Os Tempos do Fim Segundo Jesus - Parte 3

Um Estudo Bíblico por Jack Kelley – www.gracethrufaith.com

“Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai. E, como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do homem. Porquanto, assim como, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam, bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, E não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra” (Mat 24.36-41).

Não deixe esta passagem confundi-lo como fez com tantos outros. Note que a primeira sentença diz: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe”. Muitas pessoas sobre a terra no Fim dos Tempos saberão quando o Senhor deverá retornar. Lembre-se, tanto o evento inicial quanto a duração da Grande Tribulação estão clara e inconfundivelmente descritos. No dia em que o anticristo se colocar no Templo e declarar que é Deus, eles terão apenas que contar 1260 dias e olhar para o céu. Primeiro eles verão o sol e a lua ficarem escuros e as estrelas caírem do céu (Mat 24.29). Esse é o sinal de que a Grande Tribulação terminou. Então o sinal do Senhor aparecerá no céu (Mat 24.30). E, finalmente, eles verão o próprio Senhor vindo nas nuvens com poder e glória. Mas o período de tempo necessário para que essa seqüência se desdobre está além da imaginação de qualquer um, e isso é o que esta passagem diz.

Também o senhor comparou o tempo de seu retorno ao tempo de Noé, assim devemos esperar encontrar circunstâncias similares conduzindo a esses dois eventos. E encontramos. Ambos envolvem os julgamentos globais que ocorrem num tempo em que a maioria das pessoas são pegas desprevenias. Embora em ambos os casos os povos da terra sejam avisados repetidamente do que está por vir, esses avisos são ignorados por quase todos. No caso da grande inundação, o julgamento veio em forma de chuva, que caiu na terra por 40 dias e 40 noites. No caso da Grande Tribulação 21 eventos distintos do julgamento se desdobram por um período de 3 anos e meio. É por isso que, embora somente 8 pessoas sobreviveram à inundação, o senhor advertiu que a Grande Tribulação seria o pior período de julgamento na história humana.

É aqui onde a segunda pista de um corpo de crentes no céu esperando Seu retorno aparece, e este é ainda mais vago do que primeiro, em Mat 24.31. Você vê, a grande inundação e a Grande Tribulação têm três componentes; julgamento, preservação através do julgamento, e escape do julgamento. Nos dias de Noé, os descrentes foram julgados, a família de Noé foi preservada através do julgamento, e Enoque escapou dele completamente. No Fim dos Tempos, os descrentes serão julgados, o remanescente de Israel será preservado através do julgamento, e a igreja escapará do julgamento. Assim se você estiver procurando uma pista do arrebatamento nos Dias de Noé, olhe para Enoque, que aconteceu de ter nascido e ser tomado ao céu na mesma data do nascimento da Igreja, Pentecostes.

Agora vamos considerar as palavras “tomado” e “deixado” em Mat. 24.40-41 um pouco mais de perto. A palavra grega traduzida como tomado significa literalmente recebido, e a que foi traduzida como deixado significa posto de lado. Referem-se à disposição daqueles que permanecerem vivos na terra quando o Senhor retornar, os Sobreviventes da Tribulação. Aqueles que se tornaram rentes serão recebido no Reino, e aqueles que não se tornaram serão postos de lado no lugar preparado para o diabo e seus anjos. As pessoas que tentam encontrar o arrebatamento da igreja nestas palavras estão olhando simplesmente no lugar errado.

“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que vigília da noite havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Por isso, estai vós apercebidos também; porque o Filho do homem há de vir à hora em que não penseis” (Mat 24.42-44).

Esta advertência é dada primeiramente àqueles Sobreviventes da Tribulação que não são crentes. Como eu indiquei acima, uma vez que a Grande Tribulação comece, todos os crentes na terra saberão quando terminará. A seqüência de eventos que seguem está também clara. A única coisa que não saberão é o dia e a hora exatos da Sua vinda.

Não, este aviso é para o indeciso, que não estão considerando as profecias que estão sendo cumpridas à sua volta, e não se dão conta de que se hesitarem por muito tempo serão pegos de surpresa e perderão sua última possibilidade de salvação. Não me entenda mal, eles estarão demasiado cientes das rupturas maciças em suas vidas causadas pelos julgamentos dos Tempos do Fim. Apenas não compreenderão o que está por trás disso tudo. Lembre-se, confusão e engano serão a ordem do dia.

Pense na analogia do ladrão. Como Senhor retorna inesperadamente (como um ladrão) que estará entrando em um lugar que o inimigo pensa pertencer a ele e a seus seguidores. “Cujo fim é a perdição; cujo Deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas. Mas a nossa cidade está nos céus, de onde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo” (Fil 3.19 - 20). Ele não estará vindo como um ladrão na noite no que concerne aos crentes, entrando secretamente em seu mundo. Eles estarão observando ansiosamente e esperando impacientemente, contando os dias, orando por sua vinda, ansiando para que Ele os leve para casa para Estar com Ele para sempre.

