Israel sinaliza mudança sobre divisão de Jerusalém - www.news.yahoo.com

Por KARIN LAUB, Associated Press
Segunda, 8 de outubro 18:10 ET

JERUSALÉM – Dois políticos Israelenses de alto escalão, incluindo o aliado mais próximo do primeiro ministro, falaram abertamente na segunda-feira sobre a divisão de Jerusalém, sinalizando uma possível mudança na opinião dos Israelenses sobre um dos assuntos mais contenciosos do Oriente Médio.

A disputa por Jerusalém descarrilou negociações no passado, e os últimos comentários chegam num momento em que equipes Israelenses e Palestinas estão tentando entrar em acordo sobre princípios que conduzirão futuras negociações de paz.

As idéias levantadas pelo vice Premier Haim Ramon ainda ficam muito aquém das exigências Palestinas de estabelecer sua capital em todo o setor oriental da cidade, anexada por Israel após a guerra de 1967.

O Primeiro Ministro Israelense Ehud Olmert, enquanto isso, disse ao parlamento que não será dissuadido de buscar um acordo de paz com os Palestinos. Ele disse que Israel perdeu oportunidades no passado, e advertiu que a falha continuada significaria um “esforço demográfico ensopado em sangue e lágrimas”.

Olmert estava estranhamente apaixonado, mas economizou nos detalhes. Ele não fez menção de Jerusalém.

Mais tarde na segunda-feira, equipes Israelenses e Palestinas se encontraram pela primeira vez para começar a esboçar uma declaração conjunta de princípios que guiariam os negociadores caso as negociações de paz se retomassem após um congelamento de sete anos.

O auxiliar de Abbas, Yasser Abed Rabbo, disse depois que nenhum resultado poderia ter sido esperado da primeira reunião, mas ele esperava que um documento significativo surgisse.

O documento, que deve atacar as disputas chave – fronteiras, Jerusalém, acampamentos Israelenses, refugiados Palestinos – será o centro de uma conferência sobre o Oriente Médio ciceroneada pelos E.U.A em Novembro.

A fala de Olmert pareceu ser um cauteloso ato equilibrado – enviar uma mensagem de encorajamento aos Palestinos sem, no entanto, dar a seus críticos de linha dura em casa muita munição entrando em detalhes.

Seu tema central foi uma apelo para não perder uma oportunidade para alcançar um há muito evasivo acordo de paz, mesmo que isso requeira concessões custosas. Olmert disse que os Israelenses terão que desistir de algumas das crenças que “alimentaram a filosofia nacional por muitos anos”, uma referência a desistir das terras da Orla Ocidental.

Olmert louvou Mahmoud Abbas, com quem se encontrou seis vezes desde a primavera, como um parceiro confiável, mas ao mesmo tempo retratou o presidente Palestino, conhecido como Abu Mazen, como fraco. “Eu sei que a falha entre as honestas e justas intenções de Abu Mazen e (Primeiro Ministro Palestino) Salam Fayyad, e sua habilidade de traduzir isso em realidade é problemática e levanta preocupações”, disse Olmert.

Olmert foi interrompido ocasionalmente, mas as interrupções foram suaves para o permissivo parlamento Israelense. “É Jerusalém um sonho?” gritou o parlamentar Reuven Rivlin quando Olmert, um ex-prefeito de Jerusalém, disse ao parlamento que os Israelenses teriam que desistir de alguns de seus sonhos e aspirações nacionais.

Não ficou claro se Olmert pode reunir o apoio político para forçar um acordo de paz. Sua popularidade caiu fortemente após a guerra contra as guerrilhas do Hezbollah no Líbano no verão passado, e é alvo de várias investigações de corrupção.

Na terça-feira, ele será questionado pela polícia sobre as alegações de que interferiu na venda de um banco pelo governo quando servia como um ministro de Gabinete. Um indiciamento o forçaria a se demitir.

Os oficiais Palestinos permaneceram for a dos debates internos de Israel na segunda-feira, inclusive a respeito de Jerusalém.

O conselheiro de Abbas, Nabil Abu Rdeneh, discordou da referência de Olmert à suposta fraqueza de Abbas. “Esperamos que essas alegações não se destinem a colocar obstáculos no caminho das negociações entre Israel e Palestina que começaram hoje”, disse Abu Rdeneh.

Na segunda-feira de manhã, o aliado mais próximo de Olmert, Ramon, levantou a hipótese da possível divisão de Jerusalém em entrevistas nas duas principais estações de rádio.

Mais tarde, Avigdor Lieberman, o líder do Beitenu, partido Israelense de linha dura, um membro da colisão de Olmert, disse em uma conferência de imprensa que está pronto para abrir mão de algumas vizinhanças Árabes da cidade.

As propostas de Ramon e Lieberman ficariam muito aquém da exigência Palestina de estabelecer sua capital em todo o setor oriental da cidade anexado por Israel. A parte oriental contém a Cidade Velha, lar dos principais santuários para Judeus, Muçulmanos e Cristãos.

Ainda, o debate público foi notável. Ramon sugeriu que tem havido uma mudança no consenso Israelense, notando que os três principais partidos na colisão de Olmert são todos favoráveis à divisão e discordam somente sobre onde a linha deveria ser traçada.

Líderes Israelenses propuseram possíveis soluções para a cidade no passado. O ex Primeiro Ministro Ehud Barak foi duramente criticado por aventar a idéia de divisão nas fracassadas negociações de 2000.

Ramon disse que sob o seu plano, Israel não entregaria a Cidade Velha e áreas vizinhas – conhecidas como a “bacia santa” – mas falou de um arranjo especial na Cidade Velha. Ele não deu detalhes, mas o termo sugeriria menos do que total soberania Israelense no local.