Apocalipse 10 - 11.14

Um estudo Bíblico por Jack Kelley – www.gracethrufaith.com

Daremos agora uma pausa nos Juízos das Trombetas para dar ao mundo suas advertências finais antes que a Grande Tribulação comece. Esses são os Sete Trovões e as Duas Testemunhas que Deus enviou a Israel para advertir Seu povo a “se acertarem com Deus” enquanto ainda há tempo.

Lembre-se, no final da Batalha de Ezequiel 38-39, Deus trará todos os judeus vivos a Israel, não deixando nenhum para trás (Eze 39.28). Ainda que muitos sejam martirizados, especialmente entre aqueles que encontraram o Messias, ainda haverá uma enorme população de judeus em Israel com um Templo em pleno funcionamento. Na seqüência dos eventos, a Abominação da Desolação ainda não aconteceu então eles não tiveram que fugir para as montanhas da Jordânia. Os 144.000 e os Santos da Tribulação ajudarão a completar esta “ultima chamada” evangelística mundial.

APOCALIPSE 10

O Anjo e o Livrinho

E VI outro anjo forte, que descia do céu, vestido de uma nuvem; e por cima da sua cabeça estava o arco celeste, e o seu rosto era como o sol, e os seus pés como colunas de fogo; E tinha na sua mão um livrinho aberto. E pôs o seu pé direito sobre o mar, e o esquerdo sobre a terra; e clamou com grande voz, como quando ruge um leão; e, havendo clamado, os sete trovões emitiram as suas vozes. E, quando os sete trovões acabaram de emitir as suas vozes, eu ia escrever; mas ouvi uma voz do céu, que me dizia: “Sela o que os sete trovões emitiram, e não o escrevas” (Apo 10.1-4). Muitas coisas nesta passagem dão pistas da possível identidade desse anjo. Ele está vestido de uma nuvem e suas pernas são como pilares de fogo, o que nos lembra o Anjo do Senhor que protegia Israel no deserto. O arco-íris sobre sua cabeça é símbolo da misericórdia de Deus. Sua voz é como o rugido de um leão. A voz do Senhor é comparada ao trovão sete vezes no Salmo 29. Poderia este ser o Senhor? Sua identidade não é especificada, mas quer ele seja ou não, não tem impacto sobre o nosso entendimento da passagem.

Os Sete Trovões muito provavelmente contêm uma advertência de Deus não revelada entre a 6ª e a 7ª Trombetas. João estava prestes a detalhá-la para nós quando o Senhor mandou que não o fizesse.

No Salmo 29 a voz do Senhor é mencionada sete vezes e é comparada com o som do trovão. O nome do Senhor é dado quatro vezes na introdução de dois versos do Salmo e mais quatro vezes na conclusão de dois versos (quatro é o número da Criação). Ele aparece dez vezes do verso 3 ao verso 9 (dez é um número que denota a totalidade da Ordem Divina) e a frase “Voz do Senhor” é repetida sete vezes (sete é o número da perfeição). O Salmo 29 é frequentemente chamado de “Os Sete Trovões de Deus” também.

Com a chegada da Sétima Trombeta, nos será dito que os Reinos do mundo se tornaram o Reino do nosso Senhor (Apo 11.15) e pela primeira vez a tradução tradicional do nome de Deus como “Aquele que é e que era e que há de vir” é mudada para “Aquele que é e que era” (Apo 11.17) também indicando que seu reino começou (Algumas traduções colocam a parte “e que há de vir” de volta, mas o texto grego não a inclui).

Isso significa que na visão Celestial, a Grande Tribulação terá começado. Após a derrota de Satanás na batalha no Céu e seu confinamento na Terra em Apo 12, o anticristo faz sua aparição oficial na terra como o anfitrião de Satanás no começo de Apo 13 (Ele aparece em cena pela primeira vez em Apo 6 como um mero homem). Isso sinaliza o começo da Grande Tribulação na terra. Os juízos das Sete Taças começam logo a seguir.

