Os Tempos do Fim Segundo Isaías, Parte 3

Estudo Bíblico por Jack Kelley - www.gracethrufaith.com

A próxima visão que Isaías nos dá dos tempos do Fim é encontrada nos capítulos 11-12 e diz respeito ao Messias.

Isaías 11, O Ramo de Jessé
PORQUE brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raizes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de
conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor. (Isaías 11:1-2)

Não saberíamos disto senão olhando para o passado, mas Isaías está predizendo que a linhagem real de Davi, da qual todos os Reis de Israel vieram, seria cortada como uma árvore, ficaria dormente e então seria restaurada. O processo começaria cerca de 150 anos depois que Isaías escreveu isto, quando o Senhor pronunciou uma maldição de sangue sobre a linhagem Davídica, dizendo que jamais esses filhos de Davi reinariam novamente sobre Israel (Jeremias 22:28-30). A linhagem enfraqueceria, como o rebento de uma árvore cortada. Durante todo o cativeiro Babilônico e por 500 anos depois, não houve Rei sobre Israel. Então, um dia um rebento brotaria, um Ramo que frutificaria. Como Jessé era o pai de Davi e Davi não era o ramo, esta é uma referência ao Messias, o último Filho de Davi.

Há tanta coisa aqui, e temos que gastar tempo para compreender. Primeiro o uso da palavra Ramo. Note que ela está capitalizada, significando que se refere a uma pessoa. Existem quatro referências ao Messias como o Ramo, e cada uma delas carrega um modificador especial. Jeremias 23:5 fala de um  Renovo justo, um Rei. Zacarias menciona "o meu servo, o Renovo" (Zac. 3:8) e "o homem cujo nome é Renovo" (Zac. 6:12). Finalmente, em uma oicasião anterior, vimos o Ramo do Senhor em Isaías 4:2.

Creio que foi Clarence Larkin quem primeiro descobriu que esses modificadores estavam prefigurados nas quatro insígnias que identificavam os acampamentos de Israel, quatro grupos de três tribos cada. Eles estavam localizados ao redor do tabernáculo no deserto nos qutro pontos cardeais. Nessas insígnias a figura de um leão representava o Rei Justo, como um touro representava o servo, sendo o touro um animal de servidão, a face de um homem é auto-explicativa e a águia representava Deus.

Mas tem mais. As representações desses três modificadores também são reveladas como as quatro faces do Querubim em Apocalipse 4. E elas representam os temas dominantes dos quatro evangelhos também. Mateus escreveu aos Judeus procalmando Jesus como o Messias de Israel, o Leão de Judá. Marcos O mostrou como o obediente servo de Deus, Lucas O retratou como o Filho do Homem e em João Ele é o Filho de Deus.

Está bastante claro que Ramo é um título Messiânico. O ramo de Jessé é o Messias, nascido da Tribo de Judá na linhagem Davídica.

Eu Prometo
Mas há algo ainda mais fascinante acontecendo aqui. Lembre-se, Deus prometeu a Davi que alguém de sua família reinaria sobre Israel para sempre. Davi quis construir a casa de Deus, mas Deus recusou, dizendo que precisava de um homem de paz e Davi era um homem de guerra. Então Deus escolheu o filho de Davi, Salomão, para construir o Templo e, durante o reinado de Salomão, Israel experimentou paz como nunca antes (ou desde então). Quanto a Davi, Deus prometeu construir-lhe uma "casa", tornando eterna sua dinastia  (1 Crônicas 17:1-14). Daquele momento em diante um descendente de Davi através do ramo de Salomão na árvore da família se assentaria no trono em Jerusalém como Rei de Israel.

Mas no tempo do cativeiro Babilônico, esses reis se tornaram tão vis e rebeldes para com Deus que Ele finalmente disse, "Basta", e amaldiçoou a linhagem real, dizendo que nenhum filho deles jamais reinaria sobre Israel novamente (Jer. 22:28-30). O último Rei legítimo de Israel foi Jeoaquim, também chamado Jeconias, que reinou somente por 3 meses em 598 AC. Estava Deus quebrando Sua promessa a Davi?

Ao anunciar o Messias vindouro, o anjo Gabriel prometeu a Maria que seu filho se assentaria no trono de Davi, o primeiro a fazê-lo desde que a maldição fora pronunciada, e quando Ele o fizesse seria para sempre (Lucas 1:32-33). Mas, e quanto à amaldiçoada linhagem de Davi? Como poderia Deus prometer tal coisa a Maria?

Eis Como
Se você comparar as 2 genealogias de Jesus em Mateus 1:1-17 e Lucas 3:23-38, descobrirá que Maria e José eram ambos da tribo de Judá e descendentes de Davi. José descendia através de Salomão, a amaldiçoada linhagem real, enquanto a genealogia de Maria corre através do irmão de Salomão, Natã. Na verdade, José e Maria eram primos, apesar de muitíssimo distantes.

Maria não tinha irmãos, assim, a fim de mater a terra de sua família na herança tribal, de acordo com a Lei, ela teve que casar-se com alguém também descendente de Davi (Números 36:1-13). José se encaixava no esquema e, estando na linhagem real, tinha direito ao trono, mas carregava a maldição de sangue. Nenhum filho biológico dele jamais se qualificaria legalmente como rei de Israel, mas José poderia assegurar o direito de Maria a herdar a terra de seu pai.

