Os Tempos do Fim Segundo Daniel - Parte 2 - Capítulos 8 e 9

Um Estudo Bíblico por Jack Kelley - www.gracethrufaith.com

Dois anos depois da visão dos quatro animais que descrevemos no capítulo 7, Daniel teve outra visão, esta de um bode e uma ovelha. Como veremos, sua intenção era dar a ele e a nós mais detalhes sobre as coisas por vir, porque a visão tem um duplo cumprimento. Para Daniel essa visão estava toda no futuro, mas para nós o primeiro cumprimento agora é história, assegurando o cumprimento final, ainda no futuro.

Daniel 8

A Visão de Daniel de um Carneiro e um Bode

No ano terceiro do reinado do rei Belsazar apareceu-me uma visão, a mim, Daniel, depois daquela que me apareceu no princípio. E vi na visão; e sucedeu que, quando vi, eu estava na cidadela de Susã, na província de Elão; vi, pois, na visão, que eu estava junto ao rio Ulai. E levantei os meus olhos, e vi, e eis que um carneiro estava diante do rio, o qual tinha dois chifres; e os dois chifres eram altos, mas um era mais alto do que o outro; e o mais alto subiu por último. Vi que o carneiro dava marradas para o ocidente, e para o norte e para o sul; e nenhum dos animais lhe podia resistir; nem havia quem pudesse livrar-se da sua mão; e ele fazia conforme a sua vontade, e se engrandecia. (Daniel 8.1-4)

O ano era 551 AC. Faltavam 16 anos para a queda de Babilônia para a coalisão Medo-Persa. Susã ficava a 370 quilômetros a leste de Babilônia, no Irã moderno, e se tornaria a capital do Império Persa. Tanto Daniel quanto Neemias viveram lá, bem como a Rainha Ester. Hoje é conhecida como Shush. Lá uma incomum pedra branca na forma de um cone marca o tradicional lugar de descanso de Daniel. Em adição aos Judeus Persas, muitos Muçulmanos Shiitas, que também reverenciam o profeta, visitam seu túmulo até hoje.

O Rei da Pérsia usava uma coroa de cabeça de carneiro em batalha, então o carneiro com dois chifres representa a Medo-Pérsia. O chifre maior que cresceu depois é o componente Persa da coalisão, que eventualmente se tornou dominante (O Anjo Gabriel confirmará a identidade dos dois animais para nós mais tarde no capítulo). Como notamos antes, a Media era o lar dos Kurdos de hoje, enquanto a Pérsia se tornou o Irã. Juntos esses dois conquistaram uma área que se estendia do Paquistão até o leste da Grécia para Oeste e até às praias dos mares Negro e Cáspio para o norte e a governaram por 200 anos, até cerca de 330 AC. Uma Estrada Real corria de Susã até Sardes na Turquia Ocidental, trazendo bens do Mediterrâne para a cidade capital.

E, estando eu considerando, eis que um bode vinha do ocidente sobre toda a terra, mas sem tocar no chão; e aquele bode tinha um chifre insigne entre os olhos. E dirigiu-se ao carneiro que tinha os dois chifres, ao qual eu tinha visto em pé diante do rio, e correu contra ele no ímpeto da sua força.E vi-o chegar perto do carneiro, enfurecido contra ele, e ferindo-o quebrou-lhe os dois chifres, pois não havia força no carneiro para lhe resistir, e o bode o lançou por terra, e o pisou aos pés; não houve quem pudesse livrar o carneiro da sua mão. E o bode se engrandeceu sobremaneira; mas, estando na sua maior força, aquele grande chifre foi quebrado; e no seu lugar subiram outros quatro também insignes, para os quatro ventos do céu. E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa. (Daniel 8.5-9)

O bode com um chifre era o símbolo de Felipe da Macedônia, pai de Alexandre o Grande. Os Persas havia humilhado Felipe e Alexandre construiu um grande exército para executar a vingança. Para unir as facções rivais da Europa Oriental contra os Persas, Alexandre inventou uma nova lingua, o Grego Comum,  para que pudessem todos conversar juntos e resolver suas diferenças reais e imaginárias. Não mostrando misericórdia pelos Persas, e derrotou totalmente o exércio de 200.000 homens de Dario III na Btalha de Guagamela, em 331 A, com somente 35.000 homens do seu lado. Ele tinha 22 anos de idade. Sete anos depois ele morreu em Babilônia deixando o império para ser dividido entre seus quatro generais, Cassandro (Macedônia e Grécia), Lisímaco (Trácia e Ásia Menor), Ptolomeu (Israel e Egito) e Seleuco (Síria, Líbano e Jordânia).

