As 70 Semanas de Daniel

Um Estudo Bíblico por Jack Kelley - www.gracethrufaith.com

Muitos crêem que Daniel 9.24-27 é a mais importante passagem da profecia em toda a Bíblia. Quase todos os enganos com que me deparei ao estudar as várias interpretações da Profecia do Tempo do Fim podem ser devidos a um mal entendimento desta passagem.

Antes de mergulhar nela, vamos voltar um pouco e rever o contexto. Daniel era um homem velho, provavelmente com oitenta anos. Ele havia estado em Babilônia por quase 70 anos e sabia, por ter lido o recém publicado rolo dos escritos de Jeremias (especificamente a parte que conhecemos como Jeremias 25.8-11) que o cativeiro de 70 anos que Deus tinha ordenado para Israel estava por terminar. A razão desse julgamento foi a insistência de Israel em adorar os falsos deuses de seus vizinhos pagãos. Sua duração de 70 anos veio do fato de que por 490 anos eles negligenciaram deixar sua terra de cultivo descansar por um de cada sete anos, como Deus ordenara em Levítico 25.1-7. O Senhor havia sido paciente por todo esse tempo, mas finalmente os mandou para Babilônia para dar à terra os 70 anos de descanço que eles lhe deviam (2 Cron 36.21).

O começo de Daniel 9 documenta a oração de Daniel, relembrando o Senhor que o tempo de 70 anos de punição estava quase terminado e pedindo por misericórdia em favor de seu povo. Antes de poder terminar sua oração, o anjo Gabriel apareceu para ele e falou as palavras que conhecemos como Daniel 9.24-27. Vamos ler a coisa toda para ter uma visão geral e separar verso por verso.

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo. Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos. E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações. E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador (Daniel 9.24-27).

Nenhuma profecia nas Escrituras é mais crítica para o nosso entendimento dos tempos do fim do que esses quatro versos. Uns poucos esclarecimentos são necessários primeiro, então interpretaremos a passagem verso por verso. A palavra hebraica traduzida por semanas (ou sétimos) refere a um período de sete anos, como nossa palavra década refere-se a um período de 0 anos. Ela significa literalmente “uma semana de anos”. Então, 70 semanas são 70 x 7 anos, ou 490 anos. Esse período é dividido em três partes, 7 semanas, ou 49 anos, 62 semanas, ou 434 anos, e uma semana, ou sete anos. Vamos começar.

Setenta semanas estão determinadas sobre o teu povo, e sobre a tua santa cidade, para cessar a transgressão, e para dar fim aos pecados, e para expiar a iniqüidade, e trazer a justiça eterna, e selar a visão e a profecia, e para ungir o Santíssimo (lugar) (9.24).

Essas 6 coisas seriam alcançadas para o povo de Daniel (Israel) e para sua Santa Cidade (Jerusalém) durante um período específico de 490 anos. Eu inseri a palavra “lugar” após Santíssimo, no final do verso, para esclarecer o fato de que isso se refere ao Templo Judeu em Jerusalém.

Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas; as ruas e o muro se reedificarão, mas em tempos angustiosos (9.25).

Eis uma profecia clara sobre a cronologia da Primeira Vinda. Quando esta mensagem foi dada a Daniel pelo anjo Gabriel, Jerusalém tinha estado em ruínas por quase 70 anos e o Judeus estavam cativos em Babilônia. Contando para a frente por 62 + 7 períodos de 7 anos cada, de um futuro decreto dando aos judeus a permissão para a restaurar e reconstruir Jerusalém, eles deveriam esperar o Messias. Isso dá um total de 483 anos.

Aqui é importante distinguir o decreto que libertou os judeus de seu cativeiro daquele que lhes deu permissão para reconstruir Jerusalém.

