O Retorno dos Medos

Um Estudo Bíblico por Jack Kelley – www.gracethrufaith.com

Eis que eu despertarei contra eles os medos, que não farão caso da prata, nem tampouco desejarão ouro. E os seus arcos despedaçarão os jovens, e não se compadecerão do fruto do ventre; os seus olhos não pouparão aos filhos. E Babilônia, o ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra, quando Deus as transtornou. Nunca mais será habitada, nem nela morará alguém de geração em geração; nem o árabe armará ali a sua tenda, nem tampouco os pastores ali farão deitar os seus rebanhos ({bible}Isaías 13.17-20{/bible}).

De acordo com uma reportagem da Newsmax.com que recebi recentemente, o aliado dos EUA, Turquia, e o seu arquiinimigo Irã formaram uma aliança militar para retirar separatistas Curdos de bases no norte do Iraque, que eles têm utilizado desde 2004 para lançar operações de guerrilha dentro do Irã. Líderes rebeldes disseram à Newsmax em uma base secreta nas Montanhas Qandil.

Eu escrevi anteriormente sobre isso há três anos atrás. Este tem sido um problema esperando para acontecer desde o início da guerra no Iraque. Os Curdos são descendentes dos Medos, um povo Indonésio-Europeu que se uniram aos Persas em seu bem sucedido esforço para derrubar Babilônia e se estabelecerem como uma potência mundial no 6º século AC. Os Persas, apesar de se unirem no meio da campanha, eventualmente se tornaram o parceiro mais dominante na coalizão, mas juntos os Medos e os Persas reinaram por mais de 200 anos, até que Alexandre o Grande os derrotou.

O ancestral original dos Medos foi Madai, o 3º filho de Jafé, um filho de Noé. Após a confusão das línguas em Babel ele migrou em direção ao norte e ao leste para a região entre o Mar Negro e o Mar Cáspio, onde Turquia, Síria, Iraque, Irã, Armênia e Geórgia se encontram hoje. Os locais chamam esta área de Curdistão, ou terra dos Curdos. Mosul, uma cidade proeminente no Curdistão Iraquiano, era conhecida nos tempos Bíblicos como Nínive.

A Turquia tem sido um oponente resoluto quanto a conceder aos Curdos um território nacional porque muito do território que eles ocupariam está na Turquia, com alguma parte no Irã e no Iraque também. De fato, a Turquia pensa que é dona do território atualmente ocupado pelos Curdos no Iraque, inclusive seus ricos campos de petróleo, declarando que sua posse data dos dias do Império Otomano. Os Curdos Iraquianos têm sido bastante prestativos na guerra dos EUA com o Iraque e têm recebido, como resultado, influência e autonomia. De fato, o Presidente do Iraque é atualmente Jalal Talabani, líder da União Patriótica do Curdistão, e o primeiro não Árabe a governar um país Árabe. Lembre-se, os Medos eram descendentes de Madai, filho de Jafé. Isso os torna Caucasianos e não Semitas.

Creio que você consegue entender por que a Turquia não está entusiasmada com tudo isso. Tendo ido à guerra no passado para evitar a autonomia Curda, devem eles agora ficar felizes com a possibilidade de um país inteiro governado por Curdos bem ao seu lado? O impensável resultado nas mentes Turcas é que os Curdos se tornarão uma nação independente, tomando um punhado de terras Turcas no processo.

O Irã, que também tem uma considerável população Curda, compartilha esse medo e está ansiosa por causar um problema ainda maior para os EUA no Iraque, especialmente porque os Curdos têm evitado com sucesso que os guerreiros Iranianos e da Al Qaida entrem em sua parte do Iraque. Então, a partir de poucos meses atrás uma coalizão de tropas Turcas e Iranianas tem entrado no Iraque para batalhar contra os separatistas Curdos nas Montanhas Qandil.

Oficiais Americanos têm exigido que a Turquia não envie mais tropas e têm apelado para uma solução diplomática. A região dominada pelos Curdos no norte do Iraque é uma das poucas áreas relativamente estáveis do país e os Curdos são um antigo aliado dos EUA.

A propósito, as relações entre a Turquia e os EUA enfrentaram tensão ainda maior após um comitê congressista dos EUA ter votado por acusar a Turquia Otomana Islâmica de genocídio contra Cristãos Armênios durante a I Guerra Mundial. A Turquia nega que os 1,5 milhões de mortes constituam genocídio, dizendo que o número foi exagerado e que os mortos foram vítimas de guerra civil e distúrbios que também mataram Muçulmanos.