E de um deles saiu um chifre muito pequeno, o qual cresceu muito para o sul, e para o oriente, e para a terra formosa. E se engrandeceu até contra o exército do céu; e a alguns do exército, e das estrelas, lançou por terra, e os pisou. E se engrandeceu até contra o príncipe do exército; e por ele foi tirado o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi lançado por terra.

E um exército foi dado contra o sacrifício contínuo, por causa da transgressão; e lançou a verdade por terra, e o fez, e prosperou. Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados?

E ele me disse: "Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado". (Daniel 8.9-14)

Agora avançamos para 175 AC e para um descendente de Seleuco chamado Antíoco IV, chamado aqui de outro chifre, que deu a si mesmo o nome de Epifânio, ou O Divino. Até então o Império Selêucida crescera substancialmente e incluía Israel (A Terra Formosa) tomada dos descendentes de Ptolomeu. Antíoco Epifânio odiava os Judeus e jurou eliminar sua religião da face da terra. Ele quase conseguiu.

Fazendo com que o último Sumo Sacerdote legítimo de Israel, Onais III, fosse assassinado, ele começou a vender o cargo para quem pagasse mais, uma fonte de renda que mais tarde também os Romanos adotaram. Ele invadiu Israel e tomou o controle de Jerusalém e do Monte do Templo. Ele baniu a circuncisão, a escrita ou fala do Hebraico e a posse de escrituras Hebraicas, queimando todas as cópias que pode encontrar. Ele converteu o Templo em um centro de adoração pagã, erigindo lá uma estátua de Zeus (Júpiter) com sua própria face sobre ela, exigindo que os Judeus  a adorassem sob pena de morte. Ele degolou um porco em um altar sagrado e ordenou que os sacerdotes fizessem o mesmo.

Essa profanção do Templo o tornou impróprio para uso pelos Judeus. Ficou conhecida como Abominação da Desolação e detonou a Revolta Macabéia, uma bem sucedida guerrilha de 3 anos e meio liderada por Judas Macabeu (Judá o Martelo) para expulsar as forças de Antíoco de Israel e restaurar o Templo para a adoração. Por causa disso, Antíoco Epifânio se tornou o mais claro tipo do Anticristo, com a Revolta Macabéia sendo um modelo da Grande Tribulação. Por 1550 dias (2300 sacrifícios matinais e vespertinos) o santuário permaneceu desolado até que foi consagrado novamente em uma cerimônia celebrada hoje como a festa do Hanukkah.

A Interpretação da Visão

E aconteceu que, havendo eu, Daniel, tido a visão, procurei o significado, e eis que se apresen- tou diante de mim como que uma semelhança de homem. E ouvi uma voz de homem entre as margens do Ulai, a qual gritou, e disse: "Gabriel, dá a entender a este a visão".

E veio perto de onde eu estava; e, vindo ele, me amedrontei, e caí sobre o meu rosto; mas ele me disse: "Entende, filho do homem, porque esta visão acontecerá no fim do tempo".

E, estando ele falando comigo, caí adormecido com o rosto em terra; ele, porém, me tocou, e me fez estar em pé.

E disse: "Eis que te farei saber o que há de acontecer no último tempo da ira; pois isso pertence ao tempo determinado do fim. Aquele carneiro que viste com dois chifres são os reis da Média e da Pérsia, mas o bode peludo é o rei da Grécia; e o grande chifre que tinha entre os olhos é o primeiro rei; o ter sido quebrado, levantando-se quatro em lugar dele, significa que quatro reinos se levantarão da mesma nação, mas não com a força dele". (Daniel 8.15-22)

Agora o Anjo Gabriel vem para explicar para Daniel que irá expandir a visão para mostrar que haverá uma repetição desses eventos em uma escala muito maior no tempo do fim. Veremos que o "Pequeno Chifre" de Daniel 7.8 é o cumprimento dos tempos do fim do chamado "Outro Chifre" de Daniel 8.9, aquele que conhecemos como Antíoco Epifânio. Ele começa com a identificação do Carneiro e do Bode e descreve a distribuição do Reino de Alexandre para os seus quatro generais. Então ele segue direto para o "tempo da ira".

