A Natureza da Salvação Pós-Igreja

Um Estudo Bíblico por Jack Kelley - http://www.gracethrufaith.com/

E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo. (Mat 24:12-13)

No debate sobre a cronologia do Arrebatamento, um ponto é frequentemente passado por alto. E esse ponto é que os termos e condições para a salvação durante a Grande Tribulação são vastamente diferentes daqueles durante a Era da Igreja e, portanto, não poderiam ser dirigidos ao mesmo grupo. Em ambos os casos a salvação é pela fé somente, mas é aí que as similaridades terminam. Isto apresenta outro argumento para os crentes da Era da Igreja serem tirados antes que a Grande Tribulação comece.

Eis o limite da natureza da salvação durante a Era da Igreja. Efésios 1:13-14 diz “E vós também fostes incluídos em Cristo quando ouviram a palavra da verdade, o evangelho da salvação. Tendo crido, fostes marcados com um selo, a promessa do Espírito Santo, que é um depósito grantindo nossa herança até a redenção daqueles que são a possessão de Deus - para honra da Sua glória." (tradução livre da versão NKJV) Note a palavra “garantindo”. Antes que tivéssemos a chance de fazer qualquer coisa, nosso destino foi selado. Fomos salvos pelo que cremos, não por como nos comportamos.

João 6:39 diz “E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia.” Note a palavra “nenhum”.

João 10:27-30 diz “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; e dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um.” Note a palavra “ninguém”.

Romanos 8:38-39 diz “Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o presente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.” Note as palavras “nem alguma outra criatura”.

Todas essas passagens prometem que nós que somos salvos durante a Era da Igreja nunca teremos que pensar sobre a segurança da nossa posição com o Senhor. Existem outros versos que apoiam isto. Estes são simplesmente alguns dos mais claros.

O Que Acontece Então?
De acordo com 2 Tes. 2:7, O Anticristo, também conhecido como homem da iniquidade ou filho da perdição, não pode ser revelado para iniciar a Grande Tribulação até que o “que resiste” seja tirado do caminho ou, literalmente, tirado do meio. Várias identidades foram proposts para esse que resiste; o Estado Romano, o Estado Judeu, o princípio da Lei e do Governo, e outros partindo principalmente da reconhecida necessidade do homem por certos padrões comportamentais em sociedades organizadas. Mas para muitos estudiosos o melhor caso pode ser feito pela visão de que é realmente o Espírito Santo contido na Igreja que está resistindo ao mal no mundo.

Quando a Igreja desaparecer, a influência restritora do Espírito Santo será removida do mundo e o Anticristo será revelado para fazer o seu pior. Existem precedentes históricos para a remoção do Espírito Santo antes de um grande juízo. Você pode interpretar Gêneses 6:3 para mostrar que Deus removeu a influência do Seu Espírito dentre os homens antes do Dilúvio também. Interessantemente, Ele removeu Enoque, um fascinante tipo da Igreja, antes do Dilúvio também (Gêneses 5: 24), mas essa é outra história.

O ponto aqui é que a promessa de um Espírito Santo selado que garante nosso destino eterno é unicamente dada à Igreja. Nenhum crente do Antigo Testamento teve tal relacionamento. Até mesmo o Rei Davi, um homem segundo o coração do próprio Deus, orou para que Deus não retirasse o Espírito Santo dele depois do seu pecado com Bate-Seba (Salmos 51:11). Aos crentes do Antigo Testamento não foi prometido que o Espírito de Deus seria selado dentro deles como garantia do seu destino. Nem consigo encontrar um único verso que faça tal promessa aos crentes da Tribulação. Parece que a Segurança Eterna começa e termina com a Igreja.

Depois de sermos arrebatados, não precisaremos mais que o Espírito Santo esteja selado dentro de nós, já que o evento que a Sua presença garantia terá ocorrido. Então, durante a 70ª semana de Daniel, o Espírito Santo, tendo sido liberado da Igreja, retomará Seu ministério sobre a terra de forma similar ao que desempenhou nos tempos do Antigo Testamento. Uma vez mais Ele virá sobre as pessoas, e estará com elas, mas não será selado dentro delas.

