Profecias da Morte e Ressurreição do Senhor

Artigo desta semana por Jack Kelley

Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e salvo, pobre, e montado sobre um jumento, e sobre um jumentinho, filho de jumenta. (Zacarias 9:9).

Ele entrou em Jerusalém como as profecias disse que faria e toda a cidade se iluminou. Jerusalém foi se enchendo de peregrinos da Páscoa, e eles se uniram aos locais atapetando a rua íngreme que descia do topo do Monte das Oliveiras até ao Jardim do Getsêmani e através do vale do Cedron até o portão oriental do Templo. Eles colocaram túnicas e ramos de palmeiras próximas pela rua e cantaram,

"Hosana ao Filho de Davi. Bendito aquele que vem em nome do Senhor (Salmo 118:25-26). Hosana nas alturas!"

Este foi o único dia em que ele jamais deixou as multidões fazerem isso. Anteriormente Ele lhes mandara ficar quietos ou desaparecera do meio deles. Mas neste dia as coisas eram diferentes. Eles estavam cantando o Salmo reservado para a chegada do Messias e quando os fariseus ordenaram que os detivesse, Ele se recusou, dizendo-lhes que nada poderia impedir que isso acontecesse (Lucas 19:39-40). Naquele dia Ele estava cumprindo uma profecia de Daniel 9, bem como a de Zacarias 9.

"Sabe e entende: desde a saída da ordem para restaurar, e para edificar a Jerusalém, até ao Messias, o Príncipe, haverá sete semanas, e sessenta e duas semanas" (Daniel 9:25)

Uma "semana" era um período de sete anos. 7 semanas mais 62 semanas é igual a 69 semanas ou 483 anos. No dia em que entrou na cidade haviam passado exatamente 483 anos desde que o rei persa Artaxerxes havia autorizado Neemias a ir para Jerusalém e reconstruí-la (Neemias 2:1-9). Quando Jesus se aproximava da cidade, disse ao povo que Jerusalém seria destruída porque seus líderes não reconheceram o tempo da visitação de Deus (Lucas 19:41-44).

Sua chegada deixou os líderes religiosos muito nervosos. Desde que Ele ressuscitou Lázaro dos mortos haviam estado procurando uma maneira de matá-lo (João 11:45-53) e agora Ele estava ali, no meio deles. Eles tiveram que fazer algo rápido, porque todo mundo estava falando sobre Ele. Em desespero, concordaram em deixar um de seus seguidores traí-lo por dinheiro.

Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar. (Salmo 41:9)

Jesus havia reservado um aposento em que Ele e Seus discípulos pudessem observar a Páscoa. Imediatamente depois Judas saiu para completar o seu ato de traição. Ele traria os soldados para o Jardim do Getsêmani, onde sabia que Jesus estaria, e O apontaria para eles. Os outros discípulos permaneceram com o Senhor e receberam Seu ensinamento sobre a Nova Aliança. Foi logo após o pôr do sol e o dia acabara de começar. Antes que o dia terminasse, Ele seria preso, julgado, condenado, sentenciado à morte, executado e enterrado. Tudo durante a Páscoa.

Depois da refeição eles cantaram uma hino. Por tradição, ela era também parte do Salmo 118.

A pedra que os edificadores rejeitaram tornou-se a cabeça da esquina. Da parte do Senhor se fez isto; maravilhoso é aos nossos olhos. Este é o dia que fez o Senhor; regozijemo-nos, e alegremo-nos nele. (Salmo 118:22-24).

É impossível imaginar o que o Senhor deve ter sentido sabendo o que estava por vir enquanto cantava. Hebreus 12:2 diz que foi o gozo que estava diante dEle que O ajudou a suportar a cruz. A fonte dessa alegria era o conhecimento de que estava nos redimindo pelo pagamento da penalidade por nossos pecados. Era necessário a vida de um homem sem pecado para nos resgatar da morte e Ele considerou que o resultado bem valia o preço que teria de pagar. Depois do hino, eles saíram para o Jardim do Getsêmani.

Um pouco mais tarde, Judas chegou com os soldados para prendê-lo. Jesus os convenceu a levarem Ele e deixar os outros irem. Apenas Pedro e João seguiram atrás dEle enquanto os outros se espalharam. Anteriormente Ele havia dito que isso aconteceria, citando Zacarias 13:7.

"Ó espada, desperta-te contra o meu pastor, e contra o homem que é o meu companheiro, diz o Senhor dos Exércitos. Fere ao pastor, e espalhar-se-ão as ovelhas."

Quando os sacerdotes fizeram seu negócio com Judas, não percebem que estaria cumprindo uma profecia de Zacarias 11 em notável detalhe.

