A Páscoa: História e Profecia

Artigo publicado por Jack Kelley

As Festas de Israel tem cumprimento tanto histórico quanto profético. Como a Páscoa foi na semana passada, vamos rever a narrativa do mais antigo Dia Santo continuamente comemorado em todo o mundo a partir dessas duas perspectivas.

Primeiro, os antecedentes. Deus havia prometido a terra de Canaã para Abraão. Mas antes que Abraão pudesse realmente tomar posse, o povo cananeu ainda tinha 400 anos para decidir se iria se arrepender de suas caminhos pagãos e voltar para Deus. Ele já sabia que eles não iriam se decidir em Seu favor e teria de expulsá-los, mas se comprometeu a dar-lhes os 400 anos primeiro. Por isso, seriam realmente os descendentes de Abraão que iriam tomar posse da terra. Nesse ínterim, Deus disse, eles migrariam para o Egito e, eventualmente, iriam tornar-se escravos lá. Quando os 400 anos terminassem, Deus os traria de volta para lhes dar a terra e também dar-lhes a riqueza do Egito, como compensação por seu tempo de escravidão. (Gênesis 15:13-21)

Para se certificar de que não havia confusão sobre isso, Deus repetiu Sua promessa a ambos Isaque (Gênesis 26:2-3) e Jacó (Gênesis 28:10-15), filho e neto de Abraão.

Quando chegou a hora, Deus chamou Moisés para ser o libertador do povo judeu (Êxodo 3), e nomeou seu irmão Arão para ajudá-lo a trazer os descendentes de Abraão de volta para a Terra Prometida (Êxodo 4:14-17). Mas quando eles buscaram a Faraó, ele se recusou terminantemente a deixar o povo ir (Êxodo 5:1-3). Depois de nove pragas que quase destruíram o Egito (Êxodo 7:14-10:29), Deus disse a Moisés e Arão como preparar o povo para que eles pudessem se proteger da 10ª e última praga, a morte dos primogênitos.

O Cumprimento Histórico
E falou o Senhor a Moisés e a Arão na terra do Egito, dizendo: "Este mesmo mês vos será o princípio dos meses; este vos será o primeiro dos meses do ano. Falai a toda a congregação de Israel, dizendo: Aos dez deste mês tome cada um para si um cordeiro, segundo as casas dos pais, um cordeiro para cada família. Mas se a família for pequena para um cordeiro, então tome um só com seu vizinho perto de sua casa, conforme o número das almas; cada um conforme ao seu comer, fareis a conta conforme ao cordeiro. O cordeiro, ou cabrito, será sem mácula, um macho de um ano, o qual tomareis das ovelhas ou das cabras". (Êxodo 12:1-5)

Desde o alvorecer da Era do Homem, até então, o mês de que o Senhor falou era o 7º mês, chamado Nisã. No anúncio acima Ele ordenou uma alteração de 6 meses em seu calendário. O 7º mês era agora o primeiro. Por causa de sua dependência dos ciclos agrícolas, os israelitas mantiveram seu calendário original, com o seu início no outono, e sobrepuseram esse novo calendário a ele. A partir de então eles tinham um calendário religioso, começando primavera, e um calendário agrícola, com início no Outono. (É por isso que Rosh Hashaná, o Ano Novo Judaico, ocorre no outono.)

E o guardareis até ao décimo quarto dia deste mês, e todo o ajuntamento da congregação de Israel o sacrificará à tarde. E tomarão do sangue, e pô-lo-ão em ambas as ombreiras, e na verga da porta, nas casas em que o comerem. E naquela noite comerão a carne assada no fogo, com pães ázimos; com ervas amargosas a comerão. Não comereis dele cru, nem cozido em água, senão assado no fogo, a sua cabeça com os seus pés e com a sua fressura. E nada dele deixareis até amanhã; mas o que dele ficar até amanhã, queimareis no fogo. Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor. (Êxodo 12:6-11)

Até o 14º dia significa até o final do 13º dia, assim como um presente marcado "não abra até o Natal" não pode ser aberto até que o dia 24 termine. Os dias judaicos começam ao pôr-do-sol, de acordo com o relato bíblico da Criação, "Houve tarde e houve manhã ..." Enquanto o sol pusesse no 13º dia, os cordeiros deveriam ser abatidos e assados. Parte do sangue do cordeiro deveria ser pintado no lintel e nos batentes da porta da casa de cada família. Então, quando os cordeiros estivessem cozidos, deveriam ser comidos às pressas, junto com alguns pães ázimos e ervas amargas (raiz forte). Assim, a refeição da Páscoa foi a primeira refeição do 14º dia, comida após o pôr do sol que marcou o início do dia. Foi uma refeição rápida, mais como um sanduíche, realmente, não tendo qualquer semelhança com as sossegadas e suntuosas refeições de hoje.