De Onde Você Tirou Essa Vestimenta?
A salvação para os crentes da Tribulação é explicada em versos como este: Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado aquele que vigia, e guarda as suas roupas, para que não ande nu, e não se vejam as suas vergonhas. (Apo. 16:15)

Se está familiarizado com a referência simbólica a roupas, você sabe o que este verso significa. Se não, vamos revisá-lo. Isaías 61:10 diz, Regozijar-me-ei muito no Senhor, a minha alma se alegrará no meu Deus; porque me vestiu de roupas de salvação, cobriu-me com o manto de justiça, como um noivo se adorna com turbante sacerdotal, e como a noiva que se enfeita com as suas jóias. Assim como as roupas provêem cobertura física, a justiça provê cobertura espiritual. Deus nos vestiu com roupas de salvação e com um manto de justiça.

Veja Zacariaa 3:3-4. Na visão de Zacarias, Josué, o Sumo Sacerdote, está diante do anjo do Senhor, obviamente Jesus. Josué, vestido de vestes sujas, estava diante do anjo. Então respondeu, aos que estavam diante dele, dizendo: "Tirai-lhe estas vestes sujas".
E a Josué disse: "Eis que tenho feito com que passe de ti a tua iniqüidade, e te vestirei de vestes finas".
Remover suas roupsa sujas simbolizava tirar seus pecados. Colocar vestes suntuosas sobre ele o tornou justo.

Apo 19:8 nos diz que à Noiva foram dados a vestir vestidos de linho fino brilhates e limpos e que o linho fino signiica sua justiça. Mas novamente, os vestidos não eram dela. Foram-lhe dados.

Esse uso simbólico das roupas é todo o assunto da parábola da festa das bodas (Mat 22:1-14). O Rei (Deus) preparou uma festa de bodas (Era do Reino) para seu filho (Jesus) e enviou seus servos (profetas) para invormar aos convidados (Israel) que tudo estava pronto. Depois de primeiramente ignorar seu convite, eles finalmente se lançaram sobre os servos que ele enviara e os mataram.

Irado, o Rei enviou seus exércitos e queimou sua cidade (Jerusalém). Então ele enviou seus servos para encontrar qualquer um que eles pudessem e convidá-los para o banquete. Os servos reuniram todos os que puderam encontrar (gentios) e o banqete começou. Quando o Rei entrou, notou um homem que não estava vestido com vestes nupciais. Quando o homem não teve desculpas para sua vestimenta imprópria, ele foi lançado fora nas trevas.

No contexto da parábola as veste nupciais representam a justiça com a qual Deus nos veste quando aceitamos o Seu convite para entrar no Seu Reino (2 Cor. 5:21) O convidado que tentara ser admitido usando suas próprias roupas (em sua própria justiça)The guest trying to gain admittance wearing his own clothes (in his own righteousness) foi achado imerecedor e excluído.

Qual o Significado Disso?
De tudo isso podemos assumir seguramente que o Senhor não está falando de vestes literais em Apo. 16:15, mas das vestes espirituais que representam salvação e justiça. Ao invés de ter salvação garantida para os crentes da Tribulação e assumir a responsabilidade por sua segurança como um pastor por suas ovelhas, Ele os adverte a ficar acordados e alertas para que não sejam pegos nús quando Ele vier. Esta é uma advertência de que manter a salvação é a responsabilidade deles e se não forem cuidadosos podem perdê-la. Esta advertência é dada às portas do Juízo das Taças, o último e mais devastador ciclo da Ira de Deus.

Temos outra pista disso no verso que citei no começo deste artigo. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Mas aquele que perseverar até ao fim será salvo (Mat 24:12-13). Ao listar os sinais indicando que o Fim dos Tempos chegou, o Senhor fez alusão ao fato de que os crentes da Tribulação terão que ficar firmes até o fim para assegurar sua salvação.

A mais clara indicação da exposição dos crentes da Tribulação é encontrada na Parábola das 10 Virgens (Mat. 25:1-13). A cronologia dessa parábola é identificada como logo em seguida à 2ª Vinda. (Referências de tempo de Mat. 24:29, 30, 36, E 25:1 deixam isto claro.) As 10 virgens estão todas esperando o Noivo (Jesus) retornar. No começo, todas elas têm tanto lâmpadas quanto óleo. Quando o óleo é usado simbolicamente, sempre se refere ao Espírito Santo. As cinco que ficaram sem óleo simbolizam os crentes da Tribulação que deixam sua fé escorregar por não permanecerem espiritualmente acordados e alertas. No final elas acordam, descobrem seu perigo e correm tentando renovar sua fé. Enquanto elas estão lutando para conseguir voltar para um relacionamento correto com Jesus, Ele retorna e a porta da salvação é fechada para elas. Para sempre.

Quantas Noivas Há?
Alguns tentam transformar esta em uma parábola sobre a Igreja, sempre simbolizada por uma noiva. Existe uma conexão entre virgem e noiva devido ao fato de que naqueles dias as noivas eram quase sempre virgens. Mas a palavra Grega significa simplesmente “alguém que nunca teve intercurso sexual”. E quando usada com a Igreja a palavra está sempre no singular, tal como em 2 Cor 11:2. “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo.”

Por toda a parábola, nenhuma noiva é jamais mencionada e certamente não poderia ser excluída por seu esposo do banquete nupcial, uma refeição, a propósito, que se segue à cerimônica matrimonial. Então, a cronologia, a gramática e o contexto testificam contra interpretar esta parábola como uma advertência à Igreja. As 10 virgens representam sobreviventes da Tribulação tentando conseguir entrada no Reino Messiânico, ou Milênio. Alguns mantiveram a sua fé e foram recepcionados. Outros não e lhes foi recusada a admissão

A parábola termina com uma advertência, “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir” (Mat 25:13). Esta advertência é dada três vezes no decorrer de 23 versos, todos lidando diretamente com o tempo da Sua vinda. Os crentes da Tribulação precisam se manter alertas a todo tempo e guardar a sua posição com cuidado. Será necessária uma grande quantidade de fé para sustentar alguém através daquela hora e cada crente é responsável por manter forte a sua própria fé.

Alguns tentam dizer que já que o Senhor os advertiu sobre o dia e a hora serem desconhecidos, Ele tem que estar falando sobre o Arrebatamento. Afinal, as pessoas não saberão contar 1260 dias da Abominação da Desolação até a 2ª Vinda? Acontece que isso não é muito fácil. A Grande Tribulação durará 1260 dias, é verdade, e imediatamente depois o sol escurecerá, a lua não dará a sua luz e as estrelas cairão do céu (Mat. 24:29). Este será o sinal de que a Grande Tribulação terminou.

Em seguida o sinal do Filho do Homem aparecerá no céu. A palavra Grega para sinal significa que um símbolo ou sinal aparecerá alertando as pessoas de que um evento está para acontecer. Algum tempo depois de o sinal aparecer, as pessoas O verão vindo nas nuvens. Então, há uma seqüência de eventos que acontecerão, um em seguida do outro. Mas não nos é dita a duração de nenhum deles. Imagine o suspense que se criará na Terra, saber que o Fim chegou mas não saber exatamente quando o Senhor na verdade voltará. Pelos sinais, eles saberão que Ele está às portas, mas não saberão o dia ou a hora.

Pessoalmente, eu acho que as 10 virgens representam pessoas sobre a Terra que despertarão quando virem o sinal, e saberão que o Noivo está vindo. É quando alguns deles perceberão que sua fé escorregou e começarão freneticamente a tentar se preparar. Mas então, Ele vem antes que estejam prontos e já é tarde demais.

Qual é O Ponto?
Parece claro então que a salvação no período pós-igreja será uma situação muito mais tênue do que a que desfrutamos, desprovida de quaisquer garantias e requerendo grande responsabilidade pessoal em face de juízos devastadores e perseguição incessante. Ainda que a evidência da existência de Deus seja abundante nos juízos que regularmente sacodem a Terra até às suas fundações, manter a fé durante esse tempo não será tarefa fácil. Essa percepção dá grande significância à promessa do Senhor aos crentes da Era da Igreja. “Benditos os que não viram e ainda assim creram.”

O tempo é curto. Se você tem evitado fazer aquela rendição final da sua vontade à dEle, melhor fazê-lo agora. Acredite em mim, Você não vai querer arriscar a alternativa. 02-09-2006