Solucionando o Mistério dos Três Dias e Três Noites

Um comentário por Jack Kelley – www.gracethrufaith.com

Em Mateus 12.38 é pedido a Jesus um sinal de que Ele é o Messias prometido. Os oficiais religiosos tinham acabado de acusá-lo de usar o poder de Satanás para realizar Seus milagres, e então Ele descreveu o único sinal que eles veriam. “Pois, como Jonas esteve três dias e três noites no ventre da baleia, assim estará o Filho do homem três dias e três noites no seio da terra” (Mat 12.40). Com isso Ele quis dizer que porque seus corações eram duros eles somente saberiam com certeza que Ele era o Messias após O terem sacrificado, Sua resposta resultou em uma controvérsia de 2000 anos em volta de Sua morte.

 

Na verdade a controvérsia existe abertamente entre os crentes gentios. A maioria dos Judeus familiarizados com sua religião já resolveu isso há muito tempo. Mas para um gentio ignorante do calendário judaico, a frase em João 19.31 identificando o dia seguinte à crucificação como um sábado especial significa que Jesus teria que ter sido crucificado numa sexta-feira, porque até mesmo os gentios sabem que o Shabbat judaico cai no sábado. Muitas fontes competentes (assim como o Estudo Bíblico que eu utilizo) cometem esse erro. E todos concordam que Ele ressuscitou no domingo. Não há forma de colocar três dias e três noites entre sexta-feira à tarde e domingo de manhã. Por isso a controvérsia.

Então, vamos entender isso direito. Shabbat significa dia santo. Há um a cada sábado em Israel, mas há também vários outros durante o ano que tem data específica. Isso significa que eles são sempre observados em uma data específica do calendário, independentemente do dia. São como o Natal que acontece sempre no dia 25 de dezembro, não importa que dia da semana seja.

O Shabbat especial a que João se refere é a Festa dos Pães Asmos, e é um feriado de data fixa; sempre observado no 15º dia do mês que eles chamam de Nisan, que corresponde a Março/Abril no nosso calendário. Assim, a primeira coisa que aprendemos é que o Shabbat especial mencionado em João 19.31 não era um sábado.

De fato, há três Shabbats especiais somente no mês de Nisan: A Páscoa no 14º dia, a Festa dos Pães Asmos que começa no 15º dia e segue até o 22º, e a Festa das Primícias (ou Primeiros Frutos) na manhã do domingo seguinte à Páscoa. Todos têm um propósito tanto histórico quanto profético e como todos os dias no calendário judaico, eles começam ao pôr-do-sol, seguindo o padrão de Gênesis 1. (Isso também confunde os gentios pois o nosso dia começa à meia-noite.)

O Cordeiro da Páscoa

Mas fica ainda mais complexo. O próximo ponto que temos que atacar é a seqüência de eventos na semana que chamamos de Semana Santa. Jesus veio para cumprir as profecias do Cordeiro Pascal. Eis o que isso significa. Em Êxodo 12, onde a Páscoa foi ordenada, Deus disse aos Israelitas para selecionarem um cordeiro no 10º dia do mês e procurar por defeitos nele até o 14º dia. Isso significa até o fim do 13º. Então, ao entardecer, eles deveriam sacrificá-lo e cozê-lo, comendo-o na mesma noite, usando um pouco de seu sangue para pintar de vermelhos os umbrais de suas portas, para protegê-los da praga que recairia sobre o Egito à meia-noite.

Seguindo o nosso calendário, esses eventos teriam todos ocorrido na noite do 13º dia, mas para os judeus o 14º dia começou ao entardecer, quando o sol se pôs, e assim, já era o 14º dia quando eles mataram e comeram o cordeiro da Páscoa.

O único dia em que Jesus permitiu ao povo exaltá-lo como Rei foi no dia que chamamos Domingo de Ramos. Ele o fez para cumprir o processo de seleção para o Cordeiro Pascal. Quando os oficiais Lhe mandaram calar Seus discípulos, Ele disse que se eles se calassem, as próprias pedras falariam (Lucas 19.40). Pois esse era o dia estabelecido na história. Esse foi o dia em que Ele oficialmente se tornou o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo. Isso aconteceu 483 anos a partir da data em que foi expedido o decreto para restaurar Jerusalém e reconstruir o Templo, comentado por Daniel o Profeta (Daniel 9.25). Um pouco depois de os oficiais falarem com Ele, Ele condenou Jerusalém à destruição final porque eles não reconheceram o dia de Sua visitação (Lucas 19.41-44). Como veremos isso aconteceu no 10º dia do mês.

Os próximos três dias foram preenchidos com os mais agressivos debates e confrontações com os oficiais em todo o Seu ministério, começando com a Purificação do Templo. Ele estava sendo examinado atrás de qualquer mancha ou contaminação doutrinária que O desqualificaria como o Cordeiro de Deus. Eles não encontraram nada.