Porque eu lhes disse: Se parece bem aos vossos olhos, dai-me o meu salário e, se não, deixai-o. E pesaram o meu salário, trinta moedas de prata.

O Senhor, pois, disse-me: Arroja isso ao oleiro, esse belo preço em que fui avaliado por eles. E tomei as trinta moedas de prata, e as arrojei ao oleiro, na casa do Senhor. (Zacarias 11:12-13)

O preço era o mesmo, o local da operação foi o mesmo, até o destinatário final foi o mesmo. Depois que Judas traiu o Senhor, ficou cheio de remorso. Ele devolveu o dinheiro, jogando-o aos sacerdotes no Templo (Mateus 27:5). Isso causou-lhes um problema. Eles não podiam levá-lo de volta para o Tesouro porque estava contaminado. Já que eram responsáveis por enterrar qualquer viajante que morresse na cidade, eles usaram o dinheiro para comprar um campo que poderia se transformar em um cemitério. O homem de quem compraram o campo era um oleiro de profissão (Mateus 27:6-7).

Depois de julgamentos diante do Sumo Sacerdote e do Rei Herodes, Jesus foi condenado à morte. Mas os judeus haviam perdido a autoridade para realizar uma execução, de modo que eles o detiveram até que pudessem ver Pilatos pela manhã, para tornar tudo oficial. Jesus passou o resto da noite sozinho no escuro, acorrentado em um calabouço debaixo da residência do Sumo Sacerdote.

Alongaste de mim os meus conhecidos, puseste-me em extrema abominação para com eles. Estou fechado, e não posso sair. A minha vista desmaia por causa da aflição. (Salmo 88:8-9)

Quando Pilatos ouviu as acusações, percebeu que tinham motivação política e não eram legítimas. Ele decidiu ver se flagelando Jesus os deixaria satisfeitos e O enviou para ser espancado e açoitado com chicotes.

Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. (Isaías 53:4).

As tentativas de Pilatos para salvar Jesus falharam e, depois que sua oferta de libertá-Lo foi rejeitada, ele lavou as mãos sobre o assunto e mandou-O para ser crucificado. Durante todo esse tempo, Jesus não protestou a Sua inocência ou ofereceu qualquer tipo de defesa. Ele sabia que não iria morrer por Seus crimes, mas pelos nossos.

Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca. (Isaías 53:5-7)

Por volta das nove horas da manhã Jesus foi pregado na cruz e entregue a morrer o mais agonizante tipo de morte jamais imaginado. Ofereceram-lhe um pouco de vinagre de vinho misturado com fel para diminuir a dor, mas Ele recusou. Ele havia dito aos Seus discípulos que não beberia vinho novamente até que o Reino tivesse chegado.

Deram-me fel por mantimento, e na minha sede me deram a beber vinagre. (Salmo 69:21)

Ele ficou pendurado ali por várias horas, lentamente sufocando sem reclamar da dor excruciante, mas então aconteceu algo que mudou tudo. Tendo tomado sobre Si todos os pecados da humanidade, Ele realmente se tornou a personificação física do pecado (2 Coríntios 5:21). O Pai não podia mais suportar olhar para Ele e se afastou. Ao fazê-lo, levou a luz do mundo e o meio-dia tornou-se como noite.

"E sucederá que, naquele dia," diz o Senhor Deus," farei que o sol se ponha ao meio dia, e a terra se entenebreça no dia claro." (Amós 8:9)

Separação do pai é algo que Jesus nunca tinha experimentado e não poderia ter previsto, e foi tão pior do que a dor física que Ele finalmente chorou em angústia.

"Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Salmo 22:1)

O Salmo 22, escrito 1000 anos antes, é um relato em primeira pessoa sobre o que é ser crucificado e contém vários detalhes específicos à provação do Senhor.

Como água me derramei, e todos os meus ossos se desconjuntaram; o meu coração é como cera, derreteu-se no meio das minhas entranhas. A minha força se secou como um caco, e a língua se me pega ao paladar; e me puseste no pó da morte. Pois me rodearam cães; o ajuntamento de malfeitores me cercou, traspassaram-me as mãos e os pés. Poderia contar todos os meus ossos; eles vêem e me contemplam. Repartem entre si as minhas vestes, e lançam sortes sobre a minha roupa. (Salmo 22:14-18)

Finalmente, depois de passar seis horas em uma consumidora névoa de dor que nenhum de nós jamais viveu, Ele morreu. No último ato de Sua vida, Ele pediu e recebeu um gole de vinho. Ele fez isso sabendo que a obra que tinha vindo realizar havia sido concluída. As Escrituras haviam sido cumpridas. Depois de ter pago o preço por nossos pecados, Ele sabia que o Reino de Deus havia vindo para a Terra. O gole de vinho que Ele tomou é a prova disso, porque Ele jurou não beber do fruto da videira novamente até que chegasse. Então Ele disse: "Está consumado" e morreu (João 19:28-30). O preço por todos os pecados da humanidade tinha sido pago na íntegra. A luz voltou à Terra.

