Dividido Foi o Teu Reino

Comentário por Jack Kelley – www.gracethrufaith.com

Peres: Dividido foi o teu reino, e dado aos medos e aos persas. (Daniel 5.28)

Este verso é parte da interpretação de Daniel para a famosa “escrita na parede”. Em aramaico a palavra peres significa tanto dividido quanto Pérsia. Daniel usou anbos os significados para decifrar a escrita, predizendo que Babilônia seria dividida e entregue aos Medos e Persas que estavam acampados fora da cidade.

No que deve ser o maior exemplo da ironia de Deus, o político maior responsável pelo desatroso programa terra por paz é o Presidente israelense Shimon Peres, que dividiria a terra que Deus deu a Israel e a daria aos Palestinos.

Durantes as últimas poucas semanas, o recém instalado Presidente de Israel saiu às suas custas para promover a última instância de sua estratégia. O ofício de Presidente é largamente cerimonial em Israel, assim ele não tem real autoridade sobre a política externa, mas, não obstante, por iniciativa própria, Shimon Peres encontrou-se particularmente com representantes da União Européia, com o Primeiro Ministro Olmert, com representantes do Presidente Mahmoud Abbas da Autoridade Palestina e, agora, diretamente com o Primeiro Ministro Palestino Salam Fayad.

De acordo com a World Net Daily, “O plano de Peres pede que Israel abra mão de 97 por cento da Cisjordânia para a Autoridade Palestina, com Israel mantendo um pequeno número de comunidades judaicas no território. Em troca por Israel manter alguma terra, O estado judeu dará aos palestinos o controle de de cidades israelenses árabes ao norte de Tel Aviv que, juntamente com o território evacuado da Cisjordânia, equivaleriam a 100 por cento da Cisjordânia.”

Em face disso, parece um grande compromisso já que também ajuda a alcançar outro alvo, o de reduzir o número de residentes não judeus em Israel. Por anos, um dos crescentes medos de Israel tem sido que deixada de lado a assim chamada população árabe em Israel logo excederia a população judia, criando a possibilidade de que um dia os árabes pudessem com efeito votar a extinção da existência de Israel. (Essa é uma motivação primária por trás da insistência dos Palestinos sobre o direito de retorno do “refugiados” a Israel.)

É claro que a falha fatal nesse pensamento do ponto de vista humano é que as nações muçulmanas não querem paz com Israel. Eles somente estão continuando com essa iniciativa de paz para enfraquecer Israel o suficiente para tornar possível sua final destruição do Estado Judaico. Para esse fim, ter um território que coloque Tel Aviv dentro do alcance de foguetes seria muito atrativo.

Mas mesmo que eles quisessem paz, Peres tem um outro problema. É o mesmo que ele sempre teve. A terra não é dele para dar. Também a terra não se venderá em perpetuidade, porque a terra é minha; pois vós sois estrangeiros e peregrinos comigo (Lev 25.23). Deixar terras bíblicas saírem de suas mãos viola uma das disposições com que concordaram quando o Senhor a deu a eles.

É como se eu alugasse uma casa sua e então a vendesse para outra pessoa e ficasse com o dinheiro. Isso violaria o contrato de aluguel. Se eu oferecesse uma defesa para o efeito de eu não reconhecer mais o acordo de aluguel como recaindo sobre mim, isso não desculparia minhas ações aos olhos da lei. Você teria todo o direito de fazer o que fosse necessário para ter sua casa de volta, e assegurar-se de que eu fosse punido por meu comportamento ilegal no processo.

A base legal sobre a qual Israel justificou devolver o Sinai para conseguir a paz com o Egito em 1978 era que ele não era parte da dádiva bíblica. A fronteira mais ao sul de Israel era o Wadi al Arish, chamado de Rio do Egito em algumas traduções de Gênesis 15.18, e não incluía o Sinai. Mas desde que Israel começou a negociar o território da Cisjordânia e de Gaza, eles não somente não melhoraram suas chances de paz, mas, ao invés disso, se tornaram mais vulneráveis à guerra. Isso porque aquela terra não é deles para dar.

Ninguém sabe ainda se esse último movimento de Peres terá sucesso. Oficiais da União Européia estão pressionando os EUA a incluí-la na agenda para uma proposta conferência de Paz para o Oriente Médio em novembro. Conforme esperado, oficiais da Autoridade Palestina, vendo que podem conseguir suas terras na Cisjordânia, estão incluindo outra pré-condição para as negociações. Eles agora dizem que Israel tem que desistir de todos os direitos sobre o Monte do Templo antes que quaisquer outras negociações possam começar. Incrivelmente, o Primeiro Ministro Olmert diz que está considerando ao menos conceder soberania conjunta.

A pressão está sobre todos, e somente os muçulmanos parecem estar negociando de uma posição de poder. O Presidente Bush tem seu legado a considerar e precisa de algo para tirar os holofotes do Iraque. A paz no Oriente Médio, ainda que frágil, poderia fazê-lo. Os índices de aprovação do Primeiro Ministro Olmert são os únicos no mundo menores que os do Congresso Americano, e ele está desesperado para melhorá-los. Em tempos como esses, os políticos em toda parte têm uma tendência a ignorar as conseqüências de longo prazo de seus atos em favor de aprovação no curto prazo.

Mas se uma solução de dois estados passar será devido principalmente aos esforços de Shimon Peres, pai da doutrina da terra por paz. O homem cujo nome significa dividido terá dividido com sucesso as terras bíblicas de Israel, pelo menos por um tempo. Esse é um movimento certo de chamar a atenção dAquele a quem elas pertencem. Ele terá todo direito de fazer o que for necessário para ter sua terra de volta, e assegurar-se de que Israel seja punido por seu comportamento ilegal no processo. Deus nos ajude a todos. Minhas considerações. 22-08-07