Palestinos se tornarão cidadãos da Jordânia?

Por Aaron Klein

www.worldnetdaily.com

23/11/2007

Novo plano pede o desmantelamento dos 'campos de refugiados' e o fim do governo de Abbas.

JERUSALÉM - Enquanto a comunidade internacional engrena as marchas para a conferência de Annapolis patrocinada pelos EUA na próxima semana com vias a delinear um estado Palestino, uma nova iniciativa diplomática que propõe cidadania Jordaniana para os Palestinos tem estado recebendo apoio aqui a partir de todo o espectro político.

Chamado de Iniciativa Israelense, o plano alternativo busca o fim do amplo suporte para a Autoridade Palestina, desmantelar o que é denominado campos de refugiados Palestinos e fazer a Jordânia conceder cidadania aos Árabes que permanecerem na Margem Ocidenta, enquanto os Judeus de lá mantêm sua cidadania Israelense. Israel estenderia sua soberania sobre toda a Margem Ocidental.

"As ações dos governos Israelenses para estabelecer um estado Palestino não produziram paz, mas uma poça de sangue", disse o membro do Knesset, Benny Elon, o fundador da Iniciativa.

"É hora de um novo pensamento, de aprender com nossos erros e de reler o mapa regiona em direção a uma revitalizada e genuína busca para alcançar paz", disse Elon, que é o presidente do partido da União Nacional e membro do Comitê de Assuntos Estrangeiros e Defesa do Knesset.

O plano de Elon pede que sejam dados pacotes de reabilitação para milhões de Palestino que vivem em 59 campos mantidos pela ONU e a opção de se mudar para países externos participantes, onde agências trabalhariam para ajudar nas soluções de reassentamento, emprego e moradia.

Os Palestinos que desejassem permanecer na Margem Ocidental se tornaiam cidadãos Joranianos que poderiam ficar no território - controlado por Israel - enquanto o reino Jordaniano serviria como seu corpo representativo.

A Jordânia ainda tem que reagir oficialmente ao plano. O país anteriormente ocupou a Margem Ocidental e seções orientais de Jerusalém durante quase vinte anos até que a área foi recapturada por Israel durante a Guerra dos Seis Dias em 1967. A monarquia Jordaniana continuou a conceder status de cidadania para os Palestinos da Margem Ocidental até o final dos anos 1980, quando os Palestinos lançaram sua primeira intifada.

A Iniciativa Israelense cita diversas recentes pesquisas independentes, tanto Israelenses quanto Palestinas, que mostram que os Palestinos que vivem nos campos da ONU aceitariam compensação e emigração para outros países.

De acordo com uma pesquisa de 2004, cerca de 50% da sociedade Palestina não descartaria a opção de se mudar permanentemente para outros países se tivessem a capacidade e os meios para realocar. Essa pesquisa foi conduzida pela Ma'agar Mochot, uma importante agência de pesquisas Israelense, em cooperação com o Centro Palestino de Opinião Pública.

Duas outras pesquisas este ano conduzidas por universidades palestinas também mostraram forte apoio Palestino para reconstruir suas vidas em outro país.

Elon disse que os pacotes de reabilitação seriam pagos pela comunidade internacional.

Declara o plano: "Bilhões de dólares são gastos anualmente no conflito Israel-Palestina. Isto inclui dólares Americanos derramados na corrida armamentista regional e imensas somas de dinheiro Europeu transferidas para as contas a Autoridade Palestina ... Os EUA, a Europa e Israel, juntamente com os países Árabes produtores de petróleo, podem financiar diretamente um programa que forneceria total e generosa reabilitação aos refugiados."

A Iniciativa Israelense pede a desintegração da Autoridade Palestina, com as armas sendo coletadas ou tomadas das milícias armadas, e o progressivo desmantelamento dos campos de refugiados da ONU.

O plano está em direto contraste com as iniciativas agendadas para serem anunciadas na conferência da próxima semana em Annapolis, na qual é amplamente esperado que o Primeiro Ministro Ehud Olmert delineie um estado Palestino na maior parte da Margem Ocidental, definitivamente entregando o território estratégico para a organização Fatah do Presidente da Autoridade Palestina Mahmoud Abbas.

Anteriormente, nesta semana, o WND citou negociadores chefes Palestinos declarando que Olmert concordara em princípio em permitir que um número de Árabes Palestinos que vivem nos campos da ONU entrem em Israel como parte de um acordo entre Israel e Palestina.

Os Palestinos há muito exigem o "direito de retorno" de "refugiados", uma fórmula que oficiais Israelense em todo o espectro político advertem ser um código para a destruição de Israel pela inundação do estado Judeu com milhares de Árabes, mudando, assim, sua demografia.

Permitir que qualquer número de assim chamados refugiados Palestinos entre em Israel serviria como uma admição por parte de Israel que milhões de Palestinos vivendo nos campos mantidos pela ONU são realmente refugiados e têm um direito legítimo de viver em Israel.

Quando os países Árabes atacaram o estado Judeu spós sua criação em 1948, cerca de 725.000 Árabes que viviam dentro das fronteiras de Israel fugiram ou foram expulsos da área que se tornou Israel. Também naquele tempo, cerca de 820.000 Judeus foram expulsos de países Árabes ou fugiram em seguida a uma perseguição galopante.

Enquanto a maior parte dos refugiados Judeus foi absorvida por Israel e outros países, a maioria dos Árabes Palestinos tem sido mantida em 59 campos administrados pela ONU que não busca assentar esses Árabes em outro lugar.

