Apocalipse 21 - 22

Um Estudo Bíblico por Jack Kelley – www.gracethrufaith.com

Tendo levado seus pensamentos a respeito do destino de Satanás e da ressurreição dos perdidos à sua conclusão no capítulo 20, João agora retorna ao começo do Milênio para descrever o novo lar da Igreja no capítulo 21 e a nova terra no capítulo 22. Sabemos disso porque a frase “novos céus e nova terra” também aparece em Isaías 65.17 no começo da passagem descrevendo Israel durante o Milênio.

Apocalipse 21

A Nova Jerusalém

E VI um novo céu, e uma nova terra. Porque já o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe (Apo 21.1). Em Mat 19.28, Jesus chamou isso de “regeneração”. De acordo com Rom 8.19-22, toda a criação geme e está em dores de parto, esperando que os Filhos de Deus sejam revelados para poder finalmente se libertar das amarras da corrupção. Os juízos da Grande Tribulação serviram em parte para preparar a terra para sua restauração. Com toda probabilidade, seu órbita e eixos terão retornado à sua configuração original, trazendo novamente o ambiente subtropical mundial possivelmente desfrutado por nossos primeiros pais. Os vastos oceanos, testemunhas silenciosas da enormidade do Dilúvio de Noé, serão elevados de volta à atmosfera exterior, restaurando a cúpula de água que protegia os primeiros homens e permitindo o retorno da longevidade que eles experimentaram (Isa 65.20). O fundo do mar será elevado e as montanhas abaixadas, a terra novamente se parecerá com o Planeta Jardim que era quando Adão entrou em cena. Sua atmosfera não mais será lugar de demônios, e os céus terão sido purificados da servidão rebelde de Satanás para sempre.

E eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles, e será o seu Deus. E Deus limpará de seus olhos toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. E o que estava assentado sobre o trono disse: Eis que faço novas todas as coisas. E disse-me: Escreve; porque estas palavras são verdadeiras e fiéis (Apo 21.2-5). Note que enquanto João observava a Nova Jerusalém descendo do Céu, ele não a descreveu como pousando em lugar algum. Apesar de estar perto o suficiente da terra para que ele a descrevesse com precisão, ela não está na terra.

E não seja levado a pensar que a frase “adereçada como uma esposa” signifique que a Nova Jerusalém é a Noiva. Não, a palavra “como” nos diz que João está comparando a Nova Jerusalém com a noiva no dia do seu casamento. Assim como não se economiza para fazer uma noiva parecer tão bela quanto possível para seu casamento, assim também nada da criatividade de Deus foi economizada ao fazer do lar dos remidos Sua definitiva expressão de beleza.

Finalmente, por causa daquela morte em um monte fora de Jerusalém, Deus e o homem foram reconciliados (Col 1.19-20) e o desejo do Seu coração de habitar com Sua criação foi satisfeito. Pois na Igreja Ele fez nada menos do que criar uma nova raça de humanos, tão puros quanto Ele, aptos a habitar em Sua Presença.

E assim o Criador do Universo fez tudo novo, um Novo Céu, uma Nova Terra, e uma Nova Raça de Humanos. O dano causado no Jardim pela Serpente foi reparado.

E disse-me mais: Está cumprido. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem quer que tiver sede, de graça lhe darei da fonte da água da vida. Quem vencer, herdará todas as coisas; e eu serei seu Deus, e ele será meu filho. Mas, quanto aos tímidos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos fornicários, e aos feiticeiros, e aos idólatras e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre; o que é a segunda morte (Apo 21.6-8). Antes João havia feito a pergunta retórica: “Quem é que vence o mundo?” E sua resposta: “aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus” (1 João 5.5). Mais uma vez Deus deixa claras as alternativas. Jesus disse: “Se alguém tem sede, venha a mim, e beba” (João 7.37). Venha até Aquele que dá a Água da Vida e beba dEle sem nenhum custo, ou permaneça em seus pecados e morra para sempre.