A Turquia declara que a realocação forçada de minorias étnicas Armênias não teve a intenção de eliminá-los e tem ameaçado negar aos EUA acesso às suas bases na Turquia e cruzar a fronteira com o Iraque com uma grande força que montaram do seu lado se a resolução passar. Isso fez com que o Presidente Bush criticasse publicamente o comitê do congresso, dizendo que há coisas mais importantes a fazer do que alienar seu único real aliado Muçulmano em toda a região. Desde então deserções entre os democratas forçaram a liderança a repensar sua estratégia e a resolução talvez nem sai do comitê no fim das contas.

Qual é o Ponto?

Ofereço este contexto para que você veja as três profecias que estão chegando perto do cumprimento nesses eventos. Em primeiro lugar, a Turquia e o Irã estão se tornando aliados, abrindo a porta para a entrada da Turquia na coalizão Muçulmana de Ezequiel 38. Enquanto as potências ocidentais esnobam ou ofendem a Turquia, o Irã e a Síria têm se tornado aliados mais próximos deste impressionante membro Muçulmano da OTAN. A deserção da Turquia para a coalizão Muçulmana é uma das poucas pré-condições restantes para que Ezequiel 38 se cumpra.

Em Segundo lugar, vemos os descendentes dos antigos Medos voltando ao palco do mundo para cumprir o destino profético que Isaías e Jeremias predisseram para eles. Isso nos diz que os Curdos não irão embora, mas na verdade se tornarão uma força mais poderosa a ser reconhecida no Oriente Médio.

Terceiro, e o foco deste estudo, veremos que seu destino é ser o agente de Deus para o nunca antes cumprido julgamento contra Babilônia no Final dos Tempos.

Até o momento todos sabemos que Babilônia não foi destruída da forma que Isaías e Jeremias descreveram quando os Medos e Persas tomaram o Reino em 538 AC. Quando Dario, o Medo, assumiu o trono de Babilônia, ele o fez sem ter uma única batalha por esse direito. O exército Medo-Persa se escamoteou para dentro da cidade desviando o Rio Eufrates e rastejando sob os portões para capturar a poderosa fortaleza sem atirar uma lança nem dar um golpe de espada. Ainda assim, Jeremias disse que o exército Babilônico seria completamente destruído, caindo morto, fatalmente ferido nas ruas de Babilônia ({bible}Jer 51.3-4{/bible}) e “Os largos muros de Babilônia serão totalmente derrubados, e as suas altas portas serão abrasadas pelo fogo; e trabalharão os povos em vão, e as nações no fogo, e eles se cansarão” ({bible}Jer 51.58{/bible}). O uso do plural para povos neste verso dá a idéia de que múltiplas nações estarão envolvidas na construção da cidade, outra pista de que Jeremias não estaria falando da Babilônia de seu tempo, mas de uma futura.

Falando da destruição de Babilônia, o Senhor fez Isaías dizer, “Já se ouve a gritaria da multidão sobre os montes, como a de muito povo; o som do rebuliço de reinos e de nações congregados. O Senhor dos Exércitos passa em revista o exército de guerra. Já vem de uma terra remota, desde a extremidade do céu, o Senhor, e os instrumentos da sua indignação, para destruir toda aquela terra. Clamai, pois, o dia do Senhor está perto; vem do Todo-Poderoso como assolação. Portanto, todas as mãos se debilitarão, e o coração de todos os homens se desanimará. E assombrar-se-ão, e apoderar-se-ão deles dores e ais, e se angustiarão, como a mulher com dores de parto; cada um se espantará do seu próximo; os seus rostos serão rostos flamejantes” ({bible}Isa 13.4-8{/bible}).

Isso se parece mais com armamento do século 21. Foi-me dito que uma bomba de nêutrons derreteria a carne para fora do esqueleto enquanto a vítima ainda está de pé. Talvez seja isso que Isaías viu.

Nunca Mais

Isaías disse que Babilônia jamais seria habitada de novo após ser julgada, e Jeremias repetiu a alegação sete outras vezes. Mas Babilônia tem sido habitada e ainda é hoje. Tem que haver um papel futuro para a Grande Cidade, e tem que ser um bem grande para merecer seis capítulos da Bíblia. Isaías 13-14, Jeremias 50-51 e Apocalipse 17-18 todos falam dela. Isaías 14 nos diz por quê. É porque o verdadeiro Rei de Babilônia é o próprio Satanás.

Isaías 13-14 é um oráculo de dois capítulos sobre a destruição de Babilônia, e destacamos parte dele acima. Mas {bible}Isaías 14.4{/bible} diz, “Então proferirás este provérbio contra o rei de Babilônia” e daí em diante se torna pessoal. No verso 12 ele diz, “Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva” e então lista as 5 presunções que Satanás fez em sua rebelião contra Deus. Este é um dos únicos dois vislumbres que a Bíblia oferece sobre esse misterioso evento que muitos eruditos crêem ter precedido a criação de Adão. O outro está em {bible}Ezequiel 28.12-19{/bible} onde Lúcifer é chamado de Rei de Tiro. Ambos terminam com sua derrota total.