Coloque tudo isso junto e você pode fazer um caso circunstancial de que os Sete Trovões anunciarão que a Grande Tribulação com seus Juízos das Taças completarão a Ordem Divina, satisfazendo perfeitamente a justa exigência de Deus de que o povo da terra seja julgado por seus pecados, e deixando a terra em uma condição de prontidão para receber seu Rei.

E o anjo que vi estar sobre o mar e sobre a terra levantou a sua mão ao céu, e jurou por aquele que vive para todo o sempre, o qual criou o céu e o que nele há, e a terra e o que nela há, e o mar e o que nele há, que não haveria mais demora; mas nos dias da voz do sétimo anjo, quando tocar a sua trombeta, se cumprirá o segredo de Deus, como anunciou aos profetas, seus servos.

E a voz que eu do céu tinha ouvido tornou a falar comigo, e disse: “Vai, e toma o livrinho aberto da mão do anjo que está em pé sobre o mar e sobre a terra”.

E fui ao anjo, dizendo-lhe: Dá-me o livrinho. E ele disse-me: “Toma-o, e come-o, e ele fará amargo o teu ventre, mas na tua boca será doce como mel”. E tomei o livrinho da mão do anjo, e comi-o; e na minha boca era doce como mel; e, havendo-o comido, o meu ventre ficou amargo. E ele disse-me: “Importa que profetizes outra vez a muitos povos, e nações, e línguas e reis” (Apo 10.5-11). O Senhor mandou que João tomasse o livrinho e o comesse. A princípio, seu gosto pareceu doce como mel, mas depois que o engoliu, seu estomago ficou amargo. Isso significa que, como seguidores do Senhor, nós aguardamos o cumprimento da profecia dos Tempos do Fim com muita excitação e alegria. Nós nos unimos com as almas dos justos martirizados no lamento, “Até quando, ó verdadeiro e santo Dominador, não julgas e vingas o nosso sangue dos que habitam sobre a terra?” (Apo 6.10) Sabemos que Seu julgamento é justo, e que Ele tem sido longânime, paciente quase ao extremo. Mas porque nosso inimigo é tão incansável em sua rebelião contra Deus, o horror e a carnificina da guerra necessária para conseguir sua derrota são suficientes para deixar-nos enjoados.

Apocalipse 11.1-14

As Duas Testemunhas

E FOI-ME dada uma cana semelhante a uma vara; e chegou o anjo, e disse: “Levanta-te, e mede o templo de Deus, e o altar, e os que nele adoram” (Apo 11.1). Eis aqui a evidência, juntamente com Dan 9.27 e 2 Tes 2.4, de que existirá um Templo antes do começo da Grande Tribulação. Tendo visto a maneira miraculosa pela qual Deus os livrou da derrota certa na batalha de Ezequiel 38-39, o judeus de todo o mundo responderão à Sua oferta de reconciliação e farão a Aliyah (volta a Israel). Tendo seu relacionamento da Antiga Aliança restaurado, eles exigirão um Templo para adorar, e no início da 70ª Semana de Daniel ele será construído. Cerca de 2000 anos de diáspora (dispersão) terão terminado afinal.

E deixa o átrio que está fora do templo, e não o meças; porque foi dado às nações, e pisarão a cidade santa por quarenta e dois meses (Apo 11.2). Este verso tem sido usado para apoiar a idéia de que o Templo será construído ao lado do Domo da Rocha. Mais tarde darei uma alternativa para esse ponto de vista. Mas primeiramente vamos conhecer as Duas Testemunhas.

E darei poder às minhas duas testemunhas, e profetizarão por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de saco. Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra. E, se alguém lhes quiser fazer mal, fogo sairá da sua boca, e devorará os seus inimigos; e, se alguém lhes quiser fazer mal, importa que assim seja morto. Estes têm poder para fechar o céu, para que não chova, nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue, e para ferir a terra com toda a sorte de pragas, todas quantas vezes quiserem (Apo 11.3-6). O ministério de 3 anos e meio das duas testemunhas não é congruente com nenhuma das metades da 70ª Semana de Daniel, mas as sobrepõe, começando depois do começo da 70ª Semana e terminando algum tempo antes da 2ª Vinda. Antes de discutir sua identidade, deveríamos notar que elas dão o total cumprimento a Zacarias 4.11-14, a profecia dos “dois ungidos” parcialmente cumprida por Zorobabel e Josué no tempo da construção do 2º Templo.