Quando Maria aceitou a oferta de casamento de José, ela também legitimou o direito do seu filho não nascido ao trono de Israel. Seu casamento colocou Jesus na sucessão real como o filho legal de José, como Lucas mostrou em sua genealogia (Lucas 3:23), mas permitiu que Ele escapasse da maldição, já que não era filho biológico de José. Mas lembre-se, Ele era descendente biológico de Davi através de Sua mãe e, portanto, da "casa e linhagem de Davi". Isto O tornou o único homem sobre a Terra desde 600AC com um direito legal ao torno de Davi. Foi preciso um nascimento virginal para isso, mas Deus manteve sua promessa tanto a Davi quanto a Maria. O trono de Davi será ocupado para sempre, pelo filho de Maria.

E finalmente, no verso 2, vemos os sete lados do Espírito de Deus, uma construção do Antigo Testamento sobre o Espírito Santo, que veio habitar em Jesus no momento do Seu batismo (Mat. 3:16) e deu poder para todos os Seus milagres. Isto era necessário porque a missão do Senhor exigia que Ele vivesse a Sua vida somente na força do homem. A fim de redimir a descendência perdida de Adão, Ele teria que ser o parente de Adão. É por isso que Lucas, que retratou Jesus como o filho do homem, traçou Sua genealogia até Adão.

E deleitar-se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos. Mas julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com eqüidade aos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio, e a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins. (Isaías 11:3-5)

O alarmante contraste entre o Cordeiro de Deus e o Leão de Judá é evidente. Salmos 2:8-9 confirma que Ele regerá as nações com cetro de ferro. Apocalipse 19:15 concorda e soma que Ele destruirá as nações com a palavra de Sua boca.

E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi. E brincará a criança de peito sobre a toca da áspide, e a desmamada colocará a sua mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar. (Isaías 11:6-9)

Assim que a era Messiânica começar, a paz será sua característica mais marcante. Na primeira parte vemos que no Reino Messiânico uma nação não mais tomará armas contra outra nação. Agora vemos que a paz milenar se extenderá ao reino animal também. Em um momento futuro veremos que a própria criação se lançará em cantos de alegria.

E acontecerá naquele dia que a raiz de Jessé, a qual estará posta por estandarte dos povos, será buscada pelos gentios; e o lugar do seu repouso será glorioso.E há de ser que naquele dia o Senhor tornará a pôr a sua mão para adquirir outra vez o remanescente do seu povo, que for deixado, da Assíria, e do Egito, e de Patros, e da Etiópia, e de Elã, e de Sinar, e de Hamate, e das ilhas do mar.

E levantará um estandarte entre as nações, e ajuntará os desterrados de Israel, e os dispersos de Judá congregará desde os quatro confins da terra.E afastar-se-á a inveja de Efraim, e os adversários de Judá serão desarraigados; Efraim não invejará a Judá, e Judá não oprimirá a Efraim. (Isaías 11:10-13)

A primeira reunião da nação ocorreu após o cativeiro Babilônico. A segunda, começou oficialmente em 1948, continua até hoje e será completada depois da Batalha de Ezequiel 38. Então saberão que eu sou o Senhor seu Deus, vendo que eu os fiz ir em cativeiro entre os gentios, e os ajuntarei para voltarem a sua terra, e não mais deixarei lá nenhum deles (Ezequiel 39:28). Depois de 2000 anos, o povo de Deus terá voltado da Diáspora para casa e será um único Reino novamente pela primeira vez desde 900 AC.

Antes voarão sobre os ombros dos filisteus ao ocidente; juntos despojarão aos do oriente; em Edom e Moabe porão as suas mãos, e os filhos de Amom lhes obedecerão. E o Senhor destruirá totalmente a língua do mar do Egito, e moverá a sua mão contra o rio com a força do seu vento e, ferindo-o, dividi-lo-á em sete correntes e fará que por ele passem com sapatos secos. E haverá caminho plano para o remanescente do seu povo, que for deixado da Assíria, como sucedeu a Israel no dia em que subiu da terra do Egito. (Isaías 11:14-16)

O capítulo 11 encerra com mais uma promessa de que à medida que o fim dos tempos se aproximar o povo que hoje nós erroneamente chamamos de Filisteus deixará de ser um problema para o povo de Deus por causa de conquista. Israel tomará posse deles e os colocará sob jugo. Estes versos possivelmente se referem a Salmos 83, que é possivelmente o próximo evento no calendário profético.

O mar do Egito é o Mar Vermelho e o seu golfo pode ser o golfo de Acaba ou o Golfo de Eilat, as duas "orelhas de coelho" na sua ponta norte. O poderoso Eufrates, tradicional fronteira entre o Leste e o Oeste, se transformará em sete correntes. A auto-estrada para os remanescentes da Assíra completa a idéia de que nenhuma fronteira natural evitará que o povo de Deus venha para a Sua Santa Cidade.

Isaías 12, Canções de Louvor
E DIRÁS naquele dia: Graças te dou, ó Senhor, porque, ainda que te iraste contra mim, a tua ira se retirou, e tu me consolas. Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei, e não temerei, porque o Senhor Deus é a minha força e o meu cântico, e se tornou a minha salvação.

E vós com alegria tirareis águas das fontes da salvação. E direis naquele dia: Dai graças ao Senhor, invocai o seu nome, fazei notório os seus feitos entre os povos, contai quão excelso é o seu nome. Cantai ao Senhor, porque fez coisas grandiosas; saiba-se isto em toda a terra.Exulta e jubila, ó habitante de Sião, porque grande é o Santo de Israel no meio de ti. (Isaías 12:1-6)

No passado. quando Israel estava na terra e em paz com Deus, todo o mundo se admirava com a inacreditável bênção que acompanhava um relacionamento de aliança com nosso Criador. Faz muito, muito tempo que isso aconteceu, mas enfim o povo de Deus será um com Ele novamente, e novamente o mundo todo será abençoado. Mais na próxima vez. 17-01-09