E veio a mim um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas, e falou comigo, dizendo: Vem, mostrar-te-ei a esposa, a mulher do Cordeiro. E levou-me em espírito a um grande e alto monte, e mostrou-me a grande cidade, a santa Jerusalém, que de Deus descia do céu. E tinha a glória de Deus; e a sua luz era semelhante a uma pedra preciosíssima, como a pedra de jaspe, como o cristal resplandecente. E tinha um grande e alto muro com doze portas, e nas portas doze anjos, e nomes escritos sobre elas, que são os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. Do lado do levante tinha três portas, do lado do norte, três portas, do lado do sul, três portas, do lado do poente, três portas. E o muro da cidade tinha doze fundamentos, e neles os nomes dos doze apóstolos do Cordeiro (Apo 21.9-14). Quando Judas Iscariotes traiu o Senhor e se matou, os 12 eram Discípulos, ou alunos. Mais tarde os 11 restantes, agora Apóstolos (enviados), votaram e escolheram Matias para substituir Judas. Nada mais foi escrito sobre ele, e não sabemos por que. Obviamente, a Escolha de Deus foi Paulo, de longe o mais prolífico dos autores do Novo Testamento. Eu acho que será o seu nome que veremos na fundação.

E aquele que falava comigo tinha uma cana de ouro, para medir a cidade, e as suas portas, e o seu muro. E a cidade estava situada em quadrado; e o seu comprimento era tanto como a sua largura. E mediu a cidade com a cana até doze mil estádios; e o seu comprimento, largura e altura eram iguais. E mediu o seu muro, de cento e quarenta e quatro côvados, conforme à medida de homem, que é a de um anjo. E a construção do seu muro era de jaspe, e a cidade de ouro puro, semelhante a vidro puro. E os fundamentos do muro da cidade estavam adornados de toda a pedra preciosa. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda; o quinto, sardônica; o sexto, sárdio; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o undécimo, jacinto; o duodécimo, ametista. E as doze portas eram doze pérolas; cada uma das portas era uma pérola; e a praça da cidade de ouro puro, como vidro transparente (Apo 21.15-21). 12000 estádios eram iguais a cerca de 2240 quilômetros, o que significa que, se a cidade viesse a pousar na Europa, cobriria tudo desde a Escandinávia até Gibraltar e da costa da Espanha até o calcanhar da Itália. Alternativamente, ela esconderia todo o Oriente Médio, ou todo o leste dos Estados Unidos do Maine até a Flórida e do Atlântico até o Mississipi. E com 2240 quilômetros de altura ela seria mais que 4000 vezes mais alta que o maior edifício da terra. Mais provavelmente ela é um pequeno planeta ou um satélite de órbita baixa, seu comprimento é cerca de 1/5 do diâmetro da terra. Alguns a vêem como um cubo e outros como uma pirâmide, e nós poderemos viver sobre ela ou dentro dela ou ambos. O que sabemos é que ela é estabelecida como uma cidade enorme, com ruas pavimentadas com mais puro ouro, tão puro que é quase transparente e, de acordo com João 14.2, cheia de muitas mansões.

Conquanto os nomes dessas pedras preciosas não se movam facilmente entre as línguas, é provável que sejam as mesmas pedras do peitoral do Sumo Sacerdote.

E nela não vi templo, porque o seu templo é o Senhor Deus Todo-Poderoso, e o Cordeiro. E a cidade não necessita de sol nem de lua, para que nela resplandeçam, porque a glória de Deus a tem iluminado, e o Cordeiro é a sua lâmpada. E as nações dos salvos andarão à sua luz; e os reis da terra trarão para ela a sua glória e honra. E as suas portas não se fecharão de dia, porque ali não haverá noite. E a ela trarão a glória e honra das nações. E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro (Apo 21.22-27). Não somente o lar dos Remidos não precisa do sol, mas de fato ele é a fonte de luz para as nações na terra. Seus reis trazem o melhor da produção da terra para dentro dela para o nosso uso, apesar de que como humanos naturais eles mesmos não podem entrar. Tendo sido o Templo do Senhor por toda a Era da Igreja, nós agora descobrimos que Ele se tornou nosso para a Eternidade.