"Mas, no fim do seu reinado, quando acabarem os prevaricadores, se levantará um rei, feroz de semblante, e será entendido em adivinhações. E se fortalecerá o seu poder, mas não pela sua própria força; e destruirá maravilhosamente, e prosperará, e fará o que lhe aprouver; e destruirá os poderosos e o povo santo. E pelo seu entendimento também fará prosperar o engano na sua mão; e no seu coração se engrandecerá, e destruirá a muitos que vivem em segurança; e se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas sem mão será quebrado". (Daniel 8.23-25)

Remanescentes desses impérios permanecerão até o Fim dos Tempos, quando um Rei como Antíoco se levantará, mas este não estará agindo em sua própria força. Em Apocalipse 13.2 nos é dito que o Dragão lhe dará a sua força. E diferentemente de Antíoco, que sofreu uma derrota embraçosa nas mãos dos Romanos e foi forçado a sair do Egito em vergonha, esse rei será bem sucedido em tudo o que fizer e será admirado por todos. E vi uma das suas cabeças como ferida de morte, e a sua chaga mortal foi curada; e toda a terra se maravilhou após a besta. E adoraram o dragão que deu à besta o seu poder; e adoraram a besta, dizendo: Quem é semelhante à besta? Quem poderá batalhar contra ela? (Apocalipse 13.3-4)

Ele entrará em cena como um pacificador, mas terminará com a maior parte do mundo sob sua autoridade, até mesmo pensando em ir à guerra contra os exércitos do céu. Como seu predecessor, ele terá um ódio não natural contra os Judeus e tentará eliminá-los da face da terra. Ele também erigirá uma estátua no Lugar Santo (Apocalipse 13.15), chamando a si mesmo de Deus e exigindo adoração (2 Tessalonicenses 2.4). Mas o seu fim virá nas mãos dAquele que realmente é o Rei de toda a terra.

"E a visão da tarde e da manhã que foi falada, é verdadeira. Tu, porém, cerra a visão, porque se refere a dias muito distantes".

E eu, Daniel, enfraqueci, e estive enfermo alguns dias; então levantei-me e tratei do negócio do rei. E espantei-me acerca da visão, e não havia quem a entendesse. (Daniel 8.26-27)

Gabriel concluiu sua interpretação da visão indicando que as 2300 tardes e manhãs certamente virão, mas o cumprimento definitivo da visão é para os Tempos do Fim. Isso foi verificado pela história. A desolação do Templo por Antíoco Epifânio cumpriu a profecia das tardes e manhãs. Nenhum esquema de tempo como esse nos é dado em conexão com a Grande Tribulação, onde a vindoura Desolação da Abominação durará pelo menos 1260 dias e, como veremos no Capítulo 12, talvez mais.

Daniel 9

Agora são cerca de 13 anos mais tarde, em 538 AC. Daniel agora é um homem velho, provavelmente com 80 anos. Ele tem estado em Babilônia por quase 70 anos e aprendeu lendo o relato de Jeremias sobre a conquista de Babilônia que o período de cativeiro de Israel está quase terminando. Deus disse a Jeremias que levaria 70 anos, e Babilônia seria derrotada e os Israelitas libertados para reconstruirem sua terra (Jeremias 25.11-12). A razão para esse julgamento foi a insistência de Israel em adorar os falsos deuses de seus vizinhos pagãos. Sua duração de 70 anos veio do fato de que por 490 anos eles negligenciaram deixar sua terra descansar por um ano de cada sete como Deus ordenara em Levítico 25.1-7. O Sanhor havia sido paciente todo o tempo, mas finalmente os mandou para Babilônia para dar à terra os 70 anos de descanso que eles lhe deviam (2 Crônicas 36.21).

Um dia,enquanto orava confessando os pecados de Israel e lembrando Deus de Sua promessa de restaurá-los (Daniel 9.1-23), Daniel foi visitado novamente pelo Anjo Gabriel, que interrompeu sua oração para revelar mais do futuro de Israel, uma vez mais expandindo as visões do capítulo 7 e 8 com um resumo de 4 versos das coisas por vir.

Muitos acreditam que Daniel 9.24-27 é a mais importante passagem da profecia em toda a Escritura. Quase todos os enganos que encontrei ao estudar as várias interpretações da profecia dos Tempos do Fim podem ser traçados a uma má interpretação desta passagem. Vamos ler a coisa toda para enchergar a figura inteira e, então, dividí-la verso por verso.