Há outras boas razões para crer que a Babilônia de que se fala nessas profecias é uma cidade do Tempos do Fim no Iraque, não os EUA, e que ela será destruída pelos Medos, ou melhor, por seus representantes modernos, os Curdos. Os Medos são mencionados em {bible}Isaías 13.17{/bible} e {bible}Jer 51.11, 28{/bible} como estando envolvidos em uma destruição de Babilônia que nunca aconteceu na história e resultará na eterna desolação do quartel general de Satanás na terra.

Apesar de muitas nações estarem envolvidas, somente os Medos são mencionados pelo nome, e tanto Isaías quanto Jeremias estão falando deles com relação à cidade no Iraque moderno. Referindo-se ao tempo como “O Grande Dia do Senhor”, Isaías chamou Babilônia de “ornamento dos reinos, a glória e a soberba dos caldeus” ({bible}Isaías 13.19{/bible}) (Os Caldeus eram o povo das regiões do sul que fundaram e controlaram o Império Babilônico. Alguns crêem que o Kuwait é a nação que hoje ocupa a terra dos Caldeus, e que esta era a base para a reclamação de Saddam Hussein sobre o Kuwait na invasão que desencadeou a primeira Guerra do Golfo.)

Jeremias foi mais além. Ele usou dois criptogramas (palavras código) para autenticar sua descrição, também no contexto dos Tempos do Fim. Existem vários exemplos de palavras código hebraicas no Antigo Testamento. Eles tipicamente trocavam a última letra do alfabeto de 22 letras pela primeira, a 21ª pela 2ª, a 20ª pela 3ª e assim por diante.

Os dois criptogramas de Jeremias podem ser vistos em {bible}Jer 51.4{/bible} onde Leb Kamai é o código para Caldéia e em {bible}Jer 51.41{/bible} onde Sesaque é o código para Babilônia. Eu creio que ele o fez para deixar inequivocamente claro que estava se referindo a uma versão dos tempos do fim de Babilônia. Como Satanás restaurará esta hoje grandemente cerimonial cidade como a capital da terra no fim dos tempos é uma questão de muitas especulações, algumas delas passíveis de ceticismo. Por enquanto o que sabemos através de Isaías, Jeremias e João é que ele o fará.

Digo isso porque parte da linguagem que João utilizou em Apo 17-18 foi quase que certamente tirada de Isaías e Jeremias. Em {bible}Isa 13.21-22{/bible}, Babilônia é chamada de covil de chacais, corujas e hienas, palavras que em hebraico descrevem demônios assim como animais imundos. Compare isso com {bible}Apo 18.2{/bible}. E clamou fortemente com grande voz, dizendo: “Caiu, caiu a grande Babilônia, e se tornou morada de demônios, e coito de todo espírito imundo, e coito de toda ave imunda e odiável...” Ou que tal {bible}Isaías 47.7-9{/bible}, onde o Senhor acusa Babilônia de dizer “Eu serei senhora para sempre... não ficarei viúva”, e disse que ela seria destruída num momento, em um único dia. Compare isso com {bible}Apo 18.7-8{/bible}. Porque diz em seu coração: “Estou assentada como rainha, e não sou viúva, e não verei o pranto”. Portanto, num dia virão as suas pragas...

Jeremias chamou Babilônia de taça de ouro nas mãos do Senhor que embebedou toda a terra. Ele disse que as nações beberam seu vinho e enlouqueceram, e que ela cairia repentinamente ({bible}Jer 51.7-8{/bible}). Compare isso com as palavras de João em {bible}Apo 17.4{/bible} e {bible}Apo 18.3{/bible}. E a mulher... tinha na sua mão um cálice de ouro cheio das abominações e da imundícia da sua prostituição; porque todas as nações beberam do vinho da ira da sua prostituição...” Essas três profecias estavam descrevendo o mesmo lugar. Conquanto os EUA certamente mereçam e poderão receber os julgamentos descritos aqui, Isaías, Jeremias e João estavam descrevendo a queda da Babilônia Bíblica.

Através do envolvimento Curdo na Guerra do Iraque, os Medos saíram da história e passaram para o palco do mundo novamente, e outro personagem importante no Cenário dos Tempos do Fim está tomando seu lugar. Um dia em breve, o Rei dos Medos liderará novamente um vasto exército contra Babilônia, e desta vez sua destruição será completa, e as palavras do Senhor serão cumpridas. Quase se podem ouvir os passos do Messias. 20-10-2007