Maioria dos Israelenses diz não à divisão de Jerusalém

Por Yana Dlugy
Terça-feira 9 de outubro 7:25 ET

JERUSALÉM (AFP) – A maioria dos Israelenses se opõe à divisão de Jerusalém com os Palestinos como parte de um acordo final de paz, disse uma pesquisa de opinião na terça-feira, após um ministro Israelense iniciar um tumulto ao sugerir a idéia.

Ao serem perguntados se Israel deveria concordar com “qualquer tipo de concessão sobre Jerusalém” como parte de um acordo final para por fim a décadas de conflito no Oriente Médio, 63 por cento disse não, de acordo com a pesquisa no jornal Yediot Aharonot.

Sessenta e oito por cento se opõem à transferência de vizinhanças Árabes na Jerusalém oriental ocupada ao controle Palestino e 61 por cento disseram que somente Israel deveria ter soberania sobre os locais santos da Cidade Velha, reverenciados pelas três principais religiões monoteístas do mundo.

A pesquisa foi liberada um dia após Haim Ramon, um premier assistente e aliado próximo do Primeiro Ministro Ehud Olmert, iniciou uma controvérsia ao dizer que Israel deveria fazer concessões sobre o status do que considera sua “eterna e indivisível” capital.

“É do interesse de Israel tratar do assunto de Jerusalém nas negociações”, disse Ramon antes de uma conferência de paz patrocinada pelos EUA esperada para Novembro em Annapolis, Maryland.

“Se alcançarmos um acordo com os Palestinos, o mundo Árabe e a comunidade internacional de acordo com o qual os bairros Judeus de Jerusalém serão reconhecidos como a capital de Israel e os bairros Árabes como parte da capital Árabe, seria esse um mal negócio?”

Israel capturou a Jerusalém oriental Árabe, incluindo a Cidade Velha com seus locais sagrados para o Cristianismo, o Islã e o Judaísmo, da Jordânia durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, e mais tarde a anexou.

Em 1980, o parlamento Israelense, o Knesset, passou uma lei proclamando-a a “reunificada e eterna capital de Israel”, mas suas afirmações não são reconhecidas pela comunidade internacional.

A questão da Cidade Santa – que os Palestinos querem como a capital de seu prometido estado – é um dos mais sensíveis e difíceis no conflito do Oriente Médio.

Ramon foi levemente criticado por membros superiores da colisão de Olmert por quebrar um dos mais fortes tabus de Israel.

“A questão da divisão de Jerusalém é um bem inalienável do estado de Israel. Os Refugiados Palestinos não serão devolvidos a Israel e Jerusalém não será dividida”, disse o Ministro dos Transportes Shaul Mofaz, um ex-chefe de gabinete e membro do partido centrista Kadima de Ramon, a uma rádio pública.

A proposta de Ramon “causa danos em nível de segurança e também em nível internacional”.

E Eli Yishai, do partido ultra-ortodoxo Shas que é também um membro da coalisão de Olmert, disse à AFP que: “É claro, Jerusalém não está na agenda das negociações”.

Olmert foi interrompido várias vezes durante seu discurso no Knesset na segunda-feira, com parlamentares de oposição direitistas acusando-o de entregar o mais sagrado local do Judaísmo – o Monte do Templo na Cidade Velha, que é o terceiro local mais sagrado do Islã conhecido como Al-Haram Al-Sharif.