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador. (Daniel 9.24-27)

Nenhuma profecia em toda a Escritura é tão crítica para o entendimento dos tempos do fim quanto estes quatro versos. Mas primeiro uns poucos esclarecimentos básicos, e então interpretaremos a passagem verso por verso. A palavra Hebraica traduzida como semana (ou sétimos) se refere a um período de sete anos, como nossa palavra década se refere a um período de dez anos. Ela literalmente significa "uma semana de anos". Assim, 70 semanas são 70 x 7 anos, ou 490 anos. Esse período é dividido em três partes, 7 semanas ou 49 anos, 62 semanas ou 434 anos e 1 semana ou 7 anos. Vamos começar.

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo (lugar) (Daniel 9.24).

Essas 6 coisas seriam alcançadas para o povo de Daniel (Israel) e para a sua Santa Cidade (Jerusalém) durante um período específico de 490 anos. Eu inseri a palavra "lugar" depois de Santíssimo no final do verso para esclarecer o fato de que se refere ao Templo Judeu em Jerusalém.

Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos (Daniel 9.25).

Aqui está uma profecia clara sobre o tempo da Primeira Vinda. Quando esta mensagem foi dada a Daniel pelo Anjo Gabriel, Jerusalem jazia em ruínas por quase 70 anos e os Judeus eram cativos em Babilônia. Contando afrente por 62 + 7 períodos de 7 anos cada, a partir de um futuro decreto dando aos Judeus permissão para restaurar e reconstruir Jerusalém, eles deveriam esperar o Messias. Isso é um total de 483 anos após o decreto ser dado.

Aqui é importante distinguir o decreto que libertou os Judeus de seu cativeiro daquele que lhes deu permissão para reconstruir Jerusalém.

Quando conquistou Babilônia em 535 AC, Ciro o Persaimediatamente libertou os Judeus. Isso havia sido profetizado 150 anos antes em Isaías 44.24-45.6 e se cumpriu em Esdras 1.1-4. Mas, de acordo com Neemias 2.1, o decreto para reconstruir Jerusalém foi dado no primeiro mês do 20° ano do seu reinado pelo Rei Artaxerxes da Pérsia (março de 445 AC em nosso calendário, cerca de 90 anos depois).

Exatamente 483 anos depois disso o Senhor Jesus entrou em Jerusalém sobre um jumento aos brados de "Hosanna", no único dia de Sua vida em que permitiu a Seus seguidores proclamá-Lo Rei de Israel, cumprindo a profecia de Daniel até mesmo quanto ao dia! O Hebraico de Dan 9.25 O chama de Messias o Príncipe, denotando o fato de que Ele vinha como o Ungido Filho do Rei e ainda não havia sido coroado Rei.

Em Lucas 19.41-45, Ele lembrou o povo da natureza específica dessa profecia. Ao se aproximar de Jerusalém e ver a cidade, Ele chorou sobre ela e disse, "Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados; e te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação" (Lucas 19.42-44). Ele os considerou responsáveis por saber.

Poucos dias depois Ele extendeu essa responsabilidade a nós. "Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda; Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes" (Mateus 24.15). É requirido também de nós entender Daniel 9 com referência à Grande Tribulação e a Segunda Vinda.

E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. (Daniel 9.26)

Primeiro vieram 7 semanas (49 anos) e então 62 semanas (434 anos) para um total de 69 semanas, ou 483 anos. No final do segundo período seu Messias seria executado (literalmente destruído ao fazer um concerto) não tendo recebido nada da honra, glória e bênçãos que as Escrituras Lhe prometeram, e o povo de um governante ainda por vir destruiria Jerusalém e o Templo. Os Israelitas seriam espalhados para longe e a paz escaparia ao mundo.

Todos nós sabemos que Jesus foi crucificado, estabelecendo um Novo Concerto no processo, e 35 anos depois os Romanos lançaram a tocha à cidade e ao Templo destruindo ambos. Os Judeus sobreviventes foram forçados a fugir por suas vidas e nos 2000 anos seguintes eu não creio que uma única geração tenha deixado de se envolver em uma guerra de algum tipo.

