Os Tempos do Fim Segundo Isaías, Parte 1

Estudo Bíblico por Jack Kelley - www.gracethrufaith.com

Apesar de ter escrito durante o período de 740 a 700 AC, Isaías é o profeta mas frequentemente citado no Novo Testamento. Ele foi profeta do Reino do Sul no mesmo período de Oséas, Amós e Miquéias. Isaías era da tribo de Judá e, de acordo com a tradição Rabínica, era parente próximo de vários Reis. Ele era parte da classe aristocrática e deve ter crescido no palácio do Rei em Jerusalém. Frequentemente chamado de o maior dos escritos proféticos de Israel, o livro de Isaías somente é excedido em tamanho por Salmos e (por bem pouco) Jeremias. Como a Bíblia tem 66 livros, Isaías tem 66 capítulos. Os primeiros 39 deles, igual ao número de livros do Antigo Testamento, falam de julgamento. Os últimos 27, o número de livros do Novo Testamento, focam na reconcialiação e redenção. É verdade que a divisão em capítulos não aconteceu até muito depois mas é interessante que até em sua forma o livro de Isaías é um modelo de toda a Palavra de Deus.

A mudança repentina no tema fez com que alguns teólogos liberais atribuirem os últimos 27 capítulos, às vezes chamados de Livro do Conforto, a um autor desconhecido que eles chamam de Deutero-Isaías. O fato de que a última parte do livro contem muito mais no sentido de profecias específicas os ajuda a identificar essa dupla autoria, pelo menos para eles. Isto porque a teologia liberal presupoe a impossibilidade da profecia preditiva, e portanto Isaías não poderia ter conhecimento do futuro. Mas o Senhor Jesus estava sob a impressão de que Isaías escreveu todo o livro. Em João 12:38-41 ele citou trechos de ambas as partes de Isaías (53:1 primeiro e então 6:10) atribuindo-os ao mesmo autor. Se você precisa de opiniões que confirmem, o historiador Judeu Josefo pensava assim também, e a Cristandade Evangélica apoia maciçamente a autoria única do livro.

O engraçado é que não somente Isaías escreveu todo o livro, mas muitos estudiosos crêem que várias de suas passagens proféticas tenham um duplo cumprimento em mente. O primeiro culminaria no cativeiro Babilônico, que ocorreu 100 anos mais tarde, enquanto o segundo seria para o final dos tempos.

A tradição sustenta que após uma longa carreira como um dos profetas de Israel, Isaías estava tão irado com o Rei Manassés, com quem era aparentado, que o rei malvado fez com que fosse serrado ao meio. Isto é indicado em Hebreus 11:36-38, parte de uma passagem que fala do perigo que se enfrenta sendo um homem de Deus. A passagem diz:

E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões. Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados (dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra.

Da última vez em que fiz um estudo Bíblico sobre Isaías nos encontrávamos uma vez por semana durante 2 horas e demorou um ano para completá-lo. Neste estudo consideraremos somente aquelas partes do Livro de Isaías que claramente se relacionam com os Tempos do Fim, o que incluirá as mais descritivas passagens relacionadas à Era do Reino de Israel que se pode encontrar em toda a Escritura. Talvez desta forma seja necessário menos tempo. Vamos começar.

Após começar com uma litania de 17 versos pelos pecados de Israel, o Senhor fez Isaías apelar ao povo por uma discussão racional de suas alternativas.

"Vinde, pois, e arrazoemos", diz o SENHOR: "ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã. Se quiserdes, e me ouvirdes, comereis o bem desta terra; mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; pois a boca do Senhor o disse." (Isaías 1:18-20)

A escolha é clara. Obedeçam volunntariosamente e sejam abençoados, ou resistam e se rebelem e sejam devorados. Esta escolha foi oferecida a eles antes da conquista Babilônica e está sendo oferecida agora.

Nos tempos da Antiga Aliança, dois bodes eram trazidos perante o Sumo Sacerdote no Yom Kippur. Um era uma aferta pacífica e o outro era o bode espiatório. Quando o Sumo Sacerdote simbolicamente transferia os pecados do povo para o bode espiatório, uma fita escarlate era amarrada do chifre do bode a uma porta do Templo. Quando o Sumo Sacerdote terminava a fita era cortada e o bode espiatório era levado para fora da cidade deserto a dentro onde era empurrado de um penhasco. No momento da morte do bode a porção da fita que permanecera amarrada à porta do Templo mudava de escarlate para branco em cumprimento de Isaías 1:18 "Ainda que os vossos pecados são como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que são vermelhos como o carmesim, tornar-se-ão como a lã". Este era o sinal de que o Senhor aceitara a oferta pelo pecado e a oferta pacífica podia ser feita. A nação estaria em paz com Deus por mais um ano.

Depois da crucificação, a cerimônia do Yom Kippur foi repetida todos os anos até que o Templo foi destruído, mas a fita jamais mudou de cor novamente. O Senhor era tanto o nosso bode espiatório quanto nossa oferta pacífica e cumprira a profecia do Yom Kippur em Sua morte. Ele tirou os nossos pecados (João 1:29) e Ele é a nossa paz (Efésios 2:14). A sombra dera lugar à realidade (Hebreus 10:1) e não tinha mais efeito.

