Antíoco reinou de 175 a.C. até 164 a.C. O período da profanação do Templo em Jerusalém se estendeu de 168 a.C. até 165 a.C., ou aproximadamente 3 anos. O domínio total de Antíoco sobre a Terra Santa estendeu-se de 170 a.C. até 165 a.C., o que perfaz um total de aproximadamente 7 anos.

Assim, Antíoco IV Epifanes continua sendo o homem que representou o “chifre pequeno”, em todos os seus aspectos. Seja qual for a interpretação, ela será sempre literal.

Como Antíoco Pode se Relacionar a Eventos no Fim dos Tempos?
Este é o ponto principal deste estudo. Muito mais do que provar que o Movimento Adventista está errado em sua interpretação de toda – eu disse toda – a profecia bíblica, precisamos estabelecer a relação desta profecia em particular com os acontecimentos no Fim dos Tempos, ou seja, nos nossos dias.

Em Daniel 8:13 temos o termo “trasngressão assoladora”. Este é o mesmo termo utilizado em Daniel 11:31 e traduzido com “abominação desoladora”.

Se lermos o texto de Mateu 24, veremos Jesus discorrendo com Seus discípulos a respeito dos acontecimentos no Final dos Tempos e Ele menciona no verso 15:

“Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda”

Veja que Jesus está falando de alguma coisa que acontecerá no futuro e se parecerá em muito com o que Daniel descreveu. Que coisa é essa?

Em 2 Tessalonicenses 2:4, Paulo amplia a descrição de Daniel e a conecta ao Anticristo, vejamos:

“O qual se opõe, e se levanta contra tudo o que se chama Deus, ou se adora; de sorte que se assentará, como Deus, no templo de Deus, querendo parecer Deus.”

Vamos agora para o Livro do Apocalipse. No capítulo 13 temos a descrição da “besta que subiu do mar” ou o Anticristo e da “besta que subiu da terra” ou o Falso Profeta. Observe que o Falso Profeta faz com que os habitantes da terra façam uma imagem do Anticristo e através de um poder a ele concedido dá vida à imagem da besta para que ela fale e faça com que todos os que não a adorem sejam mortos.

Jesus está mostrando aos discípulos que no final dos tempos, um homem se levantará dizendo ser o Messias e se assentará no templo de Deus, querendo parecer Deus, exatamente como o fez Antíoco IV Epifanes. A sua advertência é para os Judeus, não para a Igreja, de que, quando eles virem isso acontecer, deverão fugir para os montes para poder salvar a própria vida.

O “Judaísmo” da advertência de Jesus pode ser visto pelo fato de que, primeiro, haverá uma profanação do templo dos Judeus, segundo, o aviso é dado especificamente aos habitantes da Judéia, a região de Jerusalém em Israel, e, terceiro, Ele os admoesta a orarem para que isso não aconteça no sábado, um dia em que a lei Judaica proíbe viajar. Claramente o senhor estava dizendo que haverá uma nação de pessoas judias observando sua lei em Israel no fim dos tempos e que terão reconstruído seu templo antes do Seu retorno.

Esta é a interpretação literal da profecia de Daniel. Veja como ela se liga diretamente às demais profecias da Bíblia relacionadas ao Tempo do Fim, sem a necessidade artifícios mirabolantes para conseguir que um determinado personagem ou poder se encaixe em sua descrição, nem de forçar a barra e inventar uma profanação no próprio Santuário Celestial para que a profecia possa se encaixar em sua cronologia forjada.

Se você ainda tem dúvidas a esse respeito, procure ler os artigos Sete Coisas que Você Precisa Saber para Entender a Profecia dos Tempos Finais Parte 1, Parte 2 e Parte 3, Os Tempos do Fim Segundo Jesus Parte 1, Parte 2, Parte 3 e Parte 4, Os Tempos do Fim Segundo Daniel Parte 1 e Parte 2