Apocalipse 22

O Rio da Vida

E MOSTROU-ME o rio puro da água da vida, claro como cristal, que procedia do trono de Deus e do Cordeiro. No meio da sua praça, e de um e de outro lado do rio, estava a árvore da vida, que produz doze frutos, dando seu fruto de mês em mês; e as folhas da árvore são para a saúde das nações. E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão. E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome. E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre. E disse-me: Estas palavras são fiéis e verdadeiras; e o Senhor, o Deus dos santos profetas, enviou o seu anjo, para mostrar aos seus servos as coisas que em breve hão de acontecer (Apo 22.1-6). Esse mesmo rio, com suas árvores produzindo um fruto diferente a cada mês e folhas com poder curativo, é descrita em Eze 47.1 e 12 como correndo de debaixo do lado sul do Templo na Cidade Santa, agora chamada de Jehovah Shammah, em Israel. Isso nos diz que estamos de volta à terra, admirando o rio cristalino que corre através da Cidade Santa.

De acordo com Zac 14.4-8, esse rio repentinamente começa a correr no dia do retorno do Senhor. Ele corre em direção ao vale formado pelo terremoto gigantesco que dividiu o Monte das Oliveiras de leste a oeste. Uma vez lá, ele enche o vale, correndo para o Mediterrâneo no oeste e para o Mar Morto no leste. Suas águas curativas purificam o Mar Morto e peixes do Mediterrâneo agora nadam lá em abundância (Eze 47.9-10).

Onde o rio se divide para correr a leste e a oeste, o que sobrou da cidade de Jerusalém delineia suas margens. Mas o antigo Monte do Templo juntamente com o Domo da Rocha e a Mesquita de Al Aksa estão em ruínas sob as profundas águas, para nunca mais serem vistos. Eles estavam bem no caminho do terremoto, e o rio os engoliu, pondo fim a séculos de contendas sobre o lugar que Deus uma vez chamou de a menina dos Seus olhos (Zac 2.8). (Nós cobrimos isso com grande detalhe em nosso estudo de Apocalipse 11.15 – 12.17.)

Jesus Está Voltando

“Eis que presto venho: Bem-aventurado aquele que guarda as palavras da profecia deste livro.”

E eu, João, sou aquele que vi e ouvi estas coisas. E, havendo-as ouvido e visto, prostrei-me aos pés do anjo que mas mostrava para o adorar. E disse-me: “Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus”.

E disse-me: “Não seles as palavras da profecia deste livro; porque próximo está o tempo. Quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda; e quem é justo, faça justiça ainda; e quem é santo, seja santificado ainda” (Apo 22.7-11). Ser uma testemunha ocular da culminação da história humana é demais para João e ele cai aos pés do anjo que o guia em um ato de adoração. Mas diferentemente daquele outro anjo, o que começou todo o problema por causa de sua ânsia por adoração, este repreende João, admoestando-o a adorar Aquele que é digno.

João foi chamado de o discípulo que Jesus amava e recebeu a mais clara descrição do Fim dos Tempos. Antes dele, Daniel, chamado de o profeta amado (Dan 10.11), também tinha recebido descrições detalhadas do mesmo período. Quando Daniel pediu esclarecimento foi-lhe dito que as palavras estavam fechadas e seladas até o tempo do fim (Dan 12.9). Aqui é dito a João que não sele o que lhe foi dito por que o tempo está próximo. Por toda a Era da Igreja as profecias de Deus dos dias finais da terra estariam disponíveis para todos lerem. Aqueles que assim quisessem poderiam ignorá-la e continuar a ser desobedientes e aqueles que a lessem e aplicassem poderiam fazer o certo e ser Santos, mas o Fim viria exatamente como João o viu, independentemente da resposta do homem.

“E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra. Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro” (Apo 22.12-13). Esta passagem faz três conjuntos de declarações sobre O Senhor. Ele é o Alfa e o Ômega, O Princípio e o Fim, e o Primeiro e o Último. Esses não são pensamentos repetitivos.