E então algo estranho aconteceu: O relógio do Céu parou. 69 das 70 semanas haviam passado e tudo o que fora profetizado que aconteceria durante aqueles 483 anos havia acontecido, mas ainda havia uma semana (7 anos) restantes. Há pistas no Antigo Testamento de que o relógio parou várias vezes antes na história de Israel, quando por uma razão ou outra eles estavam fora da terra. E no Novo Testamento também nos é dito que enquanto Deus está tratando com a Igreja, o tempo deixa de existir para Israel (Atos 15.13-18). Mas a mais clara indicação é que os eventos preditos em Daniel 9.27 simplesmente ainda não aconteceram.

E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador. (Daniel 9.27)

Aqui está a 70ª semana que falta, mas antes de tentarmos entedê-la vamos relembrar uma regra de gramática que nos ajudará a interpretar corretamente. A regra é esta: Os pronome se referem ao nome anterior mais próximo. "Ele", sendo um pronome pessoal, se refere à pessoa anterior mais próxima, neste caso "o príncipe que há de vir". Então um governante que virá de alguma parte do antigo Império Romano firmará um tratado de 7 anos com Israel que permitirá que eles reconstruam um Templo e restabeleção seu sistema de adoração do Antigo Concerto. 3 anos e meio depois ele violará esse tratado estabelecendo uma abominação que faz o Templo ficar desolado, pondo um fim à adoração deles. Essa abominação traz a ira de Deus sobre ele e ele será destruído. Este é o Pequeno Chifre de Daniel 7.8 e o cumprimento dos Tempos do Fim daquele chamado de "Outro Chifre" em Daniel 8.9, cumprido inicialmente por Antíoco Epifânio.

A forma mais óbvia para sabermos que essas coisas ainda não aconteceram é que o sistema de adoração Judaico do Antigo Concerto requer um Templo e não há um desde 70 AD quando os Romanos o destruíram.

Alguns dizem que esta profecia se cumpriu durante a destruição do Templo pelos Romanos em 70 AD, mas a maioria crê que ainda é para o futuro, parcialmente por causa do termo Abominação que Causa Desolação. Como Gabriel disse a Daniel, no tempo da ira haveria um segundo, maior cumprimento das profecias de suas visões do capítulo 8. Outro rei surgiria e repetiria as coisas que Antíoco fez, uma das quais seria se colocar no Templo e se declarar Deus, e exigir que o povo adore uma estátua sua.

Jesus disse que esse evento iniciaria a Grande Tribulação (Mateus 24.15-21), e Paulo disse que o Anticristo seria o que faria isso (2 Tessalpnicenses 2.4). As blasfêmias de Antíoco não foram especificamente repetidas quando os Romanos destruíram o Templo e não existiu outro Templo desde então. As similaridades entre esse evento futuro e o da história sendo tão óbvias, a maioria dos estudiosos está persuadida de que um aponta para o outro, já que nada nos anos entre os dois se encaixa tão completamente.

Breve e Muito Breve

Em seguida a uma guerra devastadora no Oriente Médio, um novo líder logo entrará em cena. Com grande carisma pessoal e um fim planejado para todas as guerras, ele cativará e controlará todo o mundo. Como todos os crentes terão recentemente desaparecido da terra, ele não terá dificuldade em persuadir a maioria dos habitantes restantes de que é o Messias prometido, o Príncipe da Paz. Ele os irá estarrecer e maravilhar com feitos de diplomacia e conquista, até mesmo realizando o sobrenatural. Mas quando ele declarar ser Deus, todo o inferno se soltará na terra e os 3 anos e meio dos tempos mais terríveis que a humanidade já conheceu ameaçarão sua própria existência.

Mas antes que sejam todos destruídos o verdadeiro Príncipe da Paz retornará e subjugará esse impostor. Ele estabelecerá Seu Reino na terra, um Reino que jamais será consquistado ou deixado para outro. Tendo dado Sua vida para por fim à transgressão, por fim ao pecado, para espiar a maldade e trazer justiça eterna, e tendo cumprido toda as visões e profecias bíblicas, Ele ungirá o Lugar Santíssimo e receberá toda a honra, gloria e bênçãos que as Escrituras Lhe prometeram. Israel finalmente terá seu Reino restaurado e viverá em paz com Deus em seu meio, e você e eu como a noiva do Cristo governaremos e reinaremos com Ele para sempre. Se ouvir com atenção, você quase pode ouvir os passos do Messias. 16-09-06