Existem atualmente 4 milhões de Árabes que pedem status de refugiados junto à ONU, inclusive filhos e netos dos Árabes fugitivos originais, Árabes que vivem em tempo integral na Jordânia e Árabes que há muito tempo emigraram por todo o Oriente Médio e para o Ocidente.

Outros casos de refugiados por todo o mundo auxiliados pela ONU são tratados pelo Alto Comissariado para os Refugiados da organização mundial, que busca assentar os refugiados rapidamente, normalmente em países outros que não aqueles de onde fugiram.

A ONU criou uma agência especial - a United Nations Relief and Works Agency for Palestine Refugees (UNRWA) - especificamente paracuidar de refugiados Palestinos registrados. É o único caso de refugiados tratado pela ONU em que os declarados refugiados são abrigados e mantidos em campos por gerações, ao invés de facilitar o seu reassentamento em outro lugar.

A ONU oficialmente restringe em todo o mundo a definição do status de refugiado para nacionalidades fora da arena Palestina àqueles que fugiram de um país de nacionalidade ou residência habitual devido a perseguição, que são incapazes de retornar a seu local de residência e que ainda não tenham sido reassentados. Futuras gerações de refugiados originais não são incluídas na definição de refugiados da ONU.

Mas a ONU usa um conjunto diferente de critérios para somente quando definindo um refugiado Palestino - permitindo que gerações futuras sejam consideradas refugiados; denominando de refugiados aqueles Árabes que foram reassentados em outros países, tais como centenas de milhares na Jordânia; removendo a cláusula que exige perseguição; e removendo a cláusula que requer que um refugiado esteja fugindo de seu "país de nacionalidade ou de residência habitual" - permitindo que Árabes transitórios que não residiam normalmente dentro de Israel sejam definidos como refugiados Palestinos.

Os líderes Palestinos, incluindo Abbas, rotineiramente se referem ao "direito de retorno", declarando que o dito direito é exigido pela ONU. Mas as resoluções da ONU que tratam do assunto dos refugiados recomendam que Israel "consiga um acordo justo" para o "problema dos refugiados". As resoluções, que não são obrigatórias, não falam de qualquer "direito de retorno", e deixam aberta a possibilidade de compensação monetária ou outros tipos de acordo.

Iniciativa Israelense recebe amplo apoio

Revelado somente recentemente, a Iniciativa de Elon já tem recebido amplo apoio, inclusive de alguns legisladores de esquerda e políticos Americanos.

Marina Solodkin, membro do partido Kadima de Olmert, disse que endossaria parte da Iniciativa.

"Benny estava certo ao enfatizar a questão dos refugiados em seu plano", disse Solodkin.

O líder de oposição Benjamin Netanyahu, presidente do partido Likud, leu parte do plano nesta semana no plenário do Knesset em demonstração de solidariedade.

Elon disse que recebeu apoio no Capital Hill durante sua visita a Washington esta semana, incluindo o que chamou de "reuniões positivas" com o líder de bancada da House of Representatives Roy Blunt, o Deputado Mike Pense e a Deputada Sheley Berkley.

'Coração da terra de Israel'

Elon explica que a Margem Ocidental, também conhecida como o território bíblico de Judéia e Samaria, "representa o coração da terra de Israel".

"Aqui Abraão andou com seu filho Isaque, aqui Jacó ergueu suas tendas, aqui os nossos antepassados expulsaram as nações Canaanitas sob a liderança de Josué. Nos montes da Judéia e Samaria, existem dezenas de locais santificados de significância histórica e religiosa".

Cerca de 200.000 Judeus vivem na Margem Ocidental, que faz fronteira com Jerusalém e está ao alcance de foguetes de Tel Aviv e do Aeroporto Internacional de Israel.

Muitas vilas na Margem Ocidental  são mencionadas na Torah.

O Livro de Gêneses diz que Abraão entrou em Israel em Siquém (Nablus) e recebeu a promessa de Deus de terra para sua descendência. Mais tarde ele foi sepultado em Hebrom na Tumba dos Patriarcas da cidade, o segundo lugar mais sagrado para o Judaísmo. Hebrom é a mais antiga cidade Judaica no mundo.

A cidade próxima de Beit El, antigamente chamada de Betel que significa "Cidade de Deus", é onde as Escrituras dizem que o patriarca Jacó dormiu sobre um travesseiro de pedras e snhou com anjos subindo e descendo uma escada para o céu. No sonho, Deus falou diretamente a Jacó e reafirmou a promessa de território.

E em Êxodo, o santo tabernáculo descansou em Siló, que acredita-se ser o primeiro lugar em que os antigos Israelitas se estabelecerem após fugir do Egito.

Elon disse que a desistência por parte de Israel de territórios bíblicos "expressaria a rejeição pelo povo Judeu de suas raízes e levaria a uma perda da conciência de nosso direto à terra".

Seu plano chama o controle da Autoridade Palestina sobre a Margem Ocidental de "perigoso" para Israel e para a estabilidade regional.

"Seria uma catástrofe estratégica de primeira magnitude. Depois que a região norte de Israel foi paralizada em seguida à presença do Hezbollah em nossa fronteira, e após o Negev Ocidental absorver uma chuva de foguetes Qassam [em seguida à retirada de Israel de Gaza], não é difícil imaginar com o que a região central - incluindo Jerusalém - se parecerá quando dominada por forças inimigas".