Como se fez prostituta a cidade fiel! Ela que estava cheia de retidão! A justiça habitava nela, mas agora homicidas. A tua prata tornou-se em escórias, o teu vinho se misturou com água. Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva. (Isaías 1:21-23)

Estes versos poderiam ter sido tirados de manchetes atuais, já que o Primeiro Ministro de Israel está sendo retirado do cargo por sua corrupção. Ele é acusado de roubar dinheiro, aceitar propinas e receber presentes inapropriadamente.

Portanto diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, o Forte de Israel: "Ah! tomarei satisfações dos meus adversários, e vingar-me-ei dos meus inimigos. E voltarei contra ti a minha mão, e purificarei inteiramente as tuas escórias; e tirar-te-ei toda a impureza. E te restituirei os teus juízes, como foram dantes; e os teus conselheiros, como antigamente; e então te chamarão cidade de justiça, cidade fiel". Sião será remida com juízo, e os que voltam para ela com justiça. (Isaías 1:24-27)

A Grande Tribulação é comparada ao fogo de um refinador em Zacarias 13:9 onde todas as impurezas de Israel serão removidas e o remanescente feito puro. Em uma refinaria, ouro e prata são aquecidos pelo fogo até o ponto de fusão. As impurezas, chamadas escória, flutuam para o topo e são retiradas deixando somente a mais pura forma so metal precioso.

Mas os transgressores e os pecadores serão juntamente destruídos; e os que deixarem o SENHOR serão consumidos. "Porque vos envergonhareis pelos carvalhos que cobiçastes, e sereis confundidos pelos jardins que escolhestes. Porque sereis como o carvalho, ao qual caem as folhas, e como o jardim que não tem água. E o forte se tornará em estopa, e a sua obra em faísca; e ambos arderão juntamente, e não haverá quem os apague." (Isaías 1:28-31)

Eis aqui um dos muitos lugares onde o Senhor deixa claro que não são nossas obras que nos salvarão, não importa quão grandiosas. Obras não realizadas na força do Senhor são como a escória que flutua no topo, reveladas pelo fogo. Paulo descreve nossas obras queimando no fogo em 1 Cor. 3:10-15, mas por causa da cruz nossa salvação não estará em perigo, como foi no Antigo Testamento. Então, conquanto nossas obras possam ser queimadas, nós mesmos escaparemos. Nos dias de Isaías as religiões pagãs eram praticadas em bosques e jardins. Uma diferença hoje é que frequentemente existe um belo edifício no lugar.

Como é normalmente o caso, em Isaías as profecias de juízo contem um relance da restauração. E assim o capítulo 2 começa com o seguinte:

PALAVRA que viu Isaías, filho de Amós, a respeito de Judá e de Jerusalém. E acontecerá nos últimos dias que se firmará o monte da casa do Senhor no cume dos montes, e se elevará por cima dos outeiros; e concorrerão a ele todas as nações.

E irão muitos povos, e dirão: "Vinde, subamos ao monte do Senhor, à casa do Deus de Jacó, para que nos ensine os seus caminhos, e andemos nas suas veredas"; porque de Sião sairá a lei, e de Jerusalém a palavra do Senhor.

E ele julgará entre as nações, e repreenderá a muitos povos; e estes converterão as suas espadas em enxadões e as suas lanças em foices; uma nação não levantará espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerrear. Vinde, ó casa de Jacó, e andemos na luz do Senhor. (Isaías 2:1-5)

A palavra monte é usada simbolicamente aqui referindo-se a governos, como em Daniel 2:35. Quando a Era do Reino começar, Israel será o único super-poder sobre a Terra. Todos os outros governos nacionais serão subordinados, criando um governo único mundial, sediado em Israel, com o Rei Jesus à sua frente. Todo o mundo estará sujeito às leis de Deus e o Rei Messias será a autoridade final em sua administração. Salmos 2:9 diz que Ele reinará com cetro de ferro, e não tolerará divergência.

Numa reversão da chamada à guerra de Joel (Joel 3:9-11) em suas profecias da Grande Tribulação, Isaías faz uma chamada à paz durante o Milênio, dizendo que o Messias resolverá disputas entre nações tornando a guerra desnecessária. Elas transformarão suas espadas em enxadões e suas lanças em foices. Nação não levantará a espada contra nação, nem farão mais treinamentos para a guerra. Este verso está entalhado sobre a entrda do edifício das Nações Unidas em Nova Yorque. Quando o Messias vier a ONU desaparecerá, mas a promessa de Deus permanecerá e finalmente se realizará.

O Templo que Isaías menciona aqui é aquele tão cuidadosamente descrito em Ezequiel 40-46. De Ezequiel aprendemos que o Templo propriamente dito estará situado alguns quilômetros ao norte de Jerusalém, e em Zacarias 14:4 vemos que o atual Monte do Templo desaparecerá em um terremoto que dividirá o Monte das Oliveiras ao meio. O vale criado pelo terremoto se extenderá desde o Mar Mediterrâneo até o Mar Morto. Água potável surgirá sob o Templo para encher o vale, trazendo vida à região que tem sido um deserto árido desde o julgamento de Sodoma e Gomorra (Ezequiel 47).

Mas antes que aqueles dias possam chegar, o mundo precisa primeiro suportar o pior tempo de tribulação jamais testemunhado sobre a Terra (Mateus 24:21). A primeira descriçao de Isaías começa no capítulo 2 verso 6 e se extende até o final do capítulo 3. Começaremos lá na próxima vez e antes de terminarmos, você concordará que quase podemos ouvir os passos do Messias. 03-01-09.