"E eu passarei pela terra do Egito esta noite, e ferirei todo o primogênito na terra do Egito, desde os homens até aos animais; e em todos os deuses do Egito farei juízos. Eu sou o Senhor. E aquele sangue vos será por sinal nas casas em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito. (Êxodo 12:12-13)

Após a refeição apressada, por volta da meia-noite, o anjo destruidor passou pelo Egito e os primogênitos dos homens e dos animais pereceram. O anjo passou por casas onde as ombreiras das portas tinham sido pintadas com o sangue do cordeiro, poupando as trêmulas pessoas amontoadas lá dentro. Eles não foram poupados porque eram judeus, ou porque tinham comido o cordeiro no jantar. Eles foram poupados porque tiveram fé para pintar as suas ombreiras com o sangue. Eles foram salvos pela fé, através do sangue do cordeiro.

Muitos anos depois, quando o Seder (noite) da Páscoa se tornou uma festa tradicional, tornou-se comum para os participantes mergulhar um dedo no seu copo para coletar uma gota de vinho, que depois era deixada cair em seu prato. Eles fazem isso para cada uma das 10 pragas do Egito, cada vez dizendo: "Nós somos salvos pelo sangue do cordeiro".

"E este dia vos será por memória, e celebrá-lo-eis por festa ao Senhor; nas vossas gerações o celebrareis por estatuto perpétuo. Sete dias comereis pães ázimos; ao primeiro dia tirareis o fermento das vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, desde o primeiro até ao sétimo dia, aquela alma será cortada de Israel. E ao primeiro dia haverá santa convocação; também ao sétimo dia tereis santa convocação; nenhuma obra se fará neles, senão o que cada alma houver de comer; isso somente aprontareis para vós.

"Guardai pois a festa dos pães ázimos, porque naquele mesmo dia tirei vossos exércitos da terra do Egito; pelo que guardareis a este dia nas vossas gerações por estatuto perpétuo. No primeiro mês, aos catorze dias do mês, à tarde, comereis pães ázimos até vinte e um do mês à tarde. Por sete dias não se ache nenhum fermento nas vossas casas; porque qualquer que comer pão levedado, aquela alma será cortada da congregação de Israel, assim o estrangeiro como o natural da terra. Nenhuma coisa levedada comereis; em todas as vossas habitações comereis pães ázimos." (Êxodo 12:14-20)

A Festa dos Pães Ázimos começava no 15º dia e durava até o 21º. Nenhuma levedura podia ser usada em qualquer preparação de alimentos, nem poderia estar presente na casa durante esse tempo. Quando eles se estabeleceram em Israel, como o 15º dia era um dia de grande festa e um sábado especial, após o "sanduíche de cordeiro" cerimonial ser consumido, o resto do 14º dia era gasto na preparação, porque nenhum trabalho poderia ser feito após o anoitecer. Qualquer levedura encontrada na casa era descartada, e a maior parte da compra e preparação dos alimentos era feita. Ele ficou conhecido como dia da preparação.

Daquele dia em diante, a Páscoa do Senhor tem sido comemorada, uma das mais dramáticas demonstrações de Seu poder jamais vistas. Durante a refeição bebem-se quatro copos especiais de vinho, um para cada uma das quatro promessas de Deus a Moisés na sarça ardente.

"Portanto dize aos filhos de Israel: Eu sou o Senhor, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, (1. Santificação) e vos livrarei da servidão, (2. Libertação) e vos resgatarei com braço estendido e com grandes juízos (3. Redenção). E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus." (4. Aceitação) (Êxodo 6:6-7)

Ele libertou o Seu povo das amarras da escravidão, derrotando o país mais poderoso do mundo sem um exército, sem uma única baixa entre os Seus, pelo poder do Seu braço estendido. Mais de um milhão de ex-escravos saíram do Egito na manhã seguinte, levando a riqueza de seu antigo cativeiro, salários atrasados por seu trabalho duro. Os enfermos foram curados, os coxos andaram, e os fracos foram fortalecidos. Nem um sequer foi deixado para trás. Foi provavelmente o maior milagre de cura de todos os tempos.