Quem São Esses Caras?

Existem três candidatos primários para a sua identidade: Moisés, Elias e Enoque. Elias e Enoque porque são os únicos dois no Antigo Testamento que não morreram, mas foram levados ao Céu vivos. E Moisés e Elias porque os poderes das duas testemunhas são idênticos àqueles exercidos por Moisés nas Pragas do Egito e Elias em sua disputa contra a idolatria em Israel. Lembre-se, o clímax foi a espetacular derrota dos profetas de Baal no Monte Carmelo com fogo caindo do céu e o fim dos três anos e meio de seca (Você tem que ler Tiago 5.17 para saber a duração da seca, pois ela não é dada em 1 Reis 18). Também, Moisés e Elias estiveram no Monte da Transfiguração com Jesus e os discípulos (Mat 17.1-13) e de acordo com uma antiga tradição da igreja eram os dois homens de branco que apareceram aos discípulos em seguida à ascensão do Senhor (Atos 1.10-11). E, finalmente, Moisés e Elias são duais das mais reverenciadas figuras em todo o passado de Israel, mais possíveis que qualquer outro de serem enviados por Deus para entregar Sua mensagem. Moisés foi o Pronunciador da Lei e Elias foi o maior dos Profetas de Israel. Seus dois nomes são exatamente sinônimos do nome judaico para seus escritos, a Lei e os Profetas.

Eu acredito que o desaparecimento de Enoque antes do Grande Dilúvio foi um evento especial desenhado para prefigurar o desaparecimento da Igreja antes da Grande Tribulação. Como foi nos dias de Noé, assim será na Vinda do Filho do Homem (Mat 24.37). Nos dias de Noé o mundo pereceu no Dilúvio. Eles representam aqueles que perecerão na Grande Tribulação. Noé e sua família foram preservados através do Dilúvio e representam Israel, preservado através da Grande Tribulação. Enoque foi toma vivo ao Céu antes do Dilúvio, representando a Igreja que será tomada viva ao Céu antes da Grande Tribulação. Por todas essas razões, eu sustento o ponto de vista de Moisés e Elias.

E, quando acabarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, e os vencerá, e os matará. E jazerão os seus corpos mortos na praça da grande cidade que espiritualmente se chama Sodoma e Egito, onde o seu Senhor também foi crucificado. E homens de vários povos, e tribos, e línguas, e nações verão seus corpos mortos por três dias e meio, e não permitirão que os seus corpos mortos sejam postos em sepulcros. E os que habitam na terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra.

E depois daqueles três dias e meio o espírito de vida, vindo de Deus, entrou neles; e puseram-se sobre seus pés, e caiu grande temor sobre os que os viram. E ouviram uma grande voz do céu, que lhes dizia: “Subi para aqui”. E subiram ao céu em uma nuvem; e os seus inimigos os viram.

E naquela mesma hora houve um grande terremoto, e caiu a décima parte da cidade, e no terremoto foram mortos sete mil homens; e os demais ficaram muito atemorizados, e deram glória ao Deus do céu.

É passado o segundo ai; eis que o terceiro ai cedo virá (Apo 11.7-14).

Não há dúvida de que seus corpos foram deixados onde caíram nas ruas de Jerusalém. Essa é a cidade em que o Senhor foi crucificado. E através da tecnologia das comunicações por satélite seus corpos mortos serão vistos por todo o mundo.

Nas culturas meso-orientais o maior insulto que alguém pode cometer é negar enterro a seu inimigo. Suas mortes apresentam a única expressão de alegria na terra em todo o livro. Mas após três dias e meio, simbólico da extensão da Grande Tribulação, as duas testemunhas ouvirão o mesmo comando que João ouviu em Apo 4.1, “Subi para aqui!” e ascenderão ao Céu à vista de todo o mundo. Assim como a ordem do Senhor no capítulo 4 foi um modelo do Arrebatamento da Igreja, a ordem aqui é um modelo da ressurreição dos Mártires da Tribulação.