Poucas horas depois, os principais dos sacerdotes pediram a Pilatos que permitisse aos soldados apressarem a morte dos homens que estavam sendo crucificados. Ao pôr do sol o primeiro dia da Festa dos Pães Ázimos começaria e era um Sábado especial em que nenhum trabalho poderia ser feito (Êxodo 12:16). Eles queriam os homens mortos e fora de suas cruzes antes do Sábado começar. Como a crucificação é, em última análise, uma morte por asfixia, quebrando as pernas dos homens impediria até mesmo a sua limitada respiração e eles morrem rapidamente. Quando os soldados chegaram a Jesus, Ele já estava morto, então eles não lhe quebraram as pernas, mas, em vez disso, Lhe perfuraram o coração.

"Numa casa se comerá (O Cordeiro Pascal); não levarás daquela carne fora da casa, nem dela quebrareis osso." (Êxodo 12:46)

Muitas são as aflições do justo, mas o Senhor o livra de todas. Ele lhe guarda todos os seus ossos; nem sequer um deles se quebra. (Salmo 34:19-20)

Normalmente, aos homens crucificados era negado o enterro. Seus corpos eram simplesmente jogados no depósito de lixo da cidade, onde os cães selvagens os consumiam. Mas um dos homens mais ricos da região pediu a Pilatos o corpo de Jesus e o colocou em seu próprio túmulo, próximo ao local da crucificação.

E puseram a sua sepultura com os ímpios, e com o rico na sua morte; ainda que nunca cometeu injustiça, nem houve engano na sua boca. (Isaías 53:9)

Mas isso não foi o fim tudo. Três dias e três noites depois, antes mesmo que o Seu corpo começasse a se decompor, Ele ressuscitou dentre os mortos, total e eternamente vivo.

Pois não deixarás a minha alma no inferno, nem permitirás que o teu Santo veja corrupção. (Salmos 16:10)

Esta foi a prova positiva de que a Sua morte pagou a penalidade total devida pelos pecados da humanidade. Ele era o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo. Foi também o sinal inconfundível de Jonas. Ele era o Messias de Israel.

Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do Senhor prosperará na sua mão. Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si. (Isaías 53:10-11)

Na noite de sua prisão, Jesus orou que, se houvesse qualquer outra forma de redimir a humanidade, Ele queria ser liberado de seu compromisso de morrer por nós. Então, orou para que não a Sua vontade mas a vontade do Pai fosse feita. (A palavra hebraica traduzida por conhecimento aqui também significa percepção ou discernimento. O Senhor percebeu que a vontade do Seu Pai estava certa e decidiu segui-la ao invés de a Sua própria.)

Esta passagem de Isaías mostra-nos que não havia outro jeito. Era a vontade do Pai que o Filho morresse para que pudéssemos viver. Mas também era sua vontade que o Filho ressuscitasse, porque sem a ressurreição não haveria nenhuma prova de que haviam sido bem sucedidos em nos redimir. É por isso que Paulo disse que nós temos que acreditar em nosso coração que Deus ressuscitou Jesus dos mortos, a fim de sermos salvos (Romanos 10:9). A ressurreição é a prova de que todos os nossos pecados foram levados embora. O fato de que Ele venceu a morte é a prova de que nós também o faremos. Portanto, a crença na ressurreição corporal dos mortos é absolutamente essencial para a nossa salvação.

Escrevendo aos Efésios Paulo disse: "Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos; e qual a sobreexcelente grandeza do seu poder sobre nós, os que cremos, segundo a operação da força do seu poder, que manifestou em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos, e pondo-o à sua direita nos céus. Acima de todo o principado, e poder, e potestade, e domínio, e de todo o nome que se nomeia, não só neste século, mas também no vindouro." (Efésios 1:18-21)

E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus; para mostrar nos séculos vindouros as abundantes riquezas da sua graça pela sua benignidade para conosco em Cristo Jesus. (Efésios 2:6-7)

A ressurreição é a combinação sinérgica de poder e amor. Maior do que a criação ou o Êxodo, que exigiram apenas o poder; maior até do que o nascimento do Messias, que exigiu apenas o amor; é a corôa das realizações de Deus. O Domingo da Ressurreição não foi nada menos que o maior dia na história da existência humana. Ele ressuscitou! 23-04-11