Variações da frase Alfa e Ômega autografaram as maiores obras de Deus desde o início. A primeira letra do alfabeto grego é Alfa e a última é Ômega. É como dizer “de A até Z” em português. Os equivalentes em hebraico são Aleph e Tau. Essas duas letras aparecem não traduzidas em alguns lugares interessantes nas Escrituras Hebraicas. Uma está em Gen 1.1 logo depois da frase “No princípio Deus…”, fazendo com que a versão hebraica seja “No princípio Deus, o Aleph e o Tau, criou os Céus e a Terra”. Você precisa de uma Bíblia Interlinear Hebraica para descobrir isso, mas está lá.

O outro lugar é em Zac 12.10 onde o hebraico é: “... e olharão para mim, o Aleph e o Tau, a quem traspassaram...” Esta é uma profecia sobre o reconhecimento final de Israel da verdadeira identidade do Messias no Fim dos Tempos.

A palavra grega traduzida como princípio é “arche” e denota uma ordem de tempo, lugar ou cargo. Fim vem de “telos”, que significa o resultado ou propósito final; o limite superior. E assim Jesus é o primeiro em ordem de tempo, lugar ou cargo (Col 1.18), e representa o resultado ou propósito final do homem; ser um com Deus (João 17.20-23).

A palavra traduzida como primeiro é “protos” e significa principal ou melhor. Desta palavra nós tiramos protótipo. E último vem de “escathos” um superlativo significando o mais distante ou último. O termo escatologia (o estudo dos tempos do fim) se origina aqui. Ele é o protótipo, contra o qual tudo será comparado (Rom 8.29), o definitivo ou perfeito exemplo da raça (Heb 1.3), o único que já nasceu.

E assim Ele estava lá antes do começo e estará lá depois do final. Ele representa o definitivo propósito do homem e é nosso exemplo perfeito.

“Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham direito à árvore da vida, e possam entrar na cidade pelas portas. Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira”.

“Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da manhã” (Apo 22.14-16). A última das sete bênçãos do Apocalipse. As outras seis são encontradas em 1.3, 14.13, 16.15, 19.9, 20.6 e 22.7. Há também sete glórias no livro. A maldição finalmente se foi, Deus está em Seu Trono, os Seus servos O servem, nós temos a eterna visão de Sua face, Seu nome está escrito em nossas frontes, haverá dia eternamente e não mais noites, e reinaremos para sempre.

Uma última vez nos é lembrado de que, ainda que não sejamos judeus, o Deus que adoramos é. A frase “raiz e geração de Davi” relembra a profecia Messiânica de Isa 11.1-3.

Algumas versões modernas incorretamente traduzem o hebraico em Isa 14.12 dando a Satanás o título de Estrela da Manhã. Quando primeiramente traduzida para o latim, a palavra hebraica “heylel” se tornou Lúcifer, ou portador de luz, e foi assim que o nome se originou. Heylel literalmente significa “o brilhante”, mas sua intenção é de presunçoso ou orgulhoso, chamando atenção para si mesmo. A frase hebraica inteira em Isa 14.12 é Heylel ben Shachar e significa “O Brilhante, Filho da Alva”. Nosso Senhor Jesus é a única “Resplandecente Estrela da Manhã”.

E o Espírito e a esposa dizem: “Vem”. E quem ouve, diga: ”Vem”. E quem tem sede, venha; e quem quiser, tome de graça da água da vida (Apo 22.17). Um lembrete final de que o preço por nossa salvação já foi pago.

Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro (Apo 22.18-19). A despeito deste claro aviso, tem havido muitas tentativas de alegorizar ou espiritualizar este livro em algo a que ele jamais se propôs. Ele não é história, nem alegoria, nem fantasia, mas profecia. E ela se cumprirá exatamente como Deus prometeu, todos os nossos esforços de negação serão malogrados.

Aquele que testifica estas coisas diz: “Certamente cedo venho”.

Amém. Ora vem Senhor Jesus.

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vós. Amém (Apo 22.20-21).