“Quem é, pois, o servo fiel e prudente, que o seu senhor constituiu sobre a sua casa, para dar o sustento a seu tempo? Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, quando vier, achar servindo assim. Em verdade vos digo que o porá sobre todos os seus bens. Mas se aquele mau servo disser no seu coração: O meu senhor tarde virá; E começar a espancar os seus conservos, e a comer e a beber com os ébrios, Virá o senhor daquele servo num dia em que o não espera, e à hora em que ele não sabe, E separá-lo-á, e destinará a sua parte com os hipócritas; ali haverá pranto e ranger de dentes” (Mat 24.45-51).

A pior punição é reservada para aqueles na liderança, cabeças das religiões organizadas que, em vez de “alimentar” seus rebanhos com o Pão da Vida e de incentivá-los com a promessa de Seu retorno, os confundem e iludem com doutrinas falsas, e negam a validez da palavra profética de Deus. Por suas ações demonstram a depravação de suas próprias almas, mostrando-se destituídos do Espírito Santo e dignos de punição. Conscientemente ou não, são espiões do acampamento do inimigo, como joio no meio do trigo.

Tendo renegado a verdade já não esperam o retorno do Senhor, ignorando o cumprimento óbvio da profecia à sua vota e ridicularizando aqueles cuja fé como de uma criança os sustenta. Estes “Ateus Cristãos” como às vezes eles se chamam, são piores do que o inimigo porque se parecem e falam como amigos. São como os que João descreve como parecendo ter a autoridade do Cordeiro mas que falam as palavras do Dragão (Apo 13.11). Serão também designados ao lugar preparado para o diabo e seus anjos.

Mas o Senhor eleva a um lugar de autoridade em Seu Reino aqueles que mantêm a palavra de Deus através da intensa dificuldade e perseguição daqueles tempos, e ensinam a sã doutrina aos rebanhos confiados a eles. Assim como alguns vivos entre o povo comum quando o Senhor retornar serão recebidos no Reino com honras, enquanto outros serão postos de lado na vergonha e desgraça eternas, assim será com seus líderes.

No capítulo 25, Mateus reconta duais parábolas, as Dez Virgens e os Talentos, e um aviso aos Sobreviventes da Tribulação, o julgamento das Ovelhas e dos Bodes. Em todos os três a ênfase está em separar o fiel do infiel seguindo o retorno do Senhor. Os fiéis serão recebidos com honras em Seu Reino, enquanto os infiéis serão deixados de fora para serem julgados. Já que os três incluem uma referência ao tempo que os coloca na seqüência da Sua 2ª vinda, o capítulo inteiro se desenvolve na declaração de “tomado e deixado” de Mat 24.40-41.

Já que há tanta confusão, vamos deixar isto perfeitamente claro. De todos os pontos de vista da cronologia do Arrebatamento da Igreja, nenhuma a coloca após a 2ª vinda. Mas veja como esse período é indicado claramente em cada porção de Mat. 25. Voltando um pouco para estabelecer a ordem, nós lemos:

E, logo depois da aflição daqueles dias,” sinais no céu após o final da Grande Tribulação. (Mat 24.29)

Então” Seu aparecimento no céu após o final da Grande Tribulação. (Mat 24.30)

Mas daquele dia e hora ninguém sabe,” o dia da 2ª Vinda, após a Tribulação (Mat 24.36)

ENTÃO” conectando a parábola das dez virgens à 2ª Vinda (Mat 25.1)

Porque isto é também como” se referindo à mesma época no começo da parábola dos talentos (Mat 25.14)

E quando o Filho do homem vier em sua glória,” iniciando o julgamento das Ovelhas e dos Bodes que descreve o julgamento dos Sobreviventes da Tribulação após a 2ª Vinda (Mat 25.31)

Como você vê, todos ocorrem cronologicamente após a Tribulação e a 2ª Vinda, e todos descrevem a situação na terra em seguida ao retorno do Senhor. Conseqüentemente nenhum deles pode ser usado para descrever o arrebatamento ou qualquer aspecto da igreja. A Era da Igreja termina com o arrebatamento e este ocorre antes da 2ª Vinda. (Eu escrevi comentários sobre cada uma dessas passagens e as conectei no final deste artigo.)

Está claro que as únicas perguntas que o Senhor respondeu no Sermão do Monte são as três que os discípulos fizeram. “Quando estas coisas acontecerão? Qual será o sinal da Tua vinda e do fim dos tempos?” Tendo escolhido postergar o anúncio do Arrebatamento da Igreja até quase 20 anos após Sua Ressurreição, o Senhor nem o ensinou a seus discípulos nem, como vimos, o mencionou no Sermão do Monte. Não, o Sermão do Monte foi um resumo da Escatologia Judaica dado aos Judeus em Israel, antes do nascimento da Igreja, e apenas vagamente sugere sua existência.

Assim ao chegar ao fim de nosso comentário nos é deixada uma grande pergunta não respondida. Por que o Senhor não ensinou algo tão importante quanto a Doutrina do Arrebatamento para seus discípulos? Obviamente há uma boa razão e eu a explicarei da próxima vez. Dessa forma manteremos algo pretendido exclusivamente para a igreja separado desta passagem verdadeiramente Judaica da Escritura, que chamamos de Sermão do Monte. Nesse meio-tempo, se você escutar com atenção, você quase pode ouvir os passos do Messias.