O Relacionamento da Aliança

E Jônatas e Davi fizeram aliança; porque Jônatas o amava como à sua própria alma. E Jônatas se despojou da capa que trazia sobre si, e a deu a Davi, como também as suas vestes, até a sua espada, e o seu arco, e o seu cinto. (1 Samuel 18:3-4)

Fazer uma aliança era um negócio sério. Era o laço mais forte conhecido pelos homens e tinha aplicações tanto pessoais quanto de negócio que se estendiam até mesmo aos descendentes das duas partes envolvidas. Uma aliança era tipicamente solenizada por grandes cerimônias e rituais, alguns dos quais são mencionados na passagem acima. Em resumo acontecia assim:

Primeiro, vários animais eram cortados ao meio e arrumados ao longo de um caminho. Seu propósito era simbolizar a penalidade por quebrar a aliança. Os dois homens que entravam em um relacionamento de aliança caminhavam entre e ao redor das partes de animais em forma de oito (um oito de lado é o símbolo de infinito). Isto era para demonstrar que entendiam e aceitavam a penalidade e que o acordo os obrigava para sempre. (Quando Deus entrou em Sua aliança com Abraão, dando-lhe a Terra Prometida, Ele foi o único a caminhar entre os animais. Isso significa que somente Ele estava amarrado aos termos. Não havia nada que Abraão precisasse fazer. De fato, Deus o colocou para dormir para que não pudesse participar. A terra foi dada a Abraão e a seus descendentes incondicionalmente e em perpetuidade. Gêneses 15).

Sete Passos Simbólicos

Então eles executavam até sete atos simbólicos; cada um desenhado para ressaltar a seriedade e permanência do relacionamento em que estavam entrando. Na passagem acima, Davi e Jônatas formalizaram sua aliança com os primeiros dois deles, e parece que a execução de quaisquer dois dos sete era suficiente para tornar efetiva uma aliança.

1.

Cada homem entregava sua vestimenta externa ao outro, simbolizando que tudo o que pertencesse a um também pertencia ao outro;

2.

Trocar espadas, arcos e outras armas indicava que cada um estava estava se compromentendo com a defesa do outro, colocando seu poder, como tal, à disposição do outro.

3.

Cada um cortava o próprio pulso para fazer correr o sangue e uniam suas mãos e antebraços direito em um gesto do qual derivamos o moderno aperto de mãos. A idéia aqui era que o sangue de um estava agora misturado ao do outro. Os dois se tornaram um. Em algumas culturas o noivo e a noiva ainda se cortam e misturam seu sangue dessa forma, e a idéia dos índios Americanos de se tronarem "irmãos de sangue" também deriva disso. (A palavra Hebraica que significa aliança literalmente significa cortar para que o sangue corra. Isso poderia se aplicar aos animais, aos homens ou a ambos.)

Usamos a frase "o sangue é mais grosso que a água". Normalmente ela se refere à força dos relacionamentos familiares, mas seu intento original era diferente. Significava que o sangue da aliança superava as águas do nascimento. Relacionamentos de aliança excediam laços familiares em força e durabilidade.

4.

Eles deixavam o curte cicatrizar de forma a deixar uma cicatriz visível no pulso. Isso servia para alertar as pessoas de que eram mais fortes do que pareciam ser, já que outro sangue por detrás do deles se comprometera com sua segurança.

5.

Eles compartilhavam uma refeição cerimonial, normalmente de pão e vinho. Esta era outra forma de uní-los, já que até hoje as pessoas do Oriente Médio crêem que compartilhar do mesmo pão e do mesmo copo de vinho une os participantes. Melquisedeque e Abraão tiveram uma refeição assim.

6.

Outra forma ainda era cada um tomar uma porção do nome do outro, similarmente à forma com que uma noiva toma o sobrenome do noivo na cultura ocidental. (Quando Deus entrou em aliança com Abrão, Ele mudo seu nome para Abraão, nos forçando a expirar quando falamos o seu nome. A expiração simboliza o Ruach Elohim ou Espírito de Deus que o Senhor soprou em Adão na sua criação.)

7.

E, finalmente, eles construíam um monumento ou memoria para a cerimônia. Isso poderia ser algo simples como uma pilha de pedras ou complexo como um bosque ou manada de animais, tal como quando Jacó e Labão formaram sua aliança.

Eles passavam por tal ceirimônia porque suas vidas dependiam de seus parceiros de aliança. Não poderia haver dúvidas quanto à confiabilidade um do outro.

Um Exemplo Hipotético

Um pasto rprecisava colocar sua lã nas mãos de um mercador. Mas os mercadores viviam nas cidades e suas ovelhas tinham que ficar nas montanhas. Ele não podia simplesmente deixá-las e sair para vender sua lã, as ovelhas teriam desaparecido quando retornasse. Ainda assim, ele precisava das coisas que somente poderia comprar com o dinheiro conseguido com a venda da lã. Então, ele entrou em aliança com um corretor de lã. O corretor levou sua lã até a cidade e a vendeu aos mercadores. Com o dinheiro que conseguiu, ele comprou as coisas de que o pastor precisave e as trouxe para ele.

O pastor tinha que confiar que o corretor guardaria a lã com sua vida, e conseguiria o melhor preço possível por ela no mercado. Ele também tinha que acreditar que o corretor pagaria o mínimo necessário pelos bens que traria de volta, protegendo-os por todo o caminho de volta como se fossem dele mesmo. O Corretor teria que confiar que o pastor cuidaria de seu rebanho e maximizaria sua produção de lã para que, quando voltasse, houvesse uma nova produção para ser vendida. Seria uma relação interdependente baseada em confiança.

E Um da Vida Real ... 2 Samuel 9

Algum tempo depois que Davi e Jônatas formaram sua aliança, Jônatas foi morto na Batalha de Bete-Seã, enquanto Davi seguiu em frente e se tornou Rei de Israel. Mas, como eu disse, uma acordos de uma aliança se extendem até mesmo aos descendentes dos cabeças da aliança. Um dia o Rei Davi perguntou a seus conselheiros se havia alguém restante da família de Jônatas a quem pudesse mostrar bondade por causa de Jônatas.

Eles trouxeram um dos antigos servos de Saul que lhe falou de um rapaz aleijado chamado Mefibosete. Ele era filho de Jônatas e viva em um lugar chamado Lo-debar. Quando Davi se tornouRei de Israel, toda a família de Saul (Jônatas era filho de Saul) havia fugido por temer que Davi fosse se vingar neles pela forma com que Saul o havia tratado. Em sua pressa para fugir, sua pajem pegou o pequeno Mefibosete, com 5 anos de idade, para carregá-lo, mas eles caíram sobre o shão de pedra quebrando as pernas dele e deixando-o aleijado para o resto da vida (2 Samuel 4:4). Enquanto ele crescia, a família de Mefibosete o convenceu de que Davi era o responsavel por sua condição e que ainda queria matá-lo.

Ao saber do paradeiro de Mefibosete, Davi enviou seu soldados para buscá-lo. Quando eles o trouxeram à presença do Rei, Mefibosete, temendo por sua vida, perguntou se Davi iria matá-lo naquela hora. Davi lhe reassegurou e contou-lhe sobre a aliança que tinha com Jônatas. Então Davi lhe restyaurou todas as propriedades de seu avô Saul e lhe deu servos para trabalhar a terra para que suas necessidades fossem sempre supridas. Finalmente Davi lhe pediu para viver em Jerusalém, e comer à mesa do Rei como um de seus próprios filhos.

Esta é uma bela história de bondade e perdão que ilustra como nenhuma outra a profundidade de um relacionamento de aliança, e tem um paralelo em nossas vidas. Pense em Davi como Deus nosso Pai, em Jônatas como o Senhor Jesus e em Mefibosete como você e eu.

A Aliança Eterna

Muito antes de nascermos o Pai e o Filho entraram em uma aliança em nosso favor. Nosso Pai disse a Jesus, "Filho, se Tu morreres por eles, Eu os perdoarei."

Jesus respondeu, "Pai, se Tu os perdoarás, então Eu morrerei por eles." E assim a Aliança Eterna foi formada.

Todas as vezes que Deus entrou em aliança com os homens eles se mostraram indignos de cofiança e logo a quabraram. Adão comeu o fruto proibido, os descendentes de Noé recusaram-se a se espalhar e repovoar a terra, os filhos de Israel qubraram os Mandamentos, e assim por diante. A salvação dos Filhos de Deus era tão importante para Ele que não podia confiar que um mero homem fosse fiel, então o próprio Deus teve que se tornar um homem para que a humanidade pudesse ser salva. "Tu és meu filho", Ele disse a Jesus, "hoje Eu me tronei teu Pai" (Salmos 2:7).

Assim Jesus se tornou homem para salvar a humanidade, e se colocou diante do nosso Pai como o cabeça da aliança.

Mais tarde, quando Deus nos perseguiu, nós fugimos para salvar nossas vidas. Nós ouvimos as histórias sobre a Sua ira e nos disseram que Ele era o responsável por nossas enfermidades. Finalmente, um dia Ele nos alcançou e nós trememos aos Seus pés tememendo por nossas vidas, Ele nos tranqüilizou e nos contou sobre a aliança que fizera com Seu Filho. Então Ele restaurou nossa herança e nos convidou a habitar com Ele, a comer na mesa do Rei com Sua família e a nos considerarmos como Seus filhos.

O Que Ele Fez Por Mim?

Então Ele nos contou o que Seu filho havia feito por nós. Ele disse que Jesus

1.

Nos deu Suas vestes de justiça e se vestiu com nossas vestes de pecado.

2.

Empenhou a Sua espada (a Palavra de Sua boca) em nossa defesa.

3.

Teve os Seus pulsos cortados, e curou-Se de forma a deixar cicatrizes como evidência da aliança.

4.

Deixou Seu sangue correr para dentro e sobre nós, limpando-nos de nossas impurezas.

5.

Compartilhou uma refeição de alianlça conosco e nos pediu para fazê-lo uns com os outros como um memorial a Ele.

6.

Nos deu Seu nome, pois somos chamados de Cristão.

7.

Construiu um monumento, seu rebanho da aliança, e disse que as portas do inferno não prevaleceriam contra ele.

E, como no caso de Abraão, tudo o que precisamos fazer é receber. É incondicional e perpétuo.

Justiça ou Misericórdia?

Eu costumava pensar que João havia usado a palavra errada em 1 João 1:9. Ao invez de falar de Deus, "Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça", eu achava que João deveria ter escrito, "Ele é fiel e misericordioso..." achando que era por causa da misericórdia de Deus que somos perdoados, não por Sua justiça. Então eu aprendi a respeito da Aliança Eterna e descobri que Ele é obrigado a nos perdoar. Ele fez uma aliança com Seu Filho prometendo fazê-lo. E Ele não pode quebrar Sua promessa porque é fiel e justo.

O Filho morreu por nós, e agora o Pai tem que nos perdoar, e quando o faz, todos os nossos pecados e a vergonha e culpa que vêm com eles são eliminados. Como Mefibosete, nossa herança é restaurada, estamos garantidos para o resto da vida, e nos assentamos à mesa do Rei como um de Seus filhos. A propósito, o nome Mefibosete significa espalhar, ou manda embora, a vergonha. Isto é o que o Senhor fez por nós. Selá 20-02-2005