O Cumprimento Profético
No primeiro capítulo do Evangelho de João, Jesus foi apresentado como o Cordeiro de Deus, que tira os pecados do mundo. Durante todo o Seu ministério pessoas o proclamaram Messias de Israel, mas somente em um dia Ele o incentivou. No calendário judaico, era o 10º dia do primeiro mês. Nós o conhecemos como Domingo de Ramos. Por toda Jerusalém os cordeiros de Páscoa estavam sendo selecionados, mas no Monte das Oliveiras O Cordeiro Pascal era recebido na cidade com brados de "Hosana ao Filho de Davi. Bendito o que vem em nome do Senhor." (Mateus 21:9)

Desde então e até ao final do 13º dia Ele foi alvo do mais agressivo e intenso interrogatório de Seu ministério. Ele estava sendo cuidadosamente escrutinado à procura de algum defeito no Seu ensino, até que finalmente "não ousavam perguntar-lhe mais coisa alguma." (Lucas 20:40)

Depois que o por-do-sol trouxe a Páscoa, chamado dia da preparação no seu tempo, ele comeu uma rápida refeição de Páscoa com seus discípulos, parando no terceiro copo, o copo da Redenção. Era uma quinta-feira, o 14º dia do mês, e antes que o dia acabasse Ele havia sido preso, julgado, condenado e executado por crucificação. O Cordeiro Pascal havia sido morto na Páscoa. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós, Paulo diria mais tarde (1 Coríntios. 5:7).

Pouco antes de morrer, sabendo que tudo estava consumado e assim as Escrituras haviam sido cumpridas, Ele pediu uma bebida (João 19:28-29). Ao tomar o vinho que ofereceram, ele bebeu o quarto copo da Páscoa, a Copo de Aceitação. "E eu vos tomarei por meu povo, e serei vosso Deus." Daquele dia em diante, qualquer um que aceite Sua morte como pagamento pelos seus pecados é por sua vez aceito na família de Deus e recebe a vida eterna. Eles são salvos pela fé, através do Sangue do Cordeiro.

Mais cedo um grupo de oficiais judeus pediram a Jesus um milagre para provar que Ele era quem dizia ser. Ele disse: " Uma geração má e adúltera pede um sinal, porém, não se lhe dará outro sinal senão o do profeta Jonas; pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra." (Mateus 12:39-40). Eles receberiam seu sinal, mas só depois de O terem posto à morte. E seria inconfundível. Ninguém nunca tinha saído da sepultura em um corpo ressurreto antes.

O dia seguinte à crucificação seria Sexta-feira 15, o primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos, um Sábado especial, onde nenhum trabalho poderia ser feito (João 19:31). Sabendo disso, os principais dos sacerdotes pediram a Pilatos para apressar a morte dos condenados, para que pudessem tirá-los de suas cruzes antes do pôr do sol. Mas Jesus já estava morto. Ele tinha morrido às três horas e, embora seu corpo ainda estivesse na cruz, Seu espírito já estava no Sheol, a morada dos mortos. Primeiro dia.

Ao anoitecer, chegou a sexta-feira dia 15, e com ela uma noite, seguido de manhã pelo segundo dia. Sábado, dia 16, foi o sábado semanal regular e, novamente, nenhum trabalho poderia ser feito. Ele começou com a segunda noite e de manhã chegou o terceiro dia. Então, ao entardecer era domingo, dia 17, três noites. Três dias e três noites, assim como Ele havia profetizado.

Ao nascer do sol na manhã do domingo, dia 17, a Festa das Primícias estava sendo observada no Templo, quando as mulheres chegaram ao túmulo onde Ele havia sido sepultado (Mateus 28:1). Era a sua primeira chance de ungir o corpo para o enterro já que a sexta-feira e o sábado foram Shabat. Mas o túmulo estava vazio. Ele tinha ressuscitado, os primeiros frutos da Primeira Ressurreição.

Os dois discípulos que encontraram o Senhor no caminho de Emaús naquele domingo (dia da Ressurreição) nos ajudam a confirmar essa seqüência (Lucas 24:13-35). A princípio, eles pensaram que o Senhor deveria ser um visitante muito recente na área, quando pediu-lhes para explicar por que estavam tristes. No decurso do debate eles indicaram que era o terceiro dia depois da crucificação. Sendo domingo, o dia anterior, sábado, teria sido o segundo dia desde o acontecido, sexta-feira teria sido o primeiro dia, tornando a quinta-feira o dia em que aconteceu.

Pela Sua morte, Ele libertou o Seu povo da escravidão do pecado, derrotando o adversário mais poderoso do Céu sem um exército, sem uma única baixa entre os Seus, pelo poder de Sua vida sacrificial. Bilhões de ex-escravos sairão deste mundo um dia em breve, recebendo riquezas além de qualquer medida. Os doentes serão curados, os coxos andarão e os fracos serão fortalecidos. Nem um único será deixado para trás. É o cumprimento final da profecia de Páscoa.

Shabat Shalom. Que a paz do Sábado repouse sobre você, e que a Graça de nosso Senhor Jesus habite dentro de você, agora e para sempre. 16-04-11