Em Salmos nós lemos: Ó DEUS, os gentios vieram à tua herança; contaminaram o teu santo templo; reduziram Jerusalém a montões de pedras. Deram os corpos mortos dos teus servos por comida às aves dos céus, e a carne dos teus santos às feras da terra. Derramaram o sangue deles como a água ao redor de Jerusalém, e não houve quem os enterrasse (Salmo 79.1-3). Esta é uma clara profecia de coisas por vir, e elas começam em Apo 11.

Ao dizer que os sobreviventes do terremoto deram glória a Deus, João não quis dizer que eles O adoraram ou vieram a ter fé Nele. Isso quer dizer que eles corretamente atribuíram esses eventos milagrosos a Ele, como os sacerdotes egípcios o fizeram ao explicar a causa das pragas em Êxo 8.19.

Onde Está o Templo?

Esta parte do capítulo 11 dá pistas sobre algumas inconsistências incomodas no nosso entendimento da localização do futuro Templo. Ela é dada como a Cidade Santa no verso 2, mas no verso 8 Jerusalém é chamada de a Grande Cidade, que espiritualmente se chama Sodoma e Egito. Elas são a mesma? A Cidade Santa será pisada pelos gentios por 42 meses, mas Jesus disse que Jerusalém seria pisada por gentios até que o tempo dos gentios estivesse cumprido, mais de 2000 anos.

Por gerações tem existido uma controvérsia entre judeus e cristãos quanto à exata localização dos Templos de Herodes e Salomão. O Sinédrio Judeu, recentemente formado novamente após 1600 anos, está abordando a questão como uma de suas primeiras prioridades. Chamem-me de tolo, mas eu acho que todos nós temos feito a pergunta errada. Certamente seria ótimo saber a exata colocação desses históricos monumentos a Deus, mas a pergunta real é “onde será o próximo Templo?”

Muitos cristãos acham que o futuro 3º Templo será profanado pela Abominação da Desolação durante a Grande Tribulação e então destruído. Por essa razão eles o chamam de Templo da Tribulação. Então, um outro Templo, de número quatro, será construído no começo do Milênio. Mas o único modelo que temos para tudo isso é a profanação do 2º templo que levou à Revolta dos Macabeus. E isso é algo que Jesus se esforçou por apontar a nós no Sermão do Monte (Mat 24.15).

No modelo, o governante sírio Antíoco Epifânio invadiu o Templo e o converteu em um centro de adoração pagã em 167 AC. Ele degolou um porco no altar e erigiu uma estátua a Zeus (Júpiter) no lugar santo, com sua própria face sobre ela, assim proclamando-se Deus (Epifânio significa Deus manifestado), e exigiu adoração sob pena de morte. Em 1 Macabeus isso foi chamado de Abominação da Desolação, o único evento assim chamado na história. Ele detonou a revolta dos Macabeus, uma batalha de três anos e meio para banir Epifânio da Terra Prometida. Os judeus pensaram que isso havia cumprido Dan 9.27, mas quase 200 anos depois Jesus disse a Israel para procurar por ele no futuro, como um sinal de que a Grande Tribulação teria começado, identificando-o assim como um modelo para a Abominação da Desolação dos Tempos do Fim. E é verdade que a Revolta dos Macabeus contém muitas similaridades com a Grande Tribulação.

Eis o ponto. Os judeus não destruíram o Templo após a Abominação da Desolação em 167 AC. Quando o capturaram, eles destruíram a estátua e recolocaram o Altar. Então eles sujeitaram o Templo à cerimônia de purificação de oito dias exigida pela Lei e começaram a usá-lo de novo. A purificação é lembrada até hoje na Festa do Chanukkah. Se o modelo está completo, então o Templo construído durante a 70ª Semana de Daniel não será destruído tampouco, mas se tornará o Templo do Milênio, descrito em grande detalhe por Ezequiel nos capítulos 40-48 (Os judeus chamam o Templo de Ezequiel de Terceiro Templo). E isso quer dizer que ele não será em Jerusalém. Na próxima vez lhe mostrarei onde ele será.