Tradição, Tradição

Alguns anos antes do nascimento de Jesus a celebração da Páscoa havia mudado e no tempo do Senhor exigia uma rápida refeição ritual de cordeiro, pão asmo e ervas amargas (raiz forte) para iniciar o 14º dia. Era então seguida por uma grande e desleixadamente festiva refeição no 15º dia, quando a Festa dos Pães Asmos começa. Essa tradição ainda é seguida hoje.

O 14º dia ficou conhecido como Dia da Preparação (Marcos 15.42, Lucas 23.54, João 19.31), porque nele eles se preparavam para o grande dia de festa começando ao pôr-do-sol. Mateus identifica o dia após a Crucificação como o dia depois do Dia da Preparação (27.62), então os quatro Evangelhos concordam. Jesus morreu no Dia da Preparação, o 14º de seu mês Nisan, que é a Páscoa. Ele comeu a refeição ritual com Seus discípulos no Cenáculo, e então foi preso, julgado, condenado e morto; tudo na Páscoa. Ele tinha que ser, a fim de cumprir as profecias do Cordeiro Pascal.

Assim, da forma como o Senhor ordenou em Êxodo 12, Ele foi selecionado no 10º dia, examinado no 11º, 12º e 13º, e executado no 14º dia de Nisan.

Como Sabemos Disso?

Um pouco mais de 100 anos atrás um crente chamado Robert Anderson era chefe da divisão de investigações da Scotland Yard. Ele ficou intrigado com o assunto dos três dias e três noites e pediu a ajuda do Observatório Real de Londres para investigar o problema, já que os astrônomos podem localizar a posição exata dos planetas e estrelas em qualquer data na história. Já que a Páscoa sempre cai no 14º dia, e já que o calendário Judaico é lunar e não solar, há sempre lua cheia na páscoa. Isso cumpre Gêneses 1.14.

Traçando o curso do sol e da lua eles documentaram o dia e a data de cada lua cheia. O Observatório Real descobriu que o primeiro Domingo de Ramos aconteceu no 10º dia de Nisan. A Páscoa, o 14º dia, foi, portanto, uma quinta-feira, e a Manhã da Ressurreição foi também um domingo, o 17º dia. De quinta-feira a domingo há três dias e três noites. É assim que funciona: é um pouco confuso para o nosso modo de pensar, mas leia cuidadosamente e você verá que faz sentido.

Como eu disse, Ele teve que morrer na Páscoa para cumprir a profecia. Cedo de manhã naquela quinta-feira, a liderança judaica decidiu matá-Lo. Seu destino estava selado (Mat 27.1). Pela lei Ele teria que estar fora da cruz sobre o chão antes do pôr-do-sol (Ele na verdade morreu por volta das 3 horas da tarde e foi colocado no sepulcro imediatamente). Então, a quinta-feira foi o primeiro dia. Como no entendimento judaico a noite precede o dia, ao pôr-do-sol começou a sexta-feira, o 15º dia, primeira noite, segundo dia. O próximo pôr-do-sol trouxe a noite de sábado, o 16º dia, segunda noite, e o Shabbat normal começou. Como ao amanhecer era o dia de sábado, terceiro dia. Ao pôr-do-sol do sábado começou a noite de Domingo, o 17º dia, terceira noite, e antes do nascer do sol Jesus ressuscitou e saiu do sepulcro. Três dias e três noites. Quando as mulheres chegaram para ungir seu corpo ao amanhecer, Ele já tinha desaparecido.

Então, na semana em que Jesus morreu foram observados dois Shabbats seguidos, que não permitiam qualquer trabalho: A Festa dos Pães Asmos na sexta-feira dia 15, e o Shabbat semanal normal no sábado dia 16. Em Mateus 28.1 lemos que ao nascer do sol no primeiro dia da semana (domingo dia 17) as mulheres que eram próximas a Jesus foram olhar no sepulcro. Lucas 24.1 nos diz que elas estavam indo ungir o Seu corpo para o sepultamento. Os dois Shabbats impediram-nas de fazê-lo antes. Mas Ele não estava lá. Havia ressuscitado. Sendo o primeiro domingo após a Páscoa, no Templo judeu era a Festa das Primícias. No Sepulcro Vazio era a Manhã da Ressurreição.

Alguns argumentam que este ponto de vista não permite três dias e três noites inteiras no sepulcro, mas as Escrituras não dizem isso. Elas simplesmente dizem três dias e três noites. Se você mudar sua morte para a quarta-feira, como alguns ensinam, para conseguir três dias inteiros, você viola as profecias do Cordeiro Pascal. A data de quinta-feira é a única que pode acomodar tanto a profecia do Cordeiro Pascal quanto a dos três dias e três noites.