Quando conquistou Babilônia em 535 AC, Ciro o Persa imediatamente libertou os judeus. Isso havia sido profetizado 150 anos antes em Isaías 44.24-45.6 e se cumpriu em Esdras 1.1-4. Mas, de acordo com Neemias 2.1, o decreto para reconstruir Jerusalém foi dado no primeiro mês do 2ª anos de seu reino pelo Rei Artaxerxes da Pérsia (Março de 445 AC em nosso calendário, cerca de 90 anos depois). Exatamente 483 anos depois disso, o Senhor Jesus andou em Jerusalém, montado em um burro, aos brados de “Hosanna”, no único dia de Sua vida em que permitiu aos Seus seguidores proclamarem-No Rei de Israel, cumprindo a profecia de Daniel até quanto ao dia! O hebraico de 9.25 O chama de Prnícipe Messias, denotando o fato de que Ele vinha como o Filho Ungido do Rei e ainda não havia sido Ele mesmo coroado Rei.

Em Lucas 19.41-45, Ele lembrou o povo da natureza específica desta profecia. Enquanto se aproximava de Jerusalém e viu a cidade, ele chorou sobre ela e disse, “Ah! se tu conhecesses também, ao menos neste teu dia, o que à tua paz pertence! Mas agora isto está encoberto aos teus olhos. Porque dias virão sobre ti, em que os teus inimigos te cercarão de trincheiras, e te sitiarão, e te estreitarão de todos os lados; E te derrubarão, a ti e aos teus filhos que dentro de ti estiverem, e não deixarão em ti pedra sobre pedra, pois que não conheceste o tempo da tua visitação.” Ele os considerou responsáveis por conhecer Daniel 9.24-27.

Poucos dias depois, Ele estendeu essa responsabilidade a nós. “Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda; Então, os que estiverem na Judéia, fujam para os montes” (Mat 24.15-16). A nós também é exigido entender Daniel 9.

E depois das sessenta e duas semanas será cortado o Messias, mas não para si mesmo; e o povo do príncipe, que há de vir, destruirá a cidade e o santuário, e o seu fim será com uma inundação; e até ao fim haverá guerra; estão determinadas as assolações (9.26).

Primeiro vieram 7 semanas (49 anos) e então 62 semanas (434 anos) num total de 69 semanas ou 483 anos. No final desse período seu Messias seria executado (literalmente destruído ao fazer um concerto) não tendo recebido nada da honra, glória e benção que as Escrituras Lhe prometeram, e o povo de um governante por vir destruiria Jerusalém e o Templo. Os Israelitas seriam espalhados e a paz fugiria ao mundo.

Todos sabemos que Jesus foi crucificado, estabeleceu o Novo Concerto no processo, e 35 anos mais tarde os romanos lançaram a tocha na cidade e no Templo, destruindo a ambos. Os judeus sobreviventes foram forçados a fugir por suas vidas e, nos 2000 anos seguintes, creio que nenhuma geração escapou de se envolver em uma guerra de algum tipo.

Então algo estranho aconteceu: O Relógio do Céu parou. 69 das 70 semanas tinham passado e tudo o que foi profetizado para acontecer durante esses 483 anos havia passado, mas ainda havia uma semana (7 anos) faltando. Há pistas no Antigo Testamento de que o relógio parou várias vezes antes na história de Israel, quando por uma razão ou outra, eles estavam fora da terra. E no Novo Testamento também nos são dadas pistas de que, enquanto Deus está lidando com a Igreja, o tempo deixa de existir para Israel (Atos 15.13-18). Mas a indicação mais clara é que os eventos preditos em Daniel 9.27 simplesmente ainda não ocorreram.

E ele firmará aliança com muitos por uma semana; e na metade da semana fará cessar o sacrifício e a oblação; e sobre a asa das abominações virá o assolador, e isso até à consumação; e o que está determinado será derramado sobre o assolador (9.27).

Aqui está a 70ª semana que faltava, mas antes de tentarmos entendê-la, vamos relembrar uma regra de gramática que ajudará a tornar a nossa interpretação correta. A regra é esta: Os pronomes se referem ao nome anterior mais próximo. Sendo “Ele” um pronome pessoal, refere-se à pessoa anterior mais próxima, neste caso o “príncipe que há de vir”. Então um governante que virá do meio do Antigo Império Romano (União Européia?) firmará um tratado de 7 anos com Israel que lhes permite construir um Templo e restabelecer seu sistema de adoração do Antigo Concerto. 3 anos e meio depois, ele violará esse tratado estabelecendo uma abominação que faz o Templo ficar desolado, pondo um fim à adoração deles. Essa abominação traz a ira de Deus abaixo sobre ele e ele será destruído.

A maneira mais óbvia pela qual podemos saber que essas coisas ainda não aconteceram é que o sistema judaico de adoração do Antigo Concerto requer um Templo e não existe um desde 70 AD, quando os romanos o destruíram.

Alguns dizem que esta profecia se cumpriu durante a destruição romana, mas a maioria acredita que ela ainda é futura, parcialmente causa do termo Abominação que causa Desolação (ou Abominação da Desolação). Ele é um insulto específico a Deus que aconteceu somente uma vez antes. Antíoco Epifânio, um poderoso rei sírio, havia atacado Jerusalém e entrado na área do Templo em 168 AC. Lá ele sacrificou um porco no altar do Templo e erigiu uma estátua do deus grego Zeus com sua própria face no Lugar Santo. Ele então exigiu que todos a adorassem sob pena de morte. Isso tornou o Templo inadequado para adorar a Deus e irritou tanto os judeus que eles se revoltaram e derrotaram os Sírios. Esse evento está registrado na história judaica (1º Macabeus) onde é chamado de Abominação que causa Desolação. Uma limpeza subseqüente do Templo é celebrada até hoje na Festa do Hanukkah.

Paulo nos advertiu de que nos últimos dias um líder mundial se tornaria tão poderoso que exaltaria a si mesmo acima de tudo que é chamado deus ou é adorado e entrará no Templo se auto proclamando Deus (2 Tes 2.4). Em Apo 13.14-15 nos é dito que ele terá erigida uma estátua de si mesmo e exigirá que todos a adorem sob pena de morte. Em Mat 24.15-21 Jesus diz que a Abominação da Desolação mencionada por Daniel dará início à Grande Tribulação, um período de tempo com 3 anos e meio de duração, que coincide com a última metade da 70ª semana de Daniel. Sendo as similaridades entre esse evento futuro e aquele da história tão óbvias, a maioria dos eruditos são persuadidos que um aponta para o outro, já que nada nos anos intermediários se encaixa tão completamente.

Breve e Muito Breve

Talvez devido à devastadora Guerra no Oriente Médio, um novo líder em breve surgirá em cena. Com grande carisma pessoal e um plano para terminar todas as guerras, ele cativará e controlará o mundo. Uma vez que todos os crentes terão recentemente desaparecido da terra, ele não terá dificuldade em persuadir a maioria dos habitantes remanescentes de que ele é o Messias prometido, o Príncipe da Paz. Ele irá pasmar e assombrar a todos com feitos de diplomacia e conquista, até mesmo fazendo coisas sobrenaturais.

Mas quando ele declare ser Deus, todo o inferno será liberado na terra e 3 anos e meio dos mais terríveis tempos que a humanidade já conheceu ameaçarão sua própria existência. Mas antes que eles sejam todos destruídos, o verdadeiro Príncipe da Paz retornará e derrotará seu impostor. Ele estabelecerá seu reino na terra, um reino que nunca será destruído nem deixado para outro.

Tendo dado Sua vida para acabar com a transgressão, por um fim ao pecado, expiar a maldade e trazer eterna retidão, e tendo cumprido todas as visões e profecias bíblicas, Ele ungirá o Lugar Santíssimo e receberá toda a honra, glória e bênção que as Escrituras Lhe prometeram. Israel finalmente terá seu Reino restaurado e viverá em paz com Deus em seu meio, e você e eu, como a noiva do Cristo, governaremos e reinaremos com Ele para sempre. Você quase pode